
Por que o partido precisa assumir sua vocação
A política brasileira vive um momento de definições. Em tempos onde a polarização parece inevitável, alguns partidos buscam refúgio no “centrão” pragmático, negociando posições conforme as conveniências do momento. Outros, porém, são chamados por sua própria história a assumir um compromisso mais profundo com a transformação social. É o caso do Cidadania.
O partido nasceu da luta democrática contra o autoritarismo, ergueu-se sobre as bases da defesa dos direitos humanos e sempre teve como marca a valorização da diversidade. Essa origem não é mero detalhe biográfico — é DNA, é identidade, é responsabilidade histórica. E essa história cobra coerência.
Ser de centro-esquerda não significa apenas ocupar um espaço no espectro ideológico. Trata-se de um compromisso ético e político com aqueles que mais precisam: os invisibilizados, os que ainda não têm voz, os que esperam do Estado não favores, mas direitos. Num país marcado por desigualdades estruturais como o Brasil, onde a concentração de renda convive com a miséria, onde o racismo é cotidiano e a violência de gênero mata diariamente, não há espaço para neutralidade confortável.
O Cidadania não pode se contentar em ser apenas mais um partido do centro político, navegando entre águas seguras e evitando confrontos. Sua vocação é outra: ser ponte entre o povo e as políticas públicas que efetivamente transformam vidas. Educação pública de qualidade, saúde universal, combate estrutural à fome, defesa intransigente do meio ambiente, respeito incondicional às mulheres, aos negros, aos povos indígenas, à comunidade LGBTQIA+ — nenhuma dessas pautas se conquista com tibieza. Todas exigem coragem. Todas exigem tomar um lado. E o lado certo, para quem defende justiça social, é o da esquerda.
O contexto baiano e o desafio de 2026
Em Vitória da Conquista, como em toda a Bahia, o cenário político para 2026 já está em ebulição. E não temos dúvida que esta eleição será marcada por uma disputa intensa, que exigirá de cada legenda clareza sobre seus valores e compromissos.
O congresso municipal do Cidadania, realizado neste sábado 4 de outubro, na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, foi um momento importante de mobilização da militância e de afirmação da força do partido na base da prefeita Sheila Lemos. Esses momentos não são apenas protocolares — são oportunidades para que o partido reafirme sua identidade e debata seu papel no contexto político local e estadual.
É nesse contexto que o Cidadania precisa fazer uma escolha estratégica, mas também ideológica.. É uma definição sobre que tipo de Estado, de sociedade e de futuro o partido quer construir para a Bahia.
Cidadania exige posicionamento
Se queremos honrar o nome que carregamos — Cidadania —, precisamos lutar por uma sociedade onde todos tenham direitos iguais, oportunidades reais e dignidade garantida. Isso não se constrói com neutralidade calculada ou com alianças meramente convenientes. Isso se constrói com posicionamento firme, com propostas transformadoras, com a coragem de dizer claramente onde estamos e por quem lutamos.
A força progressista brasileira tem seus desafios, suas contradições, seus erros históricos. Mas é também o campo político que historicamente se comprometeu com a redução das desigualdades, com a ampliação de direitos, com a inclusão dos marginalizados. É o campo que entende que o Estado existe para servir, prioritariamente, aqueles que o mercado abandona.
O Cidadania tem uma escolha a fazer: ser mais um partido a reboque das conveniências políticas ou assumir sua vocação transformadora. Ser de centro-esquerda, neste momento histórico, não é radicalismo — é responsabilidade. É estar ao lado de quem mais precisa. É ser coerente com a própria história.
A militância do partido, reunida em congressos municipais como o de Vitória da Conquista, tem o direito de cobrar essa clareza. E o povo brasileiro, cansado de promessas vazias e pragmatismos sem princípios, merece partidos que tenham coragem de dizer o que são e por que lutam.
O Cidadania pode — e deve — ser esse partido.
A política se faz com ideias, mas se realiza com coragem. Que o Cidadania tenha ambas.




