Política e Resenha

O Dia da Consciência Negra  e o meu apelo

 

 

 

 

 

Por Lucas Batista

 

O Dia da Consciência Negra não é apenas uma data no calendário. É um convite à reflexão, à memória e, sobretudo, ao reconhecimento da luta e da contribuição do povo negro para a história do nosso país. É um dia que nos lembra que a igualdade ainda é um caminho a ser percorrido, e que a consciência deve existir muito além de uma homenagem: deve existir na prática, na convivência, no respeito e no olhar que lançamos uns aos outros.

 

Muitas vezes, quando falamos sobre racismo, algumas pessoas acham que é exagero, ou dizem que isso “já acabou”. Mas eu falo a partir da minha própria vivência. Mesmo sendo conhecido na minha cidade, mesmo sendo um homem que trabalha, que contribui, que está todos os dias na luta pelo seu povo, ainda me deparo com olhares atravessados, portas meio abertas, suspeitas gratuitas.

 

Há lugares em que chego e percebo que antes de verem o ser humano, veem a cor da minha pele. E isso não acontece apenas no interior — acontece também nas capitais, em Salvador, no comércio, em lojas onde, muitas vezes, o primeiro olhar é de julgamento, como se minha cor definisse meu caráter. E isso machuca. Cansa. Mas também fortalece.

 

Porque foi nessa caminhada que aprendi uma das maiores verdades da minha vida: eu amo a minha cor. Amo porque ela carrega história, força, beleza e identidade. Deus me pintou com uma das cores mais bonitas que existe. E não existe pele A, B ou C — a dor de um negro, um branco sente; a dor de um albino, um negro sente. Somos todos feitos da mesma essência, gerados pelo mesmo Criador, respirando o mesmo ar e caminhando pelo mesmo chão.

 

No Dia da Consciência Negra, o meu apelo é simples e profundo: que sejamos mais tolerantes e menos intolerantes. Que entendamos que ser diferente é normal. Que cada pessoa tem o direito de ser quem quiser ser, de vestir a identidade que carrega, de honrar a própria história. Não importa se você é branco, preto, pardo, lilás — o que importa é o coração que você carrega e o respeito que você entrega ao mundo.

 

Que possamos enxergar uns aos outros não pela cor, mas pela essência. Pelo caráter. Pelo compromisso com o bem.

 

Que este dia não seja apenas lembrado, mas vivido.