Política e Resenha

O Olfato que Desafia a Enxurrada: o Cão Rambo e a Corrida Contra o Tempo nas Buscas em Vitória da Conquista

A mobilização das equipes de resgate em Vitória da Conquista ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (11), quando um reforço especializado do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia passou a integrar as operações de busca por uma mulher desaparecida após ser arrastada por uma enxurrada no início da semana.

Desde a última segunda-feira (9), quando o incidente ocorreu durante as fortes chuvas que atingiram a cidade do sudoeste baiano, equipes do Corpo de Bombeiros vêm realizando varreduras contínuas ao longo de um canal urbano e em áreas onde a força da água pode ter conduzido a vítima. O trabalho é complexo e exige precisão, paciência e tecnologia humana e animal.

O novo reforço veio da capital baiana. Um cão farejador da Companhia de Operações com Cães (COC), vinculada ao 3º Batalhão de Bombeiros Militar (3° BBM), foi deslocado para a região para ampliar a capacidade de localização da vítima. O animal, chamado Rambo, atua acompanhado de seu condutor, o soldado bombeiro militar Éder, além de outro integrante da unidade especializada.

Treinados para operações de busca em cenários adversos, cães de resgate utilizam o faro altamente sensível para identificar partículas de odor humano que permanecem no ambiente mesmo após a passagem da água, da lama e dos detritos. Esse tipo de atuação tem sido cada vez mais utilizado em operações de busca e salvamento em todo o Brasil, especialmente em ocorrências envolvendo enchentes, deslizamentos e desastres naturais.

Segundo a aspirante bombeiro militar Catharina Assunção Bomfim, comandante da Companhia de Operações com Cães, o trabalho do animal desempenha papel estratégico em situações como a registrada em Vitória da Conquista.

De acordo com a oficial, enquanto as equipes enfrentam dificuldades naturais do terreno — como lama acumulada, vegetação densa e resíduos trazidos pela correnteza — o cão é capaz de localizar o chamado “cone de odor”, uma área onde partículas de cheiro humano se concentram. Essa indicação permite direcionar o trabalho das equipes com maior precisão.

Na prática, isso significa reduzir o tempo de busca e evitar escavações ou varreduras manuais em áreas onde não há indícios da presença da vítima. O método preserva energia das equipes operacionais e torna a ação de resgate mais eficiente.

A atuação de cães farejadores em missões de busca representa uma das ferramentas mais importantes da moderna engenharia de salvamento. O olfato canino pode ser dezenas de milhares de vezes mais sensível que o humano, permitindo detectar vestígios mínimos que passariam despercebidos em operações convencionais.

Enquanto o trabalho segue ao longo do canal e em trechos por onde a água pode ter passado com maior intensidade, as equipes continuam empregando diferentes estratégias de varredura. O objetivo é ampliar ao máximo o alcance das buscas e reunir qualquer indício que possa contribuir para a localização da vítima.

Em momentos como este, a mobilização técnica e humana das equipes de resgate mostra a complexidade das operações realizadas durante eventos climáticos extremos. Cada recurso disponível — seja humano, tecnológico ou animal — passa a desempenhar papel fundamental no esforço conjunto para enfrentar os desafios impostos pela natureza.

Assim, entre lama, detritos e o silêncio pesado das margens do canal, o trabalho segue com método, disciplina e esperança, guiado agora também pelo faro preciso de um cão treinado para encontrar sinais onde os olhos humanos já não conseguem ver.

(Maria Clara)