Política e Resenha

O PAC é Nosso: Não Deixemos os “Pais da Criação” Roubarem o Show

 

 

 

 

`Por Padre Carlos

 

Vitória da Conquista acaba de receber uma excelente notícia: três propostas municipais foram selecionadas para o Novo PAC Seleções 2025, na área da saúde. São investimentos que chegam a aproximadamente R$ 100 milhões, contemplando desde drenagem de águas pluviais até a construção de unidades básicas de saúde e uma unidade odontológica móvel. Uma conquista significativa que merece ser celebrada e, principalmente, ter sua autoria devidamente reconhecida.

Mas já conhecemos o roteiro. Em breve, quando os holofotes se acenderem e as máquinas fotográficas começarem a disparar, surgirão de todos os cantos os famosos “pais da criação” – aqueles políticos que, magicamente, descobrem que sempre foram os verdadeiros articuladores de projetos nos quais nunca colocaram um dedo.

A Síndrome do Paizinho Oportunista

É um fenômeno que se repete ad nauseam na política brasileira, e Vitória da Conquista não é exceção. Enquanto técnicos da prefeitura queimaram pestanas elaborando projetos, fazendo estudos de viabilidade, adequando propostas às exigências federais e correndo atrás de documentação, alguns parlamentares estavam… bem, fazendo o que parlamentares costumam fazer quando não há câmeras por perto.

Mas agora que os recursos estão garantidos, prepare-se para ver deputados federais e estaduais disputando a paternidade desses projetos como se fossem pais biológicos brigando por DNA. Surgirão releases de imprensa, posts nas redes sociais e até mesmo placas de obra com rostos sorridentes de quem “viabilizou” os investimentos.

O Verdadeiro Mérito

É preciso deixar claro: o mérito principal dessa conquista é da administração municipal, que soube identificar as demandas da cidade e transformá-las em propostas técnicas consistentes. Os investimentos em drenagem pluvial dos bairros Panorama e Recreio, a renovação da frota de ônibus, a construção do Centro de Atenção Psicossocial e das Unidades Básicas de Saúde não são frutos de “pistolões” ou “influências”, mas sim de competência técnica e planejamento.

O Novo PAC Seleções funciona exatamente assim: não é uma distribuição clientelista de recursos, mas uma seleção baseada em critérios técnicos e na capacidade dos municípios de apresentar projetos bem estruturados. Vitória da Conquista foi contemplada porque fez o dever de casa.

Fiquemos de Olho

Por isso, é fundamental que a população conquistense fique atenta. Quando começarem as inaugurações, quando as obras estiverem prontas, lembremos sempre: os verdadeiros responsáveis por essa conquista são os servidores municipais que elaboraram os projetos e a gestão municipal que priorizou essas demandas.

Não que deputados e senadores não tenham seu papel no processo legislativo e no acompanhamento da execução das políticas públicas federais. Têm sim, e é importante. Mas uma coisa é acompanhar e fiscalizar; outra bem diferente é aparecer como protagonista de uma história na qual se foi, no máximo, coadjuvante.

Uma Questão de Honestidade Intelectual

O que está em jogo aqui não é apenas o reconhecimento do mérito – embora isso seja importante para motivar quem realmente trabalha. É uma questão mais ampla de honestidade na política e de educação democrática da população.

Quando permitimos que políticos se apropriem indevidamente de conquistas alheias, estamos contribuindo para a perpetuação de uma cultura política viciada, onde o marketing vale mais que o trabalho real, onde a aparência supera a substância.

Vitória da Conquista tem muito a comemorar com esses R$ 100 milhões do PAC. São recursos que vão melhorar concretamente a vida dos conquistenses, desde a prevenção de alagamentos até o fortalecimento da rede de saúde pública. Mas que essa festa seja feita com honestidade, dando crédito a quem realmente trabalhou para que ela acontecesse.

Os “pais da criação” que esperem sentados. Desta vez, vamos ficar de olho.