
(Padre Carlos)
Há momentos em que o silêncio fala mais alto que qualquer discurso. E na política, muitas vezes, o silêncio é o retrato mais fiel da ausência de representação.
Enquanto deputados do sul e do extremo sul da Bahia levantam a voz na Assembleia Legislativa para discutir a malha aérea da Bahia, denunciar o preço abusivo das passagens aéreas e exigir investimentos em infraestrutura aeroportuária, o sudoeste baiano parece assistir a tudo de braços cruzados.
A cena é reveladora.
Na reunião da Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa, parlamentares cobraram soluções para a conectividade aérea do estado. Discutiram o custo das passagens, a falta de voos diretos e a necessidade de ampliar aeroportos estratégicos como Ilhéus, Porto Seguro e até a viabilidade de um aeroporto em Itapetinga.
Houve críticas duras. Houve pressão política. Houve mobilização.
Mas houve também uma ausência ensurdecedora.
Onde estavam as vozes que deveriam defender Vitória da Conquista, o maior polo econômico do sudoeste da Bahia? Onde estavam os parlamentares que deveriam lutar pelo fortalecimento do Aeroporto Glauber Rocha, uma infraestrutura moderna que nasceu com a promessa de transformar a mobilidade aérea da região?
A verdade precisa ser dita com todas as letras: quando uma região não é defendida politicamente, ela se torna invisível.
Enquanto deputados do litoral se organizam para proteger seus interesses regionais, o sudoeste permanece num estado de inércia preocupante. E essa ausência de pressão política tem consequências concretas: menos voos, tarifas elevadas, dificuldade de deslocamento e perda de competitividade econômica.
Não se trata apenas de conforto para passageiros.
A malha aérea regional é um elemento fundamental do desenvolvimento. Ela conecta cidades, atrai investimentos, fortalece o turismo, facilita negócios e amplia oportunidades.
Quando um aeroporto perde voos, toda uma economia local perde dinamismo.
Vitória da Conquista, com sua posição estratégica no interior da Bahia, deveria ser um hub natural de integração regional. Uma cidade com universidades, hospitais de referência, comércio forte e uma posição geográfica privilegiada não pode aceitar passivamente o encolhimento de sua conectividade aérea.
Mas para que isso mude, é preciso algo que hoje parece faltar: representação política ativa.
Política não é apenas aparecer em eventos, cortar fitas ou postar fotos em redes sociais. Política é disputa de espaço, pressão institucional e defesa firme dos interesses da população.
Os deputados do sul e do extremo sul compreenderam isso. Estão pressionando o governo, levantando debates e colocando suas regiões na pauta estratégica do estado.
E o sudoeste?
Se continuar calado, corre o risco de ver decisões sendo tomadas sem sequer estar na mesa.
A história mostra que regiões que não se mobilizam acabam ficando para trás.
Vitória da Conquista já demonstrou muitas vezes sua força econômica, cultural e política. Mas força sem voz institucional é apenas potencial desperdiçado.
Talvez esteja na hora de a sociedade conquistense fazer uma pergunta simples — e necessária — aos seus representantes:
Quem está realmente lutando pela nossa malha aérea, pelo Aeroporto Glauber Rocha e pelo futuro do desenvolvimento regional do sudoeste da Bahia?
Porque quando os políticos dormem, quem paga a conta é sempre a população.
E a conta, nesse caso, está cada vez mais alta.
Acorda, Conquista.




