Política e Resenha

O Voo do Retrocesso: Quando a Política de Grupos Atropela o Destino de uma Região

 

 

Por Padre Carlos

 

O fato de a prefeita Sheila buscar socorro em deputados de outras bases para denunciar problemas locais revela uma carência de pontes institucionais eficazes. Quando a política de Estado é substituída pela política de grupos, quem perde é a cidade. Vitória da Conquista, com seu crescimento de 25%, clama por uma infraestrutura que esteja à altura de sua pujança. O grito no plenário não é apenas sobre aviões; é sobre o direito de uma região progredir sem ser freada pela inércia administrativa. Se a “gênese do poder é a verdade”, a verdade nua e crua é que Conquista cresce apesar dos obstáculos, mas poderia voar muito mais alto com o suporte que merece. O progresso não aceita assentos limitados. É hora de decidir se a Bahia quer continuar operando na escala de nove passageiros ou se terá a coragem de decolar com a força de toda a sua gente.

Este cenário de isolamento institucional foi traduzido em voz alta pelo Deputado Robinho, ao levar à Assembleia Legislativa um “transtorno” que ele classifica como fruto do retrocesso. Segundo o parlamentar, a prefeita Sheila Lemos relatou que voos constantes e normais em Vitória da Conquista, operados por aeronaves ATR-600 com capacidade para 72 pessoas, estão sendo substituídos por aviões Caravan, que comportam apenas nove passageiros.

A disparidade técnica entre as aeronaves é o símbolo visual dessa involução. Enquanto o ATR-600 é o padrão para a aviação regional robusta, o Cessna Grand Caravan, apesar de sua versatilidade, é um avião de pequeno porte que reduz a oferta de assentos em quase 90%.

  • Impacto no Desenvolvimento: Vitória da Conquista é a segunda maior cidade do interior da Bahia e apresenta uma evolução de desenvolvimento de 25%.
  • Contradição Econômica: Não é razoável que uma cidade em plena expansão econômica receba uma logística de transporte que encolhe.

Como o próprio deputado pontuou, os problemas de infraestrutura precisam estar na pauta de quem almeja governar o estado. O episódio de Conquista é um sintoma de que a Bahia precisa urgentemente pensar em prosperidade e crescimento real, e não apenas em números de palanque.

Quando uma região do calibre do Sudoeste baiano é forçada a “operar na escala de nove passageiros”, o governo não está apenas reduzindo voos; está podando as asas de uma economia que já provou sua força. A solução para o impasse logístico de Conquista, Porto Seguro e Teixeira de Freitas passa pelo reconhecimento de que o desenvolvimento regional deve ser uma política de Estado, imune às barreiras da política de grupos que, no final das contas, só serve para amordaçar o crescimento do interior.