(Padre Carlos)
O Brasil acordou nesta sexta-feira, 12 de dezembro de 2025, com mais uma operação da Polícia Federal sacudindo o noticiário político — um ritual tão previsível quanto a inflação subindo ou um novo escândalo de corrupção pipocando em Brasília. Desta vez, o espetáculo atende pelo nome de “Operação Transparência”. Uma ironia tão brilhante quanto a eficiência das nossas instituições, sempre empenhadas em combater o crime… depois que ele aparece na capa dos jornais.
O alvo do dia? Mariângela Fialek, carinhosamente chamada de Tuca, ex-assessora de Arthur Lira — aquele mesmo que domina Brasília com a habilidade de um maestro que rege uma orquestra onde cada instrumento custa algumas dezenas de milhões em emendas parlamentares. Tuca agora é investigada por supostos desvios de verbas públicas. Nada novo no horizonte; apenas mais um capítulo do eterno seriado “Brasil, o País do Futuro… e da Polícia Federal”.
As emendas parlamentares, criadas para promover desenvolvimento e justiça social, viraram a moeda oficial da barganha política, uma espécie de “Pix do poder”. Tuca ocupava uma posição-chave, coordenando e distribuindo emendas como quem administra um buffet de luxo: cada prato destinado a um aliado, cada fatia servida conforme a fome política do momento.
A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, impôs a Tuca a proibição de movimentar emendas — como se fosse possível impedir um pássaro que já aprendeu a voar. Enquanto isso, Arthur Lira assiste de camarote, como aquele espectador que finge surpresa diante de um filme cujo roteiro conhece de cor.
E o que dizer do nome da operação? Transparência. Ah, Brasil… No país onde documentos somem, investigações emperram e assessores viram donos de cofres, transparência é quase um conceito filosófico. A PF investiga peculato, corrupção, falsidade ideológica, uso de documentos falsos — o combo completo da política nacional.
O problema é que o escândalo já não escandaliza. O cidadão se acostumou a ver Brasília como um grande laboratório de experimentos ilegais. A indignação se desfaz no ar, e o absurdo se torna rotina. É exatamente aqui que mora o perigo: quando o crime vira ruído de fundo, quando o sistema se normaliza na lama.
A Operação Transparência funciona como um espelho: reflete o Brasil que somos e, principalmente, o Brasil que fingimos não ver. Um país dividido entre a promessa de democracia e a prática cotidiana da corrupção. Que ao menos este episódio sirva para reacender o debate público sobre ética, controle de emendas, responsabilidade política e fiscalização.
O nome da operação pede transparência. A pergunta é: estamos prontos para enxergar?





