Política e Resenha

Otto Alencar recebe Leo Prates para tratar da proposta que prevê o fim da escala 6×1

 
Fim da escala 6×1 avança no Senado: “Isso é mais importante que a Copa do Mundo”

Por Padre Carlos

A discussão sobre o fim da escala 6×1 entrou em uma nova etapa decisiva no Congresso Nacional. O deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), relator da proposta na Câmara dos Deputados, reuniu-se nesta segunda-feira (24), em Salvador, com o senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, para tratar dos próximos passos da Proposta de Emenda à Constituição que prevê a redução da jornada de trabalho e a substituição da escala 6×1 pelo modelo 5×2.

O encontro tem importância política porque a proposta chega ao Senado depois de ter avançado na Câmara e agora precisa enfrentar uma nova etapa de análise. Segundo Otto Alencar, a reunião serviu para alinhar os próximos passos da tramitação e discutir os detalhes do texto aprovado pelos deputados. O senador também confirmou que Omar Aziz (PSD-AM) será o relator da matéria na CCJ.

Leo Prates deverá se reunir nesta quarta-feira (26) com Omar Aziz, em Brasília. A intenção é apresentar ao relator no Senado os principais pontos do texto e compartilhar a experiência acumulada durante a tramitação da proposta na Câmara. Prates também deverá acompanhar a sessão da CCJ.

Otto Alencar fez questão de reconhecer publicamente o trabalho realizado por Leo Prates. Segundo o senador baiano, o deputado teve papel importante na condução da matéria na Câmara e conseguiu reunir o apoio da maioria dos parlamentares. A declaração revela que a proposta chega ao Senado com um capital político construído na primeira etapa de sua tramitação.

E aqui está o ponto que talvez precise ser dito com toda clareza: a discussão sobre o fim da escala 6×1 não deveria ser tratada como mais um assunto secundário da política brasileira.

Estamos falando da vida de milhões de trabalhadores.

A escala 6×1 significa, para muita gente, trabalhar seis dias e ter apenas um dia de descanso. Não estamos discutindo apenas uma tabela de horários. Estamos discutindo tempo de vida, convivência familiar, saúde, descanso, lazer, dignidade e qualidade de vida.

Por isso, quando alguém diz que o fim da escala 6×1 é mais importante do que a Copa do Mundo, do que o entretenimento barato ou do que tantas distrações que dominam o debate público, há uma provocação que merece ser levada a sério.

Porque o trabalhador brasileiro não vive de entretenimento. Vive de salário, mas também precisa viver de tempo.

Tempo para acompanhar os filhos. Tempo para cuidar da casa. Tempo para estudar. Tempo para descansar. Tempo para visitar os pais. Tempo para viver.

A discussão ganhou força justamente porque toca em uma questão que ultrapassa partidos políticos. Na Câmara, o parecer de Leo Prates recebeu expressiva aprovação na comissão especial, com 34 votos favoráveis e quatro contrários.

Isso demonstra que a pauta conseguiu atravessar diferentes campos políticos.

E talvez essa seja uma das características mais importantes do debate: o trabalhador que defende o fim da escala 6×1 não precisa ser de esquerda, de direita ou de centro.

Ele é, antes de tudo, trabalhador.

A proposta agora chega ao Senado, onde será analisada pela CCJ sob a relatoria de Omar Aziz. Depois dessa etapa, o texto ainda precisará cumprir o restante do processo legislativo antes de eventualmente se transformar em norma constitucional. Portanto, é importante não criar uma expectativa de que a mudança acontecerá imediatamente. A tramitação ainda precisa avançar dentro das regras do Senado.

Também existe um obstáculo político que não pode ser ignorado: o calendário eleitoral. Há avaliações de que a análise da PEC poderá sofrer impacto das eleições de outubro, o que torna a articulação política em torno da matéria ainda mais relevante.

É justamente nesse cenário que a movimentação de Otto Alencar, Leo Prates e Omar Aziz ganha importância.

O Senado terá diante de si uma escolha que não pode ser reduzida a uma simples disputa entre governo e oposição. Será preciso discutir os efeitos econômicos, as condições das empresas, a produtividade, a geração de empregos e, principalmente, os direitos e a qualidade de vida dos trabalhadores.

Mas uma coisa precisa ficar clara: o trabalhador não pode ser sempre a última variável dessa equação.

Durante décadas, o Brasil se acostumou a considerar normal que uma pessoa passe praticamente a semana inteira trabalhando e tenha apenas um dia para tentar recuperar as energias. O mundo do trabalho mudou. A tecnologia mudou. A produtividade mudou. A própria sociedade mudou.

Chegou a hora de discutir se a forma como trabalhamos também precisa mudar.

A PEC do fim da escala 6×1 não é apenas uma matéria parlamentar. É uma discussão sobre que tipo de sociedade queremos construir.

Queremos uma sociedade na qual o cidadão tenha apenas tempo para trabalhar?

Ou queremos uma sociedade na qual o trabalho seja uma parte importante da vida, mas não consuma a própria vida?

É por isso que a movimentação no Senado merece atenção.

Fim da escala 6×1 já.

Não porque o trabalho não seja importante.

Mas justamente porque a vida também é.