Política e Resenha

Papagaio come milho, periquito leva a fama: a verdade sobre as obras do Jatobá

 

 

No velho ditado popular, “papagaio come milho e periquito leva a fama”, a injustiça se resume numa frase. E é exatamente isso que está acontecendo com as obras de pavimentação no bairro Jatobá, em Vitória da Conquista. Um projeto desenvolvido com recursos federais e executado por uma autarquia do próprio governo federal — a Codevasf — foi paralisado, trazendo transtornos diários para a população. Mas, ao invés de apontar o dedo para quem realmente é responsável, preferem transformar a dor da comunidade em palanque político.

É preciso clareza: a responsabilidade por retomar as obras é do governo federal, que, por meio de emenda parlamentar e repasse de verbas, iniciou o projeto. Não se trata aqui de defender ou atacar a prefeita Sheila Lemos, mas de colocar cada ator no seu devido papel. Cobrar de quem não tem poder para liberar os recursos é, no mínimo, um desperdício de energia — e, no máximo, um jogo político que só piora o cenário.

A prefeitura, é verdade, tem o dever de acompanhar, fiscalizar e cobrar. E isso precisa ser feito com firmeza. Mas o gatilho para a retomada não está no gabinete municipal; está em Brasília. É lá que o destravamento do orçamento e a ordem de serviço devem ser resolvidos.

Transformar o desespero de quem mora no Jatobá em arma eleitoral é desrespeitoso. As ruas sem pavimento, o barro na chuva e a poeira na seca não são cenário para disputa de narrativa, mas para ação coordenada. Moradores, prefeitura e lideranças locais precisam se unir para exigir do governo federal o cumprimento do compromisso assumido.

Enquanto ficamos jogando a culpa no periquito, o papagaio continua livre, sem prestar contas. A população não quer saber de metáforas: quer as máquinas de volta ao trabalho. E isso, gostemos ou não, só vai acontecer se a pressão for feita no endereço certo.