Política e Resenha

PREFEITURA REGULAMENTA COBRANÇA DA ZONA AZUL: EFICIÊNCIA PRA QUEM?

 

 

 

 

 

Há algo profundamente desalentador quando aquilo que deveria simplificar nossa vida cotidiana se transforma em mais um obstáculo no caminho de quem já carrega tantos fardos. A proibição do pagamento antecipado do estacionamento rotativo não é apenas uma medida administrativa – é uma porta que se fecha para a praticidade, um muro que se ergue entre o cidadão e sua legítima busca por agilidade.

O pré-pago representava mais que uma simples modalidade de pagamento. Era um respiro, uma possibilidade de planejamento, uma pequena certeza em meio às incertezas do dia a dia. Era poder organizar-se com antecedência, evitar a ansiedade do relógio que não perdoa, da correria que nos consome. Mas essa ponte foi interrompida.

E o que encontramos no lugar? Uma armadilha cruel: três reais que, se não pagos no instante exato, se multiplicam em sessenta. Uma penalidade que pesa desproporcionalmente sobre aqueles que mais precisam de compreensão – os trabalhadores que correm entre compromissos, os pais que malabarizam responsabilidades, os cidadãos comuns que tentam, simplesmente, viver com dignidade.

Como autor da Lei 2.602, que instituiu o Estatuto da Desburocratização em nosso município, sinto na pele a distância entre o ideal que buscamos construir e a realidade que nos é imposta. Sonhamos com um serviço público que acolha, que facilite, que reconheça no cidadão não um número, mas um ser humano merecedor de respeito e consideração. Não é isto que testemunhamos hoje.

As pessoas não pedem privilégios – anseiam apenas por um serviço que não as faça sentir-se perdidas em labirintos burocráticos, que não transforme o simples ato de estacionar em fonte de preocupação e potencial prejuízo. Querem ser tratadas com a humanidade que merecem.

Diante deste cenário que fere os princípios da justiça e da razoabilidade, lanço um apelo: que a prefeitura reveja este decreto que pesa sobre os ombros já cansados de nossa gente. Que escolha o caminho da empatia, não da imposição. Que enxergue nos cidadãos não contribuintes a serem penalizados, mas pessoas a serem servidas.

Caso este chamado não encontre eco, a Câmara de Vereadores não permanecerá indiferente. Tomaremos as providências necessárias, pois nossa missão é defender aqueles que representamos – e defendê-los significa, acima de tudo, lutar para que sejam tratados com a dignidade que toda pessoa merece.

IVAN CORDEIRO
Presidente da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista