
A prisão de um piloto de avião dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, trouxe à tona uma investigação conduzida pela Polícia Civil que apura suspeitas de abuso e exploração sexual infantil. O caso, que corre sob responsabilidade da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), envolve ao menos seis vítimas já identificadas, todas menores de idade.
Sérgio Antônio Lopes foi detido na última segunda-feira (9), momentos antes de decolar para o Rio de Janeiro. A Justiça manteve sua prisão temporária por 30 dias durante audiência de custódia realizada na terça-feira (10). Ele permanece em cela isolada no 26º Distrito Policial, no Sacomã.
Segundo policiais ouvidos pela imprensa, o investigado admitiu informalmente conhecer as meninas citadas no inquérito, mas não confessou os crimes. A conversa foi gravada. Até o momento, ele não foi interrogado formalmente nem indiciado. A defesa do piloto ainda não foi localizada.
O celular do suspeito foi apreendido e passará por perícia técnica. De acordo com investigadores, foram encontrados indícios de material relacionado a abuso sexual infantil no aparelho. As apurações incluem suspeitas de estupro de vulnerável, estupro, produção, compartilhamento e armazenamento de pornografia infantil.
A investigação teve início há cerca de quatro meses, após a mãe de uma menina de 11 anos procurar a polícia para registrar denúncia. A partir desse relato, a Delegacia especializada passou a aprofundar diligências que levaram à identificação de outras cinco vítimas. A Polícia Civil trabalha agora para verificar se há mais crianças envolvidas e se outras pessoas participaram do esquema.
Conforme informações preliminares da investigação, o piloto utilizava estratégias para se aproximar das vítimas, iniciando contato com familiares, especialmente mães. Duas mulheres também foram presas no contexto do inquérito.
A avó de duas das vítimas foi detida e está no 6º Distrito Policial, no Cambuci. Ela não foi interrogada nem indiciada até o momento, não constituiu advogado e teve o celular apreendido. Sua prisão temporária também foi mantida pela Justiça.
Já a mãe de uma das meninas foi presa em flagrante após a polícia encontrar material de abuso sexual infantil em seu telefone celular. A prisão foi convertida em preventiva, e ela foi encaminhada a um Centro de Detenção Provisória (CDP) na capital. Assim como os demais investigados, ainda não prestou depoimento formal.
Não há, até o momento, data definida para os interrogatórios oficiais dos três presos. A Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer a extensão do caso, identificar possíveis novas vítimas e apurar eventuais responsabilidades adicionais.
O episódio reacende o debate público sobre crimes de exploração sexual infantil, a atuação das delegacias especializadas e os mecanismos de proteção à infância. As autoridades reforçam que denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio dos canais oficiais.
(maria clara)




