Política e Resenha

Quando o Pôr do Sol Vira Política Pública: O Cristo, a Serra do Periperi e o Orgulho de Vitória da Conquista

Há momentos em que a política acerta não por grandes discursos ou obras monumentais, mas por algo aparentemente simples: reconhecer a beleza que já existe. Foi assim quando a prefeita Sheila Lemos, tomada por genuína comoção, confidenciou a uma amiga aquilo que muitos conquistenses já sentem no íntimo: o pôr do sol mais bonito da Bahia está aqui, no Alto da Serra do Periperi, no Mirante do Cristo de Vitória da Conquista, onde se ergue o maior Cristo Crucificado do mundo.

Não se trata de frase de efeito nem de marketing vazio. Quem já esteve ali no fim da tarde sabe: o céu se abre em camadas de luz, o sol se despede lentamente, a cidade silencia por alguns instantes e o olhar encontra repouso. É um espetáculo natural que mistura espiritualidade, identidade urbana, turismo e pertencimento. Um daqueles raros momentos em que natureza e cidade parecem finalmente em harmonia.

Os registros do fotógrafo Hugo Nunes, no projeto PM no Pôr do Sol, apenas confirmam o que os olhos atentos já sabiam. As imagens capturam mais do que paisagem; revelam sentimento. Revelam uma Vitória da Conquista que se reconhece bonita, acolhedora, elevada — geográfica e simbolicamente. Em tempos de tantas notícias duras, ver a Polícia Militar associada a cultura, lazer e contemplação é também um gesto de humanização do espaço público.

A decisão da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista de disponibilizar uma linha especial de ônibus, saindo da Estação Herzem Gusmão em direção ao Cristo, é outro detalhe que merece aplauso. Democratizar o acesso ao mirante é garantir que o pôr do sol não seja privilégio de poucos, mas direito de todos. Mobilidade urbana, turismo local, lazer gratuito e valorização dos cartões-postais caminham juntos quando há sensibilidade administrativa.

O Cristo da Serra do Periperi não é apenas um monumento religioso ou turístico. É um símbolo potente, capaz de projetar Vitória da Conquista para além de seus limites geográficos. O maior Cristo Crucificado do mundo, aliado a um dos mais belos pores do sol da Bahia, forma uma combinação rara, com enorme potencial para fortalecer o turismo, aquecer a economia criativa e reposicionar a cidade no mapa cultural do estado.

Quando uma prefeita se permite emocionar e transformar essa emoção em política pública, algo importante acontece. A cidade deixa de ser apenas espaço de gestão e passa a ser espaço de cuidado. E talvez seja isso que o pôr do sol no Cristo nos ensine todos os domingos: governar também é saber parar, olhar e valorizar o que nos torna únicos.

Vitória da Conquista tem muitos desafios, é verdade. Mas também tem beleza, identidade, fé, natureza e horizonte. E, às vezes, tudo isso se encontra no mesmo lugar, exatamente quando o sol se põe.

(Padre Carlos)