Política e Resenha

Quando uma Palavra se Transforma em Compromisso

Gratidão que Eleva

Padre Carlos

Algumas palavras chegam aos nossos ouvidos. Outras chegam ao coração. As palavras do professor Durval Lemos de Menezes chegaram ao meu.

Vivemos tempos em que as pessoas têm pressa para julgar, criticar e condenar, mas parecem ter cada vez menos tempo para reconhecer. Por isso, quando alguém para, olha para nossa caminhada e nos oferece uma palavra sincera de gratidão, precisamos saber recebê-la.

Foi o que aconteceu comigo.

O Peso de uma Palavra Sincera

Durval falou de suas referências ao longo da vida. Lembrou do avô Abdias Meneses, do Padre Palmeira, de Newton Gonçalves, Orlando Leite, Dr. Bira Jara Pereira de Brito e de tantos outros que ajudaram a construir sua formação. E, já na terceira idade, mencionou o professor Ezequias Araújo e a mim como referências de seu presente.

Confesso que isso me emocionou.

Porque ninguém chega sozinho a lugar algum.

Por trás de cada pessoa existe uma multidão de outras pessoas: professores que ensinaram, amigos que aconselharam, familiares que sustentaram, livros que despertaram ideias e encontros que mudaram destinos.

Somos, em grande parte, aquilo que aprendemos com aqueles que passaram por nossa vida.

Durval também fez uma observação que guardei com carinho. Disse ter “absoluta certeza” de que minha infância foi muito mais feliz do que a de Bill Gates.

Não vejo isso como uma comparação entre duas vidas. Vejo como uma defesa de algo que o dinheiro não compra: raízes, pertencimento, convivência, cultura e memória.

Riquezas que o Dinheiro Não Compra

Há riquezas que não cabem em uma conta bancária.

Uma infância feliz. Uma boa conversa. O conselho de um professor. A lembrança de um avô. As ruas da nossa cidade. As pessoas que fizeram parte da nossa história.

Tudo isso também constrói uma vida.

Por isso, receber de Durval o reconhecimento pela forma como escrevo e pela informação que procuro oferecer a Vitória da Conquista e região não me faz sentir maior. Faz-me sentir mais responsável.

Quem escreve para outras pessoas precisa compreender que a palavra é uma espécie de compromisso.

Podemos usar a palavra para ferir ou para construir. Para espalhar desinformação ou para esclarecer. Para alimentar o ódio ou para estimular o diálogo.

O Compromisso da Palavra Honesta

Eu escolho continuar acreditando na força da palavra honesta.

Não tenho a pretensão de ser dono da verdade. Tenho, porém, o compromisso de procurá-la.

E talvez seja justamente isso que mais me tocou nas palavras de Durval: ele não estava apenas elogiando um articulista. Estava reconhecendo uma tentativa diária de fazer do jornalismo, da opinião e da escrita instrumentos de reflexão.

A sua gratidão, portanto, transforma-se para mim em responsabilidade.

Obrigado, professor Durval.

Obrigado por suas palavras, pela generosidade e, sobretudo, por me lembrar que uma das maiores riquezas da vida é poder ser referência para alguém.

Mas há algo ainda maior: é saber reconhecer as referências que nos trouxeram até aqui.

No fim da caminhada, talvez seja isso que realmente permaneça.

Não os títulos.
Não o dinheiro.
Não o poder.

Mas as marcas que deixamos na vida das pessoas.
E as pessoas que deixaram suas marcas em nós.

Com profunda gratidão,

Padre Carlos

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Padre Carlos — Teólogo, filósofo e colunista político — Política e Resenha