Política e Resenha

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Quase três décadas na Câmara: o legado de Álvaro Pithon em Vitória da Conquista

Homenagem • Vitória da Conquista

Álvaro Pithon: uma vida dedicada a Vitória da Conquista

Por Padre Carlos

Há homens cuja história se confunde com a própria história de uma cidade. Homens que, ao longo de décadas, fizeram da política não apenas uma disputa por votos ou uma ocupação de cargos públicos, mas um instrumento de aproximação com as pessoas, de escuta das comunidades e de reivindicação por melhorias na vida cotidiana. Álvaro Pithon Brito é um desses personagens da vida pública de Vitória da Conquista.

Neste aniversário, quero deixar meu abraço, meus parabéns e, sobretudo, meu agradecimento por tudo o que Álvaro Pithon realizou em favor de nossa cidade. Celebrar sua vida é também reconhecer uma trajetória que atravessou gerações, acompanhou as transformações de Vitória da Conquista e deixou marcas na história do Legislativo municipal.

Das raízes em Poções ao Alto Maron

Nascido em Poções, em 10 de outubro de 1939, Álvaro Pithon construiu sua história política em Vitória da Conquista, cidade com a qual estabeleceu vínculos profundos. Sua caminhada pública encontrou no Alto Maron uma de suas principais referências, mas suas reivindicações alcançaram também outros bairros, como Petrópolis, Pedrinhas, Alto da Conquista, Nova Cidade e Veloso. Era a política feita a partir do contato com as pessoas, da conversa nas ruas, do conhecimento dos problemas e da disposição de levar as demandas populares à tribuna da Câmara Municipal.

Em síntese

Nascimento: Poções, 10 de outubro de 1939.

Início no Legislativo conquistense: 1993, com quase três décadas de atuação parlamentar.

Bairros de referência: Alto Maron, Petrópolis, Pedrinhas, Alto da Conquista, Nova Cidade e Veloso.

A política onde a vida acontece

Álvaro compreendeu, muito antes de tantas discussões contemporâneas sobre participação popular, que a política municipal começa onde a vida acontece: na rua sem pavimentação, na falta de água, na ausência de saneamento, na dificuldade de acesso aos serviços de saúde e na necessidade de espaços públicos que ofereçam dignidade às comunidades. É nesse terreno concreto que se constrói a relação entre um representante e aqueles que lhe confiam o voto.

Sua trajetória no Legislativo conquistense começou em 1993. Vieram novas eleições, outros mandatos, mudanças partidárias e diferentes conjunturas políticas. Ao longo de quase três décadas de atuação parlamentar, Álvaro Pithon conheceu os caminhos e descaminhos da política, os momentos de reconhecimento, as dificuldades das disputas eleitorais e as mudanças de humor do eleitorado. Poucos percursos ensinam tanto sobre a vida pública quanto uma caminhada prolongada, marcada por vitórias, desafios e pela necessidade permanente de dialogar com a sociedade.

A política, afinal, não é feita apenas de grandes discursos. Ela também se revela na insistência de quem cobra uma obra, na voz que denuncia a falta de médicos em uma unidade de saúde, na reivindicação de pavimentação para facilitar a vida dos moradores e na defesa de equipamentos públicos que atendam às necessidades de uma população. Em 2016, por exemplo, Álvaro cobrou melhorias nas ruas do bairro Guanabara, nas proximidades da Casa do Amor, instituição que acolhe pessoas com câncer, e chamou a atenção para a necessidade de melhores condições de acesso para pacientes e profissionais de saúde.

Naquele mesmo período, denunciou problemas relacionados à falta de médicos em postos de saúde e cobrou providências do Executivo municipal. Independentemente das posições políticas que tenha assumido ao longo da carreira, esses registros mostram uma dimensão importante do mandato parlamentar: a obrigação de levar ao poder público as necessidades da população e exigir respostas.

Também merece lembrança sua iniciativa de propor a disponibilização de exemplares da Constituição Federal em braile nas bibliotecas de Vitória da Conquista. A proposta expressava uma preocupação com a acessibilidade e com o direito das pessoas com deficiência visual ao conhecimento de seus direitos e deveres. Em outra iniciativa, participou da proposição que resultou na mudança do nome de um centro municipal de educação infantil para homenagear a professora Heleusa Figueira Câmara. São exemplos de uma atuação que também alcançou a cidadania, a educação e a preservação da memória local.

Entre ciclos e memória

Sua relação com o esporte amador e com instituições comunitárias reforça essa identidade de homem ligado às raízes da cidade. A política de Álvaro Pithon não nasceu nos gabinetes distantes dos problemas cotidianos. Sua história foi construída no contato com os bairros, nas relações comunitárias e na convivência com pessoas que encontravam no vereador um interlocutor para apresentar suas reivindicações.

Isso não significa idealizar uma trajetória política ou imaginar que um homem público esteja acima das críticas. A democracia exige justamente o contrário: reconhecer realizações, compreender escolhas e avaliar os limites de cada atuação. Álvaro Pithon também viveu as mudanças de partidos, as alianças e as disputas que caracterizam a política brasileira. Em 2020, voltou a disputar uma cadeira na Câmara, mas não conseguiu renovar o mandato. A vida pública, como a própria vida, é feita de ciclos que começam, amadurecem e chegam ao fim.

Uma eleição não apaga uma história. A derrota nas urnas não transforma em inexistentes os anos de trabalho, as reivindicações apresentadas e os vínculos construídos com as comunidades.

O julgamento eleitoral define quem ocupará determinado cargo em um período específico; a memória histórica, por sua vez, é construída a partir do conjunto de experiências, iniciativas e contribuições que permanecem na vida coletiva.

É por isso que considero importante registrar este reconhecimento. Vitória da Conquista não se fez apenas com os grandes nomes que ocuparam os cargos mais elevados da administração pública. A cidade também foi construída por vereadores, lideranças comunitárias, professores, trabalhadores, profissionais de saúde e tantas pessoas que, cada uma à sua maneira, ajudaram a transformar reivindicações em conquistas e problemas em pautas de interesse público.

Álvaro Pithon pertence a essa história da política municipal. Sua longa presença na Câmara é parte de uma época e de um modo de fazer política em que a relação direta com os bairros ocupava lugar central. Seu percurso nos lembra que a representação política não se resume às estatísticas eleitorais: ela também se expressa na capacidade de ouvir, encaminhar demandas e manter vínculos com a comunidade.

Uma palavra de gratidão

Hoje, quando celebramos seu aniversário, minha palavra é de gratidão. Gratidão pelo tempo dedicado à vida pública, pelas reivindicações que levou ao Legislativo, pelas iniciativas que apresentou e pela contribuição que ofereceu à história política de Vitória da Conquista.

Que este novo ciclo seja marcado por saúde, paz, serenidade e pelo carinho daqueles que caminharam ao seu lado. Que não lhe faltem o afeto da família, o respeito dos amigos e a alegria de olhar para trás e reconhecer que sua passagem pela vida pública faz parte da história de uma cidade que aprendeu a crescer também por meio das lutas de seus representantes.

Parabéns, Álvaro Pithon!

Em nome daqueles que acreditam que a política deve ser reconhecida para além das disputas partidárias, deixo meu abraço e meu agradecimento. A história de Vitória da Conquista é feita de muitas mãos, muitas vozes e muitas trajetórias. A sua é uma delas.

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Padre Carlos

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