Política e Resenha

Quinho e o desafio de transformar compromisso em asfalto em Vitória da Conquista

Por Padre Carlos

Na política, promessas são fáceis. Difícil é transformar palavras em obras, discursos em projetos e compromissos eleitorais em resultados concretos para a população. É justamente por isso que a fala de Quinho sobre a pavimentação asfáltica de Vitória da Conquista merece ser analisada com atenção.

Durante discurso no município, o candidato a deputado estadual assumiu uma promessa ambiciosa: trabalhar para que, nos próximos quatro anos, a cidade consiga zerar a falta de pavimentação asfáltica. Mais do que anunciar uma intenção, Quinho procurou apresentar uma maneira de fazer política baseada em planejamento, conhecimento do orçamento público e articulação institucional.

“Não sou político de terceirizar obrigação.”

A frase é forte porque toca em um dos grandes problemas da política brasileira: o jogo permanente de empurrar responsabilidades. Quando falta uma obra, o município culpa o Estado; o Estado aponta para a União; a União fala das limitações orçamentárias; e, no fim, quem continua esperando é o cidadão.

Quinho tenta se apresentar justamente no sentido contrário. Sua proposta é assumir responsabilidade política e buscar os caminhos necessários para fazer o investimento acontecer. Mas há algo ainda mais importante: existe uma experiência recente que ajuda a dar substância ao discurso.

Da zona rural ao asfalto anunciado

Em parceria com o mandato de sua esposa, a vereadora Léia de Quinho, ele tem apresentado a pavimentação rural como uma das áreas de sua atuação política. A autorização para licitação de mais de 13 quilômetros de pavimentação asfáltica em distritos e povoados da zona rural foi comemorada pela parlamentar como uma conquista histórica para diversas comunidades.

Localidades citadas: Batuque, São João da Vitória, Vereda do Progresso, Campo Formoso, Veredinha, Abelhas, Inhobim, Queimadas, Matinha, Corta-Lote, Poço Verde e Lagoa do Boi, na região do Iguá.

O aspecto politicamente relevante dessa iniciativa é a articulação apresentada por Léia: a participação de Quinho junto ao governador Jerônimo Rodrigues para viabilizar os investimentos.

O papel real de um deputado estadual

É aí que aparece uma questão fundamental para quem pretende ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia: um deputado estadual não governa Vitória da Conquista, mas pode ser decisivo na articulação de recursos, convênios, emendas e investimentos estaduais para o município.

Pode assumir o compromisso de trabalhar politicamente para que os recursos cheguem. Pode buscar o Governo do Estado. Pode dialogar com secretarias. Pode acompanhar projetos. Pode cobrar execução. Pode articular investimentos. Pode fiscalizar e defender Vitória da Conquista.

E é justamente nessa dimensão que sua promessa de pavimentação ganha relevância. A cidade cresceu, expandiu sua área urbana e possui bairros que ainda convivem com ruas sem pavimentação. Para quem mora nessas localidades, asfalto não é apenas uma obra de engenharia. É qualidade de vida.

Uma rua pavimentada significa menos poeira, menos lama, melhor circulação de veículos, valorização dos imóveis, mais segurança para pedestres e melhores condições para o transporte público. Também significa facilitar a chegada de ambulâncias, viaturas, serviços públicos e trabalhadores.

Quando a estrada decide o destino

Na zona rural, o problema pode ser ainda mais dramático. O relato de Léia sobre Farinha Molhada I chama atenção para uma realidade que não pode ser ignorada: quando uma estrada vicinal está em condições precárias, não é apenas o transporte que fica comprometido. Saúde, educação, produção agrícola e acesso a serviços básicos também são afetados.

Uma estrada ruim pode impedir um médico de chegar a uma comunidade. Pode dificultar o transporte de um estudante. Pode aumentar o custo de produção de um agricultor. Pode transformar uma simples viagem em uma aventura. Por isso, quando se fala em infraestrutura, não se deve pensar apenas em concreto e asfalto. Estamos falando de desenvolvimento econômico, mobilidade urbana, saúde pública, segurança, dignidade e inclusão social.

O verdadeiro teste político

É nesse ponto que a proposta de Quinho precisa ser cobrada e, ao mesmo tempo, analisada com seriedade. Zerar o déficit de pavimentação de Vitória da Conquista em quatro anos é uma meta gigantesca. E talvez seja exatamente aí que esteja o verdadeiro teste político de Quinho.

Sua afirmação de que conhece o funcionamento da administração pública e sabe trabalhar com orçamento precisa ser colocada à prova. Ao mesmo tempo, seria injusto ignorar aquilo que já foi anunciado na zona rural.

A articulação para levar mais de 13 quilômetros de pavimentação asfáltica a comunidades rurais mostra que a política de infraestrutura pode começar por iniciativas concretas. Se essa experiência for ampliada e transformada em um programa mais abrangente, Quinho poderá construir uma identidade política associada à busca de investimentos para Vitória da Conquista.

Não interessa ao cidadão apenas quem tem acesso ao governador. Interessa saber o que esse acesso produz na vida real. Se resultar em asfalto, estradas recuperadas, escolas, unidades de saúde, obras de infraestrutura e investimentos, a articulação terá sentido.

Uma palavra que precisa sobreviver à eleição

“Não tem curva.”

A frase de Quinho de que sua palavra “não tem curva” também cria uma responsabilidade adicional. Uma palavra firme precisa sobreviver ao período eleitoral. Precisa continuar valendo depois da eleição. É fácil prometer quando se busca o voto. O verdadeiro compromisso começa depois que as urnas fecham.

Vitória da Conquista precisa de políticos que compreendam que infraestrutura não pode ser tratada como favor. Pavimentar uma rua não é presente de político. É investimento público. Recuperar uma estrada rural não é gentileza. É obrigação do poder público.

Mas para que essas obrigações sejam cumpridas, é necessário ter quem lute pelos recursos, construa pontes institucionais e acompanhe a execução. Nesse sentido, a proposta de Quinho coloca sobre a mesa um debate importante: qual deve ser o papel de um deputado estadual no desenvolvimento de Vitória da Conquista?

A resposta passa pela representação política, mas também pela capacidade de articulação. Se eleito, Quinho terá quatro anos para provar que sua promessa de zerar a falta de pavimentação pode sair do discurso e entrar no mapa das obras realizadas. Terá também a oportunidade de demonstrar que planejamento, conhecimento do orçamento e articulação política podem produzir resultados.

O eleitor conquistense, por sua vez, deve fazer aquilo que lhe cabe em uma democracia madura: ouvir as promessas, analisar os antecedentes, acompanhar os projetos e, principalmente, cobrar depois.

Porque asfalto não se coloca com discurso.

Asfalto se coloca com projeto, orçamento, licitação, execução, fiscalização e vontade política.

E, no fim das contas, será pelo número de ruas pavimentadas — e não pelo número de promessas feitas — que a população poderá medir se a palavra de Quinho realmente tinha, como ele próprio afirma, “não tem curva”.

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Padre Carlos — Teólogo, filósofo e colunista político — Política e Resenha