
Padre Carlos
Tem uma máxima antiga na política baiana: quem manda no Sudoeste é quem sempre mandou. Os mesmos sobrenomes, os mesmos grupos, os mesmos “donos” de bases eleitoral que, há décadas, se revezam nas cadeiras de Salvador e Brasília como se a região fosse um feudo particular. Pois bem: essa história está prestes a ganhar um capítulo novo, e o nome do protagonista é José Henrique Silva, o Quinho de Belo Campo.
Enquanto os caciques tradicionais ainda brigam entre si e disputam protagonismo, Quinho já colocou R$ 10 milhões (sim, dez milhões) de emenda parlamentar para pavimentação asfáltica em dezenas de distritos e povoados de Vitória da Conquista e arredores. Não é promessa de palanque. É recurso já está articulado, em parceria com o Governo do Estado, e as máquinas vão começar a rodar antes mesmo do período eleitoral esquentar. Isso se chama jogar como gente grande.
O ex-presidente da UPB não chegou ontem. Foram oito anos como prefeito de Belo Campo com aprovação estratosférica, depois a presidência do Consórcio de Saúde da região numa época em que ninguém queria botar a mão na lama da pandemia. Sobrou gestão, sobrou liderança e, principalmente, sobrou gratidão nos municípios pequenos e médios que os velhos coronéis costumam tratar como mero “resto de voto”.
Agora Quinho quer uma cadeira na Assembleia Legislativa. E não é qualquer cadeira: ele quer ser o deputado mais votado do Sudoeste – ou, no mínimo, o único que vai fazer os caciques engolir seco na apuração.
Os números assustam quem conhece a região. Com o apoio quase unânime em Belo Campo, votação expressiva em Planalto, Tremedal, Cândido Sales e boa penetração em Conquista (onde a esposa, Léia de Quinho, vereadora mais votada da história da cidade), a projeção conservadora já passa fácil dos 75 mil votos. A projeção realista já bate nos 90 mil. E tem gente falando, em voz baixa, que pode chegar perto dos 100 mil se a campanha pegar fogo.
Isso não é delírio de assessor. É matemática cruel para quem achava que o Sudoeste continuaria sendo repartido entre três ou quatro famílias de sempre. Quinho não precisa pedir licença para entrar no território alheio: ele já está dentro, com obra na porta, asfalto na pista e discurso na ponta da língua.
Os velhos donos do poder ainda riem, dizem que “deputado estadual é coisa para quem já foi prefeito de Conquista ou tem sobrenome de peso. Esquecem que a política baiana já levou muita rasteira de gente que “não era da capital” e “não tinha tradição”. Quinho não tem sobrenome de oligarquia partidária, mas tem algo mais perigoso: tem obra entregue, tem base própria e tem tempo de televisão (porque a federação deve lhe garantir um tempinho razoável).
Em 2026, quando os votos do Sudoeste começarem a ser contados, é capaz de muita gente levar a mão à cabeça e perguntar: “De onde saiu esse cara?” A resposta será simples: saiu de Belo Campo, passou pela presidência da UPB, asfaltou o caminho com recurso na mão e jogou como gente grande o tempo todo.
Os caciques que se preparem. O menino que eles nunca levaram a sério está crescendo. E cresce com asfalto novo, gratidão antiga e uma votação que pode fazer tremer o tabuleiro que eles achavam que era só deles.
O Sudoeste baiano nunca precisou tanto de um susto como esse.




