Política e Resenha

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Quinho Tigre e a nova disputa pelo futuro político de Vitória da Conquista

Política e Resenha · Análise Política

A política de Vitória da Conquista começa a viver uma nova configuração. Depois de anos dividida entre grupos tradicionais, lideranças partidárias consolidadas e projetos eleitorais já conhecidos, a cidade passou a assistir à ascensão de um nome que veio de fora do seu centro político, mas que rapidamente construiu raízes: Quinho Tigre.

Ex-prefeito de Belo Campo por dois mandatos e ex-presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), José Henrique Silva Tigre transferiu seu domicílio eleitoral para Vitória da Conquista e passou a disputar espaço em uma das mais importantes arenas políticas do interior baiano. Não se trata apenas de uma mudança burocrática de endereço eleitoral. Trata-se de uma decisão estratégica, capaz de alterar o equilíbrio das forças políticas da cidade.

A base construída por Léia de Quinho

A primeira demonstração dessa força veio nas eleições municipais de 2024, quando sua esposa, Dirleia Santos Meira, conhecida como Léia de Quinho, foi eleita vereadora pelo PSD com 4.272 votos. Ela terminou como a segunda mulher mais votada para a Câmara Municipal, entre 359 candidatos, segundo dados eleitorais compilados a partir do TSE.

O resultado não pode ser tratado como um simples fenômeno familiar. A eleição de Léia mostrou que Quinho conseguiu construir uma base política própria em Vitória da Conquista, especialmente nas comunidades rurais e nos distritos. Sua votação esteve distribuída por 47 bairros e localidades, com presença expressiva em regiões como Bate-Pé, São João da Vitória, Inhobim e Iguá. A campanha também revelou uma identidade política associada à defesa do homem do campo, da agricultura e da infraestrutura rural.

Léia de Quinho assumiu, portanto, mais do que uma cadeira no Legislativo. Tornou-se a presença institucional de um novo grupo político na cidade. Como vice-presidente do PSD municipal, passou a ocupar uma posição relevante na estrutura partidária e a representar uma liderança que até pouco tempo atrás era identificada principalmente com Belo Campo.

Em números
A ascensão de Quinho Tigre em Vitória da Conquista
4.272
votos de Léia de Quinho em 2024
47
bairros e localidades com votos
17.791
votos de Quinho em Conquista em 2026
56.183
votos na Bahia — 1º suplente do PSD

A confirmação nas urnas em 2026

A confirmação definitiva dessa virada ocorreu nas eleições de 2026. Candidato a deputado estadual pelo PSD, Quinho obteve 56.183 votos em toda a Bahia e ficou na condição de primeiro suplente do partido para a Assembleia Legislativa. Em Vitória da Conquista, alcançou 17.791 votos, terminando entre os quatro candidatos mais votados para deputado estadual no município.

Esse desempenho tem um peso político especial. Quinho não foi eleito deputado, mas demonstrou ter capacidade de mobilizar milhares de eleitores em uma cidade com mais de 200 mil votantes. A votação conquistense não foi apenas expressiva em números. Ela representou a consolidação de uma base eleitoral que já havia começado a ser formada com a eleição de Léia.

O ponto central é que Quinho deixou de ser apenas o “ex-prefeito de Belo Campo”. Ele passou a ser reconhecido como uma liderança regional, com trânsito entre prefeitos, vereadores, deputados, empresários, setores produtivos e o governo estadual. Sua passagem pela presidência da UPB ampliou essa dimensão. À frente da entidade, participou de mobilizações em defesa dos municípios, articulou pautas relacionadas ao Fundo de Participação dos Municípios e à desoneração da folha previdenciária, além de promover parcerias institucionais e ações de capacitação para as administrações municipais.

Um nome para a sucessão municipal

Essa trajetória pode colocar Quinho no centro da discussão sobre a sucessão municipal de Vitória da Conquista. Ainda é cedo para afirmar que ele será candidato a prefeito, mas já não é possível ignorar seu nome. Ele reúne três elementos importantes para uma disputa majoritária: experiência administrativa, votação comprovada e capacidade de articulação política.

Além disso, sua atuação pública demonstra que possui uma agenda para a cidade. Em entrevistas, Quinho defendeu a discussão de uma rota alternativa à BR-116, a revitalização do Rio Verruga, intervenções na Reserva Florestal do Poço Escuro e soluções para os problemas de mobilidade urbana. Pode-se concordar ou discordar de suas propostas, mas o fato político é que ele já se apresenta como alguém disposto a discutir os grandes problemas de Vitória da Conquista.

Para o PSD, deixar Quinho sem espaço seria um desperdício político. Um partido que pretende ampliar sua presença na Bahia precisa valorizar lideranças capazes de dialogar com o interior e, ao mesmo tempo, conquistar votos em cidades estratégicas. Quinho provou que pode fazer essa ponte. Sua liderança nasceu em um município pequeno, alcançou a UPB e agora se projeta em Vitória da Conquista.

O mesmo raciocínio vale para o governo estadual. A eventual nomeação de Quinho para uma função estratégica na administração poderia representar mais do que uma acomodação política. Poderia dar a ele visibilidade, estrutura e condições para atuar em uma região onde o governo precisa ampliar sua presença. Outra possibilidade seria sua convocação para a Assembleia Legislativa, caso surja uma vaga entre os deputados eleitos. Como primeiro suplente do PSD, Quinho está politicamente próximo do mandato e não pode ser tratado como uma figura secundária.

Dar-lhe espaço, nesse caso, seria também reconhecer uma votação de mais de 56 mil eleitores. Um resultado dessa dimensão cria expectativa e produz capital político. Se o PSD e o governo estadual desejam fortalecer uma alternativa competitiva para Vitória da Conquista, a valorização de Quinho parece uma decisão lógica.

Mas a política não se faz apenas com certezas. Ela também se move por sinais.

Os desafios e os sinais

É claro que uma candidatura a prefeito dependerá de alianças, pesquisas, aprovação do governo, composição partidária e disposição dos grupos locais. Quinho ainda precisará provar que sua força eleitoral é sustentável e que consegue transformar sua rede de apoio em um projeto abrangente para toda a cidade, não apenas para os distritos ou para segmentos específicos.

Mas a política não se faz apenas com certezas. Ela também se move por sinais. E os sinais estão postos: a eleição expressiva de Léia, a transferência do domicílio eleitoral, a votação de Quinho em Conquista, sua projeção estadual e sua condição de primeiro suplente.

A grande pergunta já não é se Quinho Tigre tem espaço na política de Vitória da Conquista. Ele já conquistou esse espaço. A questão agora é saber se o PSD e o governo terão visão para compreender que, ao oferecer-lhe uma função no Executivo ou uma cadeira na Assembleia Legislativa, não estarão apenas acomodando um aliado. Estarão dando projeção a uma liderança que pode disputar o futuro político da terceira maior cidade da Bahia.

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Padre Carlos — colunista político — Política e Resenha