Política e Resenha

Regalias atrás das grades: o luxo indecente de Bolsonaro custeado pelo povo

 

 

 

Padre Carlos


No Brasil, ex-presidentes carregam consigo um pacote de privilégios pagos pelo contribuinte: carros oficiais, motoristas, seguranças e assessores. A justificativa é sempre a mesma — proteger a integridade de quem já ocupou o cargo mais alto da República. Mas quando o ex-presidente está preso, essa narrativa não passa de uma piada de mau gosto. Afinal, qual a lógica de bancar escolta e mordomias para alguém que não circula livremente, mas cumpre pena atrás das grades?


O caso de Jair Bolsonaro é a caricatura perfeita desse absurdo. A Justiça Federal de Minas Gerais determinou que a União suspenda, em até 48 horas, a disponibilização de servidores, carros oficiais e motoristas ao ex-presidente durante sua prisão. A decisão não é apenas correta: é óbvia. Como bem pontuou o juiz Pedro Pereira Pimenta, essa estrutura foi criada para quem está em liberdade, não para quem cumpre regime fechado. O sistema prisional já garante segurança — não há sentido em duplicar gastos.

E os números são escandalosos. Só no primeiro semestre de 2024, Bolsonaro custou mais de R$ 521 mil aos cofres públicos. Desde 2023, os dispêndios já ultrapassaram R$ 4 milhões. Entre janeiro e novembro de 2024, foram quase R$ 1 milhão em despesas, incluindo R$ 657 mil em gratificações a servidores e R$ 243 mil em passagens aéreas. Passagens aéreas para quem está preso? Eis a ironia: até encarcerado, Bolsonaro continua voando alto às custas da população.

O resultado é grotesco: mesmo atrás das grades, Bolsonaro segue dando prejuízo à Nação. Não apenas financeiro, mas simbólico. A imagem de um condenado a 27 anos de prisão ainda mobilizando recursos públicos reforça a ideia de que existe uma casta política blindada, intocável, que vive em um universo paralelo onde a lei não se aplica da mesma forma.


Retirar essas regalias não é perseguição, é racionalidade. É aplicar a lógica mais básica da administração pública: benefícios só existem quando cumprem sua finalidade. E, no caso de um ex-presidente preso, a finalidade inexiste. Persistir com tais privilégios seria premiar a incongruência e perpetuar um modelo de gastos que insulta o cidadão comum.

Em uma República séria, privilégios não sobrevivem à prisão. A decisão judicial, portanto, não apenas corta gastos indecentes — ela reafirma que ninguém, nem mesmo um ex-presidente, está acima da lei.