
Quando a Política se Faz com o Povo e para o Povo
(Padre Carlos)
“Deus dê tudo em dobro para vocês, o que vocês desejam para mim.” — assim começou o discurso do vereador Ricardo Gordo, em tom simples, popular, mas carregado de significado. Era mais que uma saudação; era uma profissão de fé na reciprocidade e no reconhecimento, algo raro na arena política.
Em tempos em que a palavra pública é tantas vezes instrumento de vaidade, o discurso proferido na Câmara Municipal de Vitória da Conquista ecoou como um retrato da política de chão, da política que ainda respira o barro das comunidades e o suor dos que acreditam que o mandato é uma extensão da vida do povo.
O vereador, ao relatar suas ações — das praças em bairros esquecidos às parcerias com o deputado Waldenor Pereira —, pareceu traçar um mapa afetivo da Zona Oeste de Conquista. Falou com a emoção de quem conhece as ruas e as pessoas pelo nome. E é nesse ponto que a política reencontra sua essência: não nos gabinetes refrigerados, mas nos bairros e distritos como a Patagônia, Parque Conveima, Jardim Valéria o Iguá, o Batuque e tantas outras localidades do nosso município — nomes que carregam histórias, carências e sonhos.
Há, entretanto, algo que merece destaque: a capacidade de reconhecer o trabalho do outro. Ao citar o ex-vereador Valdemir Dias e outros que o antecederam, Ricardo Gordo rompeu com uma tradição triste da política brasileira — a do esquecimento. Reconhecer o esforço alheio é um gesto de grandeza, e, no caso dele, foi também um gesto pedagógico: mostrou que o bem público não é propriedade de um mandato, mas herança de uma coletividade.
No discurso, pairava um sentimento de continuidade — de que as obras e os projetos sociais não pertencem a um nome, mas a uma cidade que quer seguir adiante. E quando se fala em parcerias, especialmente com o deputado Waldenor Pereira, a tônica é de resultados: recursos para a saúde, educação, infraestrutura e, sobretudo, para o social.
A entrega de um carro 0 km e kits industriais ao projeto Maria Nilza, por exemplo, é mais do que um ato administrativo — é um gesto de fortalecimento da economia solidária, um sinal de que ainda há espaço para políticas públicas voltadas à inclusão produtiva e ao empoderamento comunitário.
Mas o ponto mais simbólico talvez seja outro: a gratidão. Ricardo Gordo não se esqueceu de onde veio — um vendedor de siriguela, como ele mesmo disse, que hoje ocupa uma cadeira no Legislativo da terceira maior cidade da Bahia. Essa memória de origem é o que dá autenticidade à sua fala e cria uma ponte entre o representante e os representados.
A política precisa urgentemente reencontrar essa humanidade perdida. Em meio a números, disputas partidárias e estratégias eleitorais, o que realmente transforma é o gesto — o olhar voltado para quem mais precisa.
Vitória da Conquista, que celebra seus 185 anos, precisa de mais vozes como essa: simples, diretas, mas profundamente comprometidas com o bem comum. Porque política não é o jogo do poder, mas o exercício da empatia e da construção coletiva.
Que a frase inicial do vereador ecoe como um lembrete: “Deus dê tudo em dobro para vocês, o que vocês desejam para mim.”
Nessa reciprocidade entre fé e serviço, está o verdadeiro sentido de servir ao público.




