
Padre Carlos
Há momentos em que a boa política se revela não na imposição de uma regra, mas na coragem de ouvir o povo e consertar o que estava errado. É exatamente isso que a prefeita Sheila Lemos fez com o Decreto nº 24.021/2025, que reformula a implantação do novo sistema de Zona Azul em Vitória da Conquista. Depois de ouvir o clamor das ruas – motoristas indignados, comerciantes preocupados e cidadãos comuns que se sentiram injustiçados –, Sheila escolheu dialogar, reconhecer o excesso e corrigir o rumo. O resultado é um dos raros casos em que a reclamação popular não caiu no vazio, mas virou política pública melhor.
Vamos aos fatos, sem rodeios: o modelo inicial era pesado demais. Esquecer de ativar o aplicativo ou não ter crédito no momento significava multa grave imediata de R$ 195,00 e cinco pontos na CNH. A população reclamou com razão. E a prefeita, em vez de endurecer ou ignorar, sentou, ouviu e agiu.
O decreto traz três acertos que mostram que Sheila Lemos realmente escutou a população:
- A prorrogação do período de adaptação até 31 de dezembro – quase um mês inteiro de transição sem punição, dando tempo para todo mundo se acostumar com o novo sistema.
- A criação da Tarifa de Pós-Utilização (TPU) de R$ 60,00, que só é aplicada depois de um aviso e 20 minutos de prazo para regularizar. Só quem ignorar o aviso e depois a TPU leva a multa pesada. Ou seja: errou sem querer? Paga pouco e aprende. Teimou? Aí sim sente o peso da lei. É a diferença entre punir e educar – exatamente o que o povo pediu nas redes sociais e nas conversas de rua.
- A instalação obrigatória de pontos fixos de atendimento no centro da cidade, com funcionários para tirar dúvida, ensinar quem não domina o celular e explicar tudo na hora. Foi a população mais velha e menos digitalizada que mais reclamou da falta de atendimento humano. Sheila ouviu e mandou colocar gente de verdade na praça.
Some-se o ressarcimento de quem já havia pago TPU antes do decreto (em dinheiro ou crédito) e a manutenção do pré-pago – outra reivindicação antiga que foi atendida – e temos um pacote que equilibra organização do trânsito, necessidade da concessionária e, acima de tudo, respeito ao cidadão que paga imposto e vota.
A própria prefeita resumiu o espírito da mudança: “A Zona Azul não tem como objetivo penalizar a população”. Desta vez, a frase não ficou só no discurso. Sheila Lemos provou que ouviu de verdade quando transformou uma medida que estava gerando revolta em política pública aceita e até elogiada.
Num Brasil onde prefeitos costumam responder críticas com arrogância ou silêncio, Vitória da Conquista viveu o oposto: a população falou alto, a prefeita escutou com humildade e entregou a correção em tempo recorde. Quando uma gestora senta, ouve o povo e ajusta o que estava errado, ela não perde autoridade – ela ganha respeito.
Sheila Lemos acaba de mostrar que é possível modernizar a cidade sem tratar o cidadão como adversário. A população reclamou. A prefeita dialogou. E consertou. Às vezes, a melhor democracia é exatamente essa: barulho na rua que vira solução no gabinete. Em Vitória da Conquista, deu certo – porque, antes de tudo, alguém lá em cima resolveu ouvir.




