Política e Resenha

TRÂNSITO SEGURO NÃO É DESPESA, É INVESTIMENTO EM VIDAS

 

 

 

Por Padre Carlos

Vitória da Conquista cresceu. Cresceu em população, em número de veículos, em importância econômica e em relevância regional. O que antes era uma cidade de trânsito relativamente tranquilo transformou-se em um dos principais polos urbanos do interior nordestino. Entretanto, esse crescimento trouxe consigo desafios que já não podem mais ser ignorados.

Entre eles, talvez nenhum seja tão urgente quanto a segurança no trânsito.

Durante entrevista concedida à Band FM, o presidente da Câmara Municipal, Ivan Cordeiro, trouxe à discussão um tema que merece atenção da sociedade, dos gestores públicos e dos órgãos de fiscalização: a necessidade da ampliação do quadro de agentes de trânsito por meio da realização de concurso público.

A observação feita pelo vereador encontra respaldo na realidade observada diariamente por motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres. A cidade se expandiu, novos bairros surgiram, avenidas foram abertas e a frota de veículos aumentou significativamente. No entanto, a estrutura responsável pela fiscalização e organização do trânsito não acompanhou esse mesmo ritmo de crescimento.

O resultado é percebido nas ruas.

Acidentes frequentes, excesso de velocidade, desrespeito à sinalização, estacionamento irregular e dificuldades para garantir uma presença mais efetiva dos agentes em pontos estratégicos do município revelam uma demanda crescente por investimentos na área da mobilidade urbana.

Não se trata apenas de aumentar o número de servidores. Trata-se de compreender que o trânsito é uma questão de saúde pública.

Cada acidente evitado representa uma família preservada. Cada vida salva significa menos sofrimento, menos ocupação hospitalar e menos custos para o sistema público de saúde. A prevenção continua sendo a ferramenta mais eficiente quando o assunto é segurança viária.

Nesse contexto, a realização de concurso público para agentes de trânsito surge como uma medida necessária para fortalecer a capacidade operacional do município. A presença dos agentes não possui apenas caráter fiscalizador; ela exerce também importante função educativa e preventiva.

Mas a solução não pode se limitar ao aumento do efetivo.

É fundamental que o município avance em outras frentes igualmente importantes. A ampliação da sinalização horizontal e vertical, a instalação de novos redutores de velocidade em áreas críticas, a modernização da fiscalização eletrônica, a implantação de faixas de pedestres em locais estratégicos e o fortalecimento das campanhas de conscientização devem fazer parte de uma política permanente de segurança no trânsito.

Outro ponto levantado durante a entrevista merece reflexão. A população tem questionado a redução da presença de radares em algumas das principais avenidas da cidade. Independentemente das posições favoráveis ou contrárias à fiscalização eletrônica, os números demonstram que esses equipamentos possuem papel relevante na redução da velocidade média dos veículos e, consequentemente, na diminuição da gravidade dos acidentes.

A discussão, portanto, não deve ser ideológica nem emocional. Deve ser técnica.

O objetivo central não é arrecadar recursos nem aplicar multas. O objetivo é preservar vidas.

As cidades que alcançaram melhores índices de segurança viária investiram simultaneamente em engenharia de tráfego, fiscalização eficiente e educação para o trânsito. Nenhuma dessas medidas funciona isoladamente. Elas precisam atuar de forma integrada.

Vitória da Conquista possui capacidade técnica e institucional para avançar nessa direção. O que se exige agora é planejamento, compromisso e prioridade política.

Quando uma cidade investe em mobilidade urbana, ela investe na qualidade de vida de sua população. Quando fortalece a fiscalização, protege seus cidadãos. E quando transforma a segurança viária em política pública permanente, demonstra que compreende o valor mais importante de todos: a vida humana.

O trânsito não pode ser tratado apenas quando uma tragédia acontece. Ele precisa ser planejado todos os dias.

Porque ruas mais seguras não são um privilégio. São um direito da população.