Política e Resenha

Três Anos de Gratidão: Uma Jornada de Fé e Renascimento

 

13 de junho de 2025

Há datas que se gravam na alma com tinta indelével. Há momentos que dividem nossa existência em um “antes” e um “depois”, como marcos silenciosos que nos lembram da fragilidade e, ao mesmo tempo, da extraordinária força do espírito humano. Hoje, 13 de junho, marca exatamente três anos desde que atravessei as portas da Santa Clara, carregando no peito uma mistura de medo e esperança que apenas quem já enfrentou o desconhecido pode compreender.

Era 7 horas da manhã. O sol nascia tímido sobre a cidade, como se também soubesse da importância daquele momento. Minha esposa, minha companheira de todas as batalhas, segurava minha mão com a força de quem empresta coragem quando a nossa própria parece ter se esgotado. E lá estava Tiago, meu amigo fiel, já nos esperando – porque há pessoas que chegam antes mesmo de serem chamadas, que estendem a mão sem que precisemos pedir, que transformam a solidão em companhia apenas com sua presença.

Vivíamos dias difíceis. O câncer, essa palavra que ecoa como um trovão em nossas vidas, havia chegado sem avisar, sem pedir licença, instalando-se em meu corpo como um hóspede indesejado. Mas naquele momento, prestes a entrar na sala de cirurgia, eu não sabia ainda que estava prestes a testemunhar um milagre. Não sabia que Deus havia colocado em meu caminho um anjo disfarçado de médico.

Dr. Roberto Lara. Pronuncio este nome com a mesma reverência com que se pronuncia uma oração. Suas mãos, guiadas por conhecimento e compassão, tornaram-se instrumentos divinos naquele dia. A cirurgia foi um sucesso – palavras simples que carregam o peso de uma vida inteira. Quatro palavras que significaram a diferença entre desespero e esperança, entre o fim e um novo começo.

Mas a jornada estava apenas começando. Vieram então os exames, cada um deles como um veredicto silencioso. A investigação meticulosa percorria meu corpo como um detetive em busca de pistas, verificando cada canto, cada órgão, cada possibilidade de que a doença tivesse se espalhado. E a cada resultado negativo – negativo para o câncer, mas positivo para a vida – era como se eu ressuscitasse um pouco mais.

Cada exame limpo era uma pequena vitória, uma batalha ganha na guerra maior. Eu me lembro de cada telefonema do médico, de cada “está tudo bem”, de cada “não encontramos nada”. Eram momentos de pura alegria, de gratidão que transbordava pelos olhos, de uma felicidade que apenas quem já esteve na beira do abismo pode sentir ao se afastar dele.

Ressurreição. Essa palavra ecoa em minha mente sempre que penso naqueles dias. Porque foi exatamente isso que senti: o gosto doce da ressurreição. Não a ressurreição final, prometida pelas escrituras, mas aquela ressurreição cotidiana, terrena, que nos permite abraçar mais um dia, respirar mais um amanhecer, beijar mais uma vez quem amamos.

Três anos. Mil e noventa e cinco dias de segunda chance. Cada manhã que despertei foi um presente, cada pôr do sol que contemplei foi uma dádiva. Aprendi que a vida não é medida apenas em anos, mas em momentos de gratidão, em abraços mais apertados, em palavras mais sinceras, em lágrimas de alegria que rolam quando menos esperamos.

No mês que vem, voltarei para mais uma revisão. Meu coração já não bate com o mesmo desespero de antes. Há uma paz que só a experiência da sobrevivência pode trazer. Há uma fé amadurecida pelas provações, uma confiança que foi forjada no fogo da adversidade e emergiu mais forte, mais pura.

Porque hoje sei que não caminho sozinho. Sei que meus santos protetores continuam intercedendo ao Pai por mim. Sinto suas presenças como uma brisa suave nos momentos de ansiedade, como uma luz que me guia quando as dúvidas tentam se aproximar. Eles foram comigo naquela manhã de junho, entraram comigo na sala de cirurgia, e continuam ao meu lado a cada novo dia.

Três anos depois, olho para trás e vejo uma jornada de transformação. O homem que entrou naquela sala não é o mesmo que saiu. Não apenas fisicamente – cicatrizes podem ser curadas – mas espiritualmente. Há uma profundidade na gratidão que só a provação pode esculpir, uma apreciação pela vida que só a proximidade da morte pode ensinar.

A cada pessoa que cruza comigo esta mesma estrada, eu quero dizer: não percam a fé. Há médicos que são anjos, há amigos que são sustento, há cônjuges que são rocha. Há uma força maior que age através de mãos humanas, que opera milagres em salas de cirurgia, que transforma diagnósticos sombrios em histórias de esperança.

Hoje, 13 de junho, não é apenas um aniversário. É um dia de ação de graças. É um dia de reconhecimento de que a vida é sagrada, de que cada respiração é um milagre, de que cada batimento do coração é uma oração silenciosa de gratidão.

Três anos. E que venham muitos mais, para que eu possa continuar testemunhando a bondade divina, a competência médica, a lealdade dos amigos e o amor incondicional da família. Para que eu possa continuar sendo uma prova viva de que milagres acontecem, de que a fé move montanhas, de que o amor vence o medo.

Obrigado, Dr. Roberto Lara. Obrigado, minha querida esposa. Obrigado, Tiago, amigo de todas as horas. Obrigado, santos protetores. Obrigado, Pai celestial, por esta segunda chance, por estes três anos de vida renovada, e por todos os que ainda estão por vir.

A vida continua. E que bela continuação é esta.