Política e Resenha

Três Horas, Metade da Multa: o que está por trás da virada da Prefeitura na Zona Azul de Conquista

A Prefeitura de Vitória da Conquista anunciou, na manhã desta sexta-feira (30), mudanças relevantes no funcionamento do sistema de estacionamento rotativo, conhecido como Zona Azul. As medidas foram apresentadas pela prefeita Sheila Lemos durante entrevista coletiva e têm como foco responder às críticas de motoristas e comerciantes quanto ao rigor da fiscalização e aos valores cobrados após recentes alterações promovidas pela empresa concessionária.

A revisão das regras ocorre em um contexto de forte repercussão pública. Nas últimas semanas, o tema dominou debates nas redes sociais, em entidades representativas do comércio e em setores da Câmara Municipal, com queixas recorrentes sobre prejuízos ao fluxo de clientes no centro da cidade e insegurança dos condutores quanto às autuações.

Segundo a administração municipal, as negociações para ajustar o modelo foram aceleradas justamente para conter o desgaste e buscar maior equilíbrio entre a rotatividade das vagas e a dinâmica econômica da área central. Representantes da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) participaram do anúncio, sinalizando alinhamento institucional em torno das mudanças.

A principal alteração diz respeito ao tempo máximo de permanência nas vagas. O limite, que era de duas horas, passará a ser de três horas a partir da próxima segunda-feira. A ampliação busca oferecer mais margem para que consumidores realizem compras, utilizem serviços bancários ou resolvam demandas administrativas sem a necessidade de trocar o veículo de vaga em curto espaço de tempo.

Outro ponto central envolve a Taxa de Pós-Utilização (TPU), aplicada quando o motorista excede o período permitido. O valor, anteriormente fixado em R$ 60, será reduzido para R$ 30 nos casos em que o pagamento for efetuado em até dois dias úteis após a notificação. A gestão municipal argumenta que a medida introduz um critério de proporcionalidade, estimulando a regularização rápida e reduzindo o impacto financeiro imediato para o condutor.

As mudanças não alteram a lógica do sistema de rotatividade, que segue como instrumento de ordenamento urbano e gestão do uso do espaço público. No entanto, a prefeitura sustenta que os ajustes representam uma tentativa de tornar o modelo mais funcional e socialmente aceitável, sem comprometer os objetivos originais do estacionamento rotativo.

A expectativa do Executivo municipal e das entidades comerciais é que o novo formato contribua para reduzir a tensão em torno da Zona Azul e restabeleça a confiança de motoristas e lojistas. Resta agora acompanhar, na prática, se as alterações anunciadas serão suficientes para atender às demandas da população e estabilizar um dos temas mais sensíveis da mobilidade urbana em Vitória da Conquista neste início de ano.

(Maria Clara)