
Por José Maria Caires
O céu da aviação comercial é dinâmico. Quando uma companhia aérea retira de sua malha trechos deficitários, ela não deixa suas aeronaves paradas — pelo contrário, realoca-as para rotas mais rentáveis, com maior demanda e melhor taxa de ocupação. É justamente nesse movimento estratégico que o Sudoeste da Bahia encontra uma oportunidade rara para recuperar um protagonismo histórico.
A Azul anunciou que deixará de operar em cidades como Crateús, São Benedito, Sobral e Iguatu (CE); Campos dos Goytacazes (RJ); Correia Pinto e Jaguaruna (SC); Mossoró (RN); São Raimundo Nonato e Parnaíba (PI); Rio Verde (GO); Barreirinha (MA); Três Lagoas (MS) e Ponta Grossa (PR). Essa reconfiguração abre espaço para que novas frequências surjam em regiões com demanda comprovada — e Vitória da Conquista se encaixa perfeitamente nesse perfil.
A terceira maior cidade da Bahia já foi referência em conectividade aérea regional, com dois voos diários para Salvador e retorno na mesma proporção. Esses voos não eram apenas um comodismo: eram motores de negócios, turismo, saúde e integração cultural. O que se perde quando se reduz a malha aérea é muito mais do que assentos no ar — perde-se competitividade, atratividade e, sobretudo, tempo, o ativo mais valioso no mundo moderno.
O momento pede ação. Nossos representantes políticos, lideranças empresariais e entidades de classe precisam se mobilizar para mostrar à Azul que há mercado, demanda e vontade política para sustentar essa retomada. O secretário de Turismo da Bahia deve estar na linha de frente dessa articulação, aproveitando cada dado, cada argumento e cada contato para trazer de volta o que já foi nosso: dois voos diários entre Salvador e Vitória da Conquista, ida e volta.
Não é apenas sobre aviação, é sobre desenvolvimento regional. É sobre encurtar distâncias para que Conquista continue crescendo e liderando o Sudoeste baiano. Quando o céu abre uma janela, é preciso ter coragem para voar. E este, sem dúvida, é o nosso momento.




