Política e Resenha

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Vitória da Conquista é a melhor da Bahia em qualidade de vida urbana: por que alguns preferem esconder as boas notícias?

Política e Resenha • Opinião

Por Padre Carlos

Isto não é propaganda. Não é puxa-saquismo. Não é bajulação política, muito menos uma tentativa de transformar o jornalismo em instrumento de promoção de qualquer administração. ISTO É JORNALISMO DE VERDADE: RECONHECER OS FATOS, RESPEITAR OS DADOS E INFORMAR A SOCIEDADE SEM PARTIDARISMO NEM IDEOLOGIA.

Quem afirma que Vitória da Conquista lidera o ranking de qualidade de vida urbana na Bahia não é o Padre Carlos, nem o blog Política e Resenha, tampouco qualquer assessor da Prefeitura. Quem publicou essa informação foi o jornal A TARDE, um dos mais tradicionais veículos de comunicação da Bahia, em matéria divulgada no dia 23 de setembro, com base no Ranking de Competitividade dos Municípios 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP).

Os números, com todas as letras

Os números merecem ser apresentados sem constrangimento, sem rodeios e sem aquela timidez editorial que, às vezes, parece tomar conta de determinadas coberturas quando a notícia é positiva para uma administração. Não se trata de opinião pessoal: é o resultado de um estudo que avaliou 423 municípios brasileiros com mais de 80 mil habitantes, utilizando 65 indicadores sociais e econômicos.

Ranking de Competitividade dos Municípios 2026 • CLP

Qualidade de vida urbana na Bahia 1º lugar
Saneamento básico na Bahia 1º lugar
Acesso à educação entre os municípios baianos (salto de 41 posições no ranking nacional) 3º lugar
Competitividade geral na Bahia 3º lugar
Entre as cidades do Nordeste 17ª posição

São conquistas relevantes. São indicadores que merecem ser conhecidos pela população, discutidos pelos especialistas e utilizados como referência para o planejamento das políticas públicas. É justamente aqui que começa a nossa reflexão sobre o papel da imprensa.

Por que a boa notícia some?

Por que, em determinados espaços da comunicação, as notícias desfavoráveis à administração pública recebem manchetes garrafais, chamadas de destaque e ampla repercussão, enquanto resultados positivos acabam relegados a pequenas notas, aparecem discretamente no rodapé ou simplesmente não recebem a atenção que merecem? A pergunta não é uma acusação indiscriminada contra todos os veículos. É uma reflexão necessária sobre critérios editoriais, responsabilidade de informar e equilíbrio no tratamento dos fatos.

Se a notícia negativa merece destaque, a notícia positiva também merece!

Jornalismo não pode ser confundido com torcida organizada. Não deve funcionar como departamento de marketing de governo, partido ou grupo político. Mas também não pode transformar a crítica em finalidade permanente, como se reconhecer um resultado favorável fosse uma concessão indevida ao governante.

Independência é reconhecer os fatos

A imprensa tem o direito — e, muitas vezes, o dever — de fiscalizar a administração pública: investigar contratos, questionar gastos, denunciar irregularidades e cobrar respostas. Nada disso está em discussão. Uma sociedade democrática precisa de jornalismo livre, vigilante e independente. Entretanto, A INDEPENDÊNCIA JORNALÍSTICA NÃO SE MEDE APENAS PELA CORAGEM DE CRITICAR, MAS TAMBÉM PELA HONESTIDADE DE RECONHECER OS FATOS, MESMO QUANDO ELES CONTRARIAM AS PREFERÊNCIAS POLÍTICAS DE QUEM ESCREVE OU EDITA.

É possível fazer oposição política e reconhecer os avanços de uma cidade. É possível discordar de uma prefeita e admitir que determinados indicadores municipais são positivos. É possível defender outra orientação ideológica sem esconder informações que ajudam a população a compreender a realidade. Essa é a diferença entre jornalismo e militância disfarçada de informação.

Conquistas e problemas: nenhum dos dois se esconde

O ranking do CLP não significa que todos os problemas de Vitória da Conquista foram resolvidos. Não significa que inexistam dificuldades na saúde, na mobilidade urbana, na infraestrutura dos bairros, no emprego ou na prestação de serviços públicos. Nenhum indicador isolado autoriza essa conclusão. RECONHECER AS CONQUISTAS NÃO SIGNIFICA NEGAR OS PROBLEMAS. SIGNIFICA TER A HONESTIDADE DE NÃO ESCONDER NENHUM DOS DOIS.

Uma cidade pode avançar em saneamento básico e continuar precisando melhorar outros serviços. Pode conquistar posições importantes em competitividade e ainda enfrentar desigualdades sociais. Pode apresentar bons resultados educacionais em determinado indicador e precisar avançar em outros aspectos do ensino. O jornalismo sério apresenta essa realidade por inteiro, sem escolher apenas os números convenientes para sustentar uma narrativa previamente estabelecida.

Compromisso editorial

A verdade não pode ter lado. Quem deve ter lado é o jornalismo: o lado dos fatos, da transparência e do interesse público.

Quando uma administração erra, merece ser questionada. Quando acerta, merece ter seus resultados reconhecidos. Quando os dados revelam avanços, a população tem o direito de conhecê-los. Quando revelam problemas, também tem o direito de saber. É simples. Mas nem sempre é assim que funciona.

Um patrimônio coletivo

Vitória da Conquista, conhecida carinhosamente como a Suíça Baiana por seu clima peculiar, sua história e sua importância regional, tem razões objetivas para se orgulhar dos resultados apontados pelo levantamento. O reconhecimento é uma oportunidade para valorizar o município, atrair investimentos, estimular o debate público e identificar experiências que possam ser aperfeiçoadas.

Não precisamos transformar esse resultado em culto a qualquer liderança. Precisamos compreender o seu significado e cobrar que os avanços sejam mantidos, ampliados e convertidos em benefícios concretos para todos os conquistenses. A cidade pertence à população, não a um partido. Suas conquistas não são propriedade de uma prefeita, de um grupo político ou de um veículo de comunicação: são patrimônio coletivo, resultado de instituições, trabalhadores, gestores, profissionais de diferentes áreas e da própria sociedade.

Por isso, quando A TARDE publica que Vitória da Conquista ocupa a primeira posição estadual em qualidade de vida urbana, a informação merece ser debatida e divulgada. Não porque o jornal tenha concedido um favor à Prefeitura, mas porque os dados fazem parte da realidade que os cidadãos precisam conhecer. E fica a pergunta para quem parece ter mais disposição para divulgar as dificuldades do que para reconhecer os avanços: DESDE QUANDO PUBLICAR UMA BOA NOTÍCIA SE TORNOU SINÔNIMO DE PUXA-SAQUISMO?

A resposta é evidente: não se trata de bajulação quando há fatos verificáveis, fontes identificadas e indicadores públicos. Bajulação é elogiar sem fundamento. Propaganda é promover uma imagem sem o devido compromisso com a apuração. Jornalismo é investigar, contextualizar, questionar e informar — inclusive quando a realidade apresenta resultados favoráveis a quem está no governo.

VITÓRIA DA CONQUISTA MERECE TER SEUS PROBLEMAS DENUNCIADOS, MAS TAMBÉM MERECE TER SUAS CONQUISTAS RECONHECIDAS. Essa é a posição do Política e Resenha. Não por submissão a qualquer administração, não por alinhamento automático a qualquer partido, mas por uma convicção indispensável à vida democrática: a informação deve servir ao cidadão, e não às conveniências políticas de quem a divulga.

No fim das contas, o compromisso de um jornalista não é com o aplauso dos poderosos nem com o conforto dos adversários. É com a verdade possível, sustentada por fatos, apuração e responsabilidade. E quando os números colocam Vitória da Conquista no topo da Bahia em qualidade de vida urbana, o mínimo que se espera de uma imprensa verdadeiramente independente é que ela informe, contextualize e permita que a sociedade tire suas próprias conclusões.

A verdade não precisa de bajulação. Precisa de espaço.

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Bahia

Padre Carlos  — Teólogo, filósofo e colunista político — Política e Resenha