Política e Resenha

Zezéu Ribeiro: 76 Anos do Arquiteto que Ousou Redesenhar Salvador

 

 

 

 

 

Por [Seu Nome]

Há figuras públicas que ocupam cargos, e há aquelas que ocupam a história. Hoje, 21 de novembro, o calendário nos impõe a nostalgia de uma celebração silenciosa: Zezéu Ribeiro completaria 76 anos. Digo “completaria” apenas por rigor gramatical, pois para nós, que tivemos a honra de caminhar ao seu lado, a sua existência transcende a cronologia. Zezéu não é pretérito; ele é uma ideia constante que pulsa em cada esquina de Salvador.

Quis o destino, com sua ironia muitas vezes cruel, que este grande homem público partisse cedo demais. Ele nos deixou num momento em que ainda tinha tanto para dar, tanto para ensinar e, sobretudo, tanto para construir. E aqui não falo de construção apenas no sentido físico — embora ele fosse mestre nisso —, mas na edificação da cidadania.

Talvez alguns não saibam, e esta é uma confidência que faço com o coração aberto: nossa relação vai para além da vida. Foi uma honra incomensurável ter sido amigo deste homem cuja generosidade intelectual só rivalizava com a sua bondade humana.

Zezéu Ribeiro pensou Salvador como nenhum outro político de sua geração. Enquanto muitos viam a cidade apenas como um amontoado de concreto e problemas, Zezéu a enxergava com o olhar clínico do arquiteto e a sensibilidade do humanista. Seu vasto conhecimento em arquitetura e urbanismo não serviu a projetos elitistas, mas sim para fundamentar o direito à cidade para todos.

Ele nos ensinou que o urbanismo é uma ferramenta de justiça social. O seu legado ajudou — e continua ajudando — as novas gerações a repensar o espaço urbano, a entender que uma cidade só é bela se for justa, habitável e democrática. Ele desenhou leis, traçou planos e sonhou com uma Bahia onde o teto não fosse privilégio, mas direito.

Sem ele, confessamos: ficamos um pouco órfãos. A política baiana e nacional sente a falta da sua voz ponderada, do seu olhar técnico e do seu abraço fraterno. Ficamos “órfãos” dessa liderança que sabia conciliar a técnica com o afeto. No entanto, a orfandade dá lugar à responsabilidade de manter vivo o seu projeto.

Celebrar os 76 anos de Zezéu Ribeiro é, acima de tudo, um ato de resistência e memória. É reafirmar que as sementes que ele plantou no solo soteropolitano continuam a germinar. Enquanto houver quem lute por uma cidade mais humana, enquanto houver quem olhe para Salvador com amor e desejo de transformação, ele estará lá.

A saudade é imensa, mas a gratidão é maior.

Zezéu, presente! Hoje e sempre.