Política e Resenha

Os Santos que Caminham Conosco

 

 

(Por Padre Carlos)

Hoje é dia de Todos os Santos! Um dia luminoso em que a Igreja celebra não apenas os grandes nomes que figuram nos altares ou nos livros oficiais de canonização, mas também — e talvez sobretudo — os santos anônimos. Aqueles que viveram entre nós, caminharam pelas estradas da vida com simplicidade e fé, e hoje repousam no coração de Deus. São os santos escondidos, os que jamais tiveram uma causa aberta no Vaticano, mas cuja santidade foi moldada no silêncio das pequenas fidelidades diárias.

São tantos que não cabem nos calendários. São incontáveis as almas que ofereceram sua vida em silêncio, que semearam o bem sem esperar recompensa, e que acreditaram na força transformadora da fé mesmo diante do sofrimento. Hoje, quero falar de três destes santos que caminham comigo e que invoquei nos momentos mais difíceis da minha vida — nos dias de desamparo, quando a esperança parecia distante.

O primeiro é minha mãe, Fidelcina Pereira. Mulher de fé inabalável, que viveu entre dores e privações, mas nunca perdeu o sorriso nem a confiança em Deus. Sua santidade não nasceu de milagres extraordinários, mas da coragem de levantar-se todos os dias, mesmo quando o mundo parecia desabar. Sua vida foi um altar erguido no cotidiano, uma prece silenciosa oferecida na cozinha, na varanda, no cuidado com os filhos.

A segunda é minha tia Domingas, que consagrou quase toda a sua existência ao serviço dos pobres e à vida religiosa. Viveu a caridade como uma chama que não se apaga, dedicando-se aos esquecidos, aos que não tinham voz. Sua presença era um evangelho vivo — simples, direto, humano. Dela aprendi que servir é o modo mais alto de amar, e que o verdadeiro convento é o coração aberto ao sofrimento do outro.

E o terceiro é Dom Celso José, meu bispo e pai espiritual. Um homem santo, de sabedoria profunda e misericórdia serena. Tive a graça de conviver com ele, de aprender o valor da escuta, da paciência e do discernimento. Dom Celso era desses pastores que não conduzem o rebanho de cima, mas caminham junto, com o cajado da humildade e a túnica da compaixão. Sua vida foi um evangelho vivido — sem alarde, mas cheio de luz.

Hoje, ao recordar o Dia de Todos os Santos, penso que a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação de todos. Não está apenas nas catedrais ou nos altares dourados, mas nos lares, nas cozinhas, nos hospitais, nas escolas, nos campos e nas ruas. Ser santo é amar sem medida, é perdoar quando tudo convida à vingança, é acreditar quando a esperança parece impossível.

Por isso, neste dia, repito com o coração cheio de gratidão:
“Rogai por nós, santos e santas de Deus! Rogai por nós, ó santos lá do céu!”