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Mendonça manda Vorcaro fazer as malas (de novo) e seguir para a Papudinha

Justiça & Cofre

Mendonça manda Vorcaro fazer as malas (de novo) e seguir para a Papudinha

Ex-banqueiro está preso na Superintendência da PF, onde, sem sucesso, tentou fechar uma delação. Agora ganha endereço novo — e vizinho de operação.

Por Padre Carlos — Brasília  |  25/06/2026 16h41  |  Atualizado há 2 horas

O
ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decidiu nesta quinta-feira (25) que Daniel Vorcaro já curtiu o suficiente a suíte com Wi-Fi liberado e visita de advogado todo santo dia. Em 24 horas, o ex-dono do Banco Master deve trocar a Superintendência da Polícia Federal por uma cela na Papudinha, no Complexo da Papuda — porque, ao que tudo indica, até o sistema penitenciário tem limite de paciência com hóspede de longa duração.

Vorcaro estava na PF desde março, supostamente para “facilitar o contato com a defesa” enquanto negociava uma delação premiada. Resultado da negociação: duas propostas, duas recusadas, e um banqueiro que parece mais disposto a entregar o cofre do que o conteúdo dele.

A delação que não delatou nada

Segundo a Polícia Federal, as propostas apresentadas pela defesa “pouco avançavam” em relação ao que já tinha sido apurado. Tradução livre do jurês: Vorcaro tentou vender informação requentada por preço de informação inédita — e o mercado, no caso a PGR, não comprou.

A própria PF pediu a transferência, alegando que a Superintendência só tem celas para presos “de passagem” — o que definitivamente não é mais o caso de quem cumpre preventiva sem prazo para acabar. Em outras palavras: o hotel virou residência fixa, e a gerência quis o quarto de volta.

“A comunicação deverá ser acompanhada, sempre que possível, da descrição objetiva do ocorrido, da identificação dos envolvidos e das medidas administrativas adotadas para cessar o risco e preservar a integridade física e moral dos custodiados.”

— André Mendonça, ministro do STF

Vizinhos indesejados

A escolha da Papudinha não é por acaso: lá já está hospedado Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB e também réu na Operação Compliance Zero. Mendonça foi explícito ao determinar que a direção do presídio garanta a “incomunicabilidade” entre os dois — porque, convenhamos, dois investigados do mesmo esquema bilionário trocando confidências no pátio é o tipo de podcast que ninguém quer ver lançado.

O ministro foi além e determinou que qualquer “ameaça, intimidação, constrangimento, coação ou tentativa de interferência” envolvendo Vorcaro ou outros presos da operação seja reportada imediatamente ao STF. Ou seja: no novo endereço, ele troca a internet boa por relatório de conduta.

Enquanto isso, no Planalto

Até o fechamento desta edição, o Palácio do Planalto manteve sobre o caso Vorcaro o silêncio mais eloquente do dia — aquele tipo de mudez que diz tudo justamente por não dizer nada.

Os R$ 12 bilhões que não existiam

No fundo da história está a acusação que deu nome à operação: Vorcaro teria inflado artificialmente o valor do Banco Master usando carteiras de crédito fictícias avaliadas em R$ 12 bilhões — um patrimônio que existia, basicamente, na mesma medida em que existe a paciência da Justiça com a nova mudança de endereço dele.

Organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e invasão de dispositivos informáticos compõem o cardápio de acusações. Pelo andar da carruagem, a próxima cela de Vorcaro pode até ganhar nome de ala bancária — só falta o logotipo.

VORCARO
STF
BANCO MASTER
COMPLIANCE ZERO

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