Comunicação Pública
A paciência que constrói: a história por trás do sinal que agora ilumina Vitória da Conquista

Por trás de cada tela que hoje capta o sinal da TV Câmara, há dois nomes que a cidade precisa aprender a agradecer: Fábio Sena Santos e Ivan Cordeiro.
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á conquistas que chegam com festa, banda tocando, faixa estendida na praça. E há conquistas que chegam devagar, quase em silêncio, feitas de reuniões que ninguém filma, de e-mails respondidos à meia-noite, de processos que se arrastam por gavetas de ministérios distantes. A chegada do sinal digital da TV Câmara a Vitória da Conquista é da segunda espécie. Não houve fanfarra. Houve, isso sim, dois homens que não desistiram — mesmo quando desistir teria sido o caminho mais fácil.
Falar de infraestrutura pública costuma soar árido, técnico, distante do coração do leitor comum. Antenas, licitações, convênios federais — palavras que cansam antes mesmo de serem lidas até o fim. Mas por trás de cada uma dessas palavras frias, existe sempre um esforço humano, quente, teimoso. E é esse esforço humano que hoje quero colocar em primeiro plano, porque uma cidade que não celebra seus construtores silenciosos corre o risco de esquecer como se constrói.
Dois nomes, um mesmo compromisso
Ivan Cordeiro preside a Câmara Municipal de Vitória da Conquista com a serenidade de quem sabe que política de resultado não se mede em discurso, mas em obra entregue. Foi ele quem assinou, em Brasília, o Acordo de Cooperação Técnica que amarrou definitivamente o destino da nossa cidade à Rede Legislativa de Rádio e TV. Foi ele quem, publicamente, reconheceu que “uma TV pública não surge da noite para o dia” — frase que, dita por um homem público, vale mais como confissão de método do que como justificativa de atraso.
Ao seu lado, quase sempre nos bastidores, esteve Fábio Sena Santos, diretor de Comunicação da Câmara. Enquanto os holofotes da cidade se voltam naturalmente para quem discursa da tribuna, é gente como Fábio que sustenta, com competência técnica e insistência silenciosa, a engrenagem que transforma promessa em antena erguida na Serra do Periperi. Não é exagero dizer que sem a dedicação técnica de Fábio Sena e a decisão política de Ivan Cordeiro, este equipamento — hoje uma realidade tangível, captável em qualquer televisor da cidade — ainda seria apenas um projeto engavetado, como tantos que a história administrativa do Brasil já enterrou.
“Uma TV pública não surge da noite para o dia. Temos questões burocráticas a serem cumpridas, abrir licitações, planejar a grade […]. Temos profissionais experientes e atuantes na Assessoria de Comunicação da Câmara, que têm assumido a direção dos primeiros trabalhos para tornar realidade o sonho de termos uma TV pública legislativa em canal aberto.”
— Ivan Cordeiro, presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista
Há algo de profundamente humano nesta frase. Não é o discurso inflado de quem quer colher aplausos fáceis. É o relato de quem conhece, na pele, o peso de cada etapa: a instalação da antena, a ligação da energia, a espera pelos equipamentos, o processo licitatório que ainda corre. É o relato de quem sabe que o sonho de ver Vitória da Conquista com sua própria TV legislativa não nasceu pronto — foi tecido, fio a fio, em meio a entraves que testariam a paciência de qualquer um.
O que está em jogo quando uma cidade ganha sua própria voz
Imagine, por um instante, o que significa para uma cidade do interior da Bahia deixar de depender exclusivamente de sinais vindos de outros lugares e passar a ter, no dial digital, um canal que fala com sotaque local, que mostra a sessão plenária como ela é, que transmite a Rádio Câmara FM para dentro da sala de estar de quem talvez nunca tenha pisado num prédio público. Não é pouca coisa. É democratização real, palpável, medida em antena erguida e não apenas em promessa de campanha.
Michele Gramacho, diretora da Fundação Paulo Jackson, resumiu bem o momento ao falar do “grande presente” recebido pela população. Mas todo presente tem quem o embrulhe, quem carregue, quem insista em entregá-lo mesmo debaixo de chuva. Esse trabalho — de carregar o projeto contra o peso da burocracia — coube, na linha de frente, a Ivan Cordeiro e Fábio Sena Santos.
Por dentro do processo
Mais de R$ 1 milhão já foram investidos, por meio do Programa Brasil Digital, na infraestrutura da TV Câmara de Vitória da Conquista. A cidade já capta oito canais públicos digitais, entre eles TV Câmara, TV ALBA, TV Senado, Rádio Câmara FM e TV Brasil. O canal próprio do Legislativo conquistense, o 7.3, estreia em dezembro, com inauguração prevista para o início do mês, durante o II Encontro de Comunicação Legislativa.
Reconhecer o esforço é também um dever cívico
Vivemos tempos em que é fácil criticar o poder público e difícil reconhecer, com a mesma energia, quando esse mesmo poder público entrega algo de valor real para a população. Não escrevo este texto para fazer coro ao aplauso automático — escrevo porque acredito que uma imprensa local séria precisa ter a honestidade de apontar o dedo tanto para o erro quanto para o acerto. E, neste caso, o acerto tem nome e sobrenome: Ivan Cordeiro, que usou sua caneta e sua articulação política para destravar um projeto represado; e Fábio Sena Santos, que usou sua competência técnica para transformar convênio em antena, e antena em sinal.
Dezembro se aproxima. E com ele, a estreia da programação própria da TV Câmara de Vitória da Conquista. Quando o primeiro programa entrar no ar, é bom que a cidade se lembre de que aquele momento não nasceu do acaso, nem de um decreto assinado sem esforço. Nasceu de dois homens que, cada um a seu modo, recusaram-se a deixar o projeto morrer nas gavetas da burocracia. A Vitória da Conquista que ganha voz própria no dial digital deve, em boa parte, essa conquista a eles.
Vitória da Conquista
Ivan Cordeiro
Fábio Sena Santos
Coluna Cultural — Padre Carlos – Blog do Política e Resenha




