Por Padre Carlos
Em política, há fotografias que valem uma campanha. E há fotografias que podem custar uma eleição.
ACM Neto está diante de uma dessas escolhas.
Aliados do candidato do União Brasil ao Governo da Bahia tentam convencê-lo a receber publicamente Flávio Bolsonaro durante a passagem do candidato do PL por Salvador, marcada para 17 de setembro. Será a primeira visita de Flávio à Bahia desde o início da campanha presidencial.
À primeira vista, a ideia parece perfeitamente lógica. O PL integra a coligação de ACM Neto. João Roma, principal liderança do partido na Bahia, disputa uma das vagas ao Senado. Flávio Bolsonaro é o candidato presidencial do PL e representa hoje uma das principais forças da oposição ao governo Lula. Do ponto de vista partidário, portanto, seria natural que ACM Neto recebesse Flávio.
Mas eleição não se ganha apenas com lógica partidária.
Ganha-se com matemática eleitoral.
E a matemática da Bahia deveria provocar uma reflexão profunda dentro da campanha de ACM Neto.
A pergunta não é simplesmente se ele deve receber Flávio Bolsonaro.
A pergunta é outra: ACM Neto precisa mais dos votos que Flávio pode consolidar ou dos votos que uma fotografia com Flávio pode fazê-lo perder?
Essa é uma diferença enorme.
E pode ser a diferença entre ganhar e perder uma eleição.
O que dizem as pesquisas: a disputa ao Governo da Bahia
A pesquisa AtlasIntel/A TARDE divulgada em 3 de setembro mostra uma disputa absolutamente apertada pelo Governo da Bahia. No cenário com os principais candidatos, ACM Neto aparece com 48,8%, enquanto Jerônimo Rodrigues registra 47,5%. A diferença é de apenas 1,3 ponto percentual, dentro da margem de erro de dois pontos. No segundo turno, o quadro permanece praticamente congelado: ACM Neto aparece com 49,2%, contra 48,6% de Jerônimo.
A pesquisa ouviu 1.804 eleitores entre 28 de agosto e 2 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais, com 95% de nível de confiança. O levantamento está registrado no TSE sob os números BA-08891/2026 e BR-07739/2026.
AtlasIntel/A TARDE — Governo da Bahia (03/09)
| 1º turno | ||
| ACM Neto | 48,8% | |
| Jerônimo | 47,5% |
| 2º turno | ||
| ACM Neto | 49,2% | |
| Jerônimo | 48,6% |
O gráfico acima deveria estar pregado na parede de qualquer estrategista eleitoral que esteja aconselhando ACM Neto. Não há gordura eleitoral. Não existe uma vantagem de dez pontos. Não existe uma vantagem de cinco pontos. Existe uma diferença de pouco mais de um ponto percentual.
E quando uma eleição está assim apertada, qualquer movimento capaz de alterar a percepção de alguns segmentos do eleitorado precisa ser analisado com extremo cuidado.
A disputa presidencial na Bahia: um cenário completamente diferente
Agora vem o dado mais importante. A mesma pesquisa mostra uma realidade completamente diferente quando olhamos para a disputa presidencial na Bahia. No primeiro turno, Lula aparece com 52,8%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 24,4%. No segundo turno, a distância aumenta: Lula chega a 58,1%, enquanto Flávio alcança 29%.
AtlasIntel/A TARDE — Presidencial na Bahia (03/09)
| 1º turno | ||
| Lula | 52,8% | |
| Flávio | 24,4% |
| 2º turno | ||
| Lula | 58,1% | |
| Flávio | 29,0% |
Ou seja, a Bahia apresenta uma característica eleitoral extraordinária. O eleitor pode estar praticamente dividido na eleição para governador, enquanto apresenta uma vantagem muito expressiva para Lula na disputa presidencial.
Aqui começa a aparecer o verdadeiro problema estratégico para ACM Neto. Como é possível que Lula tenha mais de 52% para presidente e ACM Neto esteja praticamente empatado com Jerônimo para governador?
O voto cruzado: o eleitor “LuNeto”
A resposta está no voto cruzado. O eleitor baiano não necessariamente vota em bloco. Ele pode escolher Lula para presidente e ACM Neto para governador. Pode escolher Flávio para presidente e Neto para governador. Pode escolher Lula para presidente e Jerônimo para governador. As eleições são simultâneas, mas o comportamento do eleitor não precisa ser.
E existe um dado da AtlasIntel que merece uma atenção especial. Entre os eleitores que votaram em Lula no segundo turno de 2022, 26,6% atualmente indicam intenção de votar em ACM Neto para governador.
Eleitores de Lula (2º turno 2022) que hoje votariam em Neto
| Votam em ACM Neto | 26,6% | |
| Mantêm outra escolha | 73,4% |
É um dado extraordinariamente importante. Mas precisa ser interpretado corretamente. Não significa que 26,6% dos eleitores de ACM Neto votariam em Lula. Significa o contrário: uma parcela de 26,6% do eleitorado que anteriormente escolheu Lula admite agora escolher ACM Neto para governador.
Essa distinção estatística é fundamental. Estamos diante de um eleitor que está disposto a separar as duas eleições. É o eleitor do chamado voto LuNeto.
Observe a dimensão política desse número. Estamos falando de aproximadamente um em cada quatro eleitores que escolheram Lula em 2022. Esse eleitor já demonstrou que não precisa votar da mesma maneira para presidente e governador. E justamente por isso ele pode ser decisivo.
A eleição presidencial na Bahia apresenta Lula muito à frente de Flávio. A eleição estadual apresenta Neto e Jerônimo praticamente empatados. Isso não é uma contradição. É uma demonstração de que existe autonomia entre o voto presidencial e o voto para governador. E é exatamente essa autonomia que ACM Neto precisa preservar.
Porque, no momento em que a eleição estadual for transformada numa simples extensão da eleição presidencial, Neto corre o risco de perder uma das suas maiores vantagens estratégicas.
A fotografia
É aqui que entra Flávio Bolsonaro. Imagine uma fotografia. ACM Neto chega a Salvador. Flávio desembarca. Os dois apertam as mãos. Sorrisos. Bandeiras. Microfones. Fotógrafos. Uma imagem perfeitamente compreensível do ponto de vista partidário.
Mas, em política, a fotografia não termina quando os fotógrafos vão embora. Ela começa ali. A imagem poderá circular nas redes sociais. Poderá aparecer em vídeos. Poderá ser reproduzida em debates. Poderá virar meme. Poderá ser usada pela campanha adversária. Poderá ser transformada em uma frase: “ACM Neto e Flávio Bolsonaro juntos.”
E então surge a possibilidade de uma mudança fundamental no enquadramento da eleição.
“Eu voto em Lula para presidente, mas acho ACM Neto melhor para governador.”
“Se eu votar em ACM Neto, estarei fortalecendo Flávio Bolsonaro?”
— o eleitor lulista, antes e depois de uma associação pública
Essa pergunta pode ser suficiente para mudar uma escolha. Não estou dizendo que isso necessariamente acontecerá. E é importante deixar isso absolutamente claro. Não existe uma pesquisa capaz de afirmar que o eleitor lulista abandonará ACM Neto se ele receber Flávio Bolsonaro. Seria irresponsável apresentar essa hipótese como fato.
O que existe é um dado objetivo: há uma parcela expressiva de eleitores de Lula que admite votar em Neto. E existe uma questão estratégica: uma associação pública com o candidato presidencial que esses eleitores rejeitam poderia aumentar o custo dessa escolha.
Essa é a diferença entre uma previsão e uma análise de risco. E campanhas eleitorais precisam trabalhar com riscos. Ainda mais quando estão diante de uma eleição apertada.
Outros institutos confirmam: uma disputa acirrada
A pesquisa Quaest divulgada em agosto também encontrou empate técnico entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues. Neto aparecia com 39%, contra 37% de Jerônimo. No segundo turno, Neto tinha 44% e Jerônimo 41%.
Quaest — Governo da Bahia (agosto)
| 1º turno | ||
| ACM Neto | 39% | |
| Jerônimo | 37% |
| 2º turno | ||
| ACM Neto | 44% | |
| Jerônimo | 41% |
A Paraná Pesquisas apresentou um cenário mais favorável a Neto em levantamento realizado no fim de agosto, mas o ponto comum entre diferentes levantamentos é que a disputa permanece aberta e competitiva.
Isso nos ensina algo importante: não existe espaço para movimentos políticos irresponsáveis. Quando um candidato possui dez pontos de vantagem, pode se dar ao luxo de cometer alguns erros. Quando possui cinco, ainda possui alguma proteção. Quando possui pouco mais de um ponto, cada decisão precisa ser calculada.
A polarização nacional: Lula e Flávio empatados
É justamente aqui que o marketing político encontra a ciência política. Uma campanha não trabalha apenas com propostas. Trabalha com identidades. Trabalha com percepções. Trabalha com associações. Trabalha com rejeições. Trabalha com emoções. E Flávio Bolsonaro possui uma identidade política muito forte.
A eleição presidencial de 2026 demonstra justamente o grau de polarização. Na pesquisa Quaest divulgada em 7 de setembro, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados em 41% a 41% num eventual segundo turno nacional. Foram entrevistadas 2.004 pessoas entre 3 e 6 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Quaest — 2º turno nacional (07/09)
| Lula | 41% | |
| Flávio | 41% |
Esse dado nacional é importante por uma razão. Flávio Bolsonaro não é um candidato irrelevante. Ele está no centro da polarização nacional. E exatamente por isso sua presença produz uma identidade política muito forte.
Para o eleitor bolsonarista, a fotografia pode ser excelente. Para o eleitor lulista, pode ser péssima. Para o eleitor de centro, pode gerar dúvidas. E para o candidato ACM Neto, a pergunta passa a ser: qual desses eleitores precisa conquistar?
O bolsonarista mais convicto provavelmente já tem uma razão para votar em ACM Neto. O lulista que admite votar em Neto está fazendo uma operação eleitoral muito mais complexa. Ele está separando os cargos. Está separando as pessoas. Está separando a política nacional da política estadual. Está dizendo: “Para presidente, penso de uma maneira. Para governador, penso de outra.”
Esse eleitor é uma preciosidade eleitoral. Porque ele amplia o universo potencial de ACM Neto. E uma campanha inteligente não deveria fechar portas para um eleitor que já está demonstrando disposição de atravessar a ponte.
Os números que resumem o risco
| • | Governo da Bahia (1º turno): ACM Neto 48,8% x Jerônimo 47,5% — diferença de 1,3 ponto, dentro da margem de erro. |
| • | Presidencial na Bahia (1º turno): Lula 52,8% x Flávio 24,4% — vantagem de mais de 28 pontos para Lula. |
| • | 26,6% dos eleitores de Lula em 2022 hoje dizem votar em ACM Neto para governador. |
| • | No cenário nacional, Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados, 41% a 41%. |
O problema, portanto, não é Flávio Bolsonaro. O problema é a associação eleitoral explícita. ACM Neto não precisa romper com o PL. Não precisa atacar Flávio. Não precisa declarar apoio a Lula. Não precisa abandonar João Roma. Não precisa fazer nenhum gesto de hostilidade.
Pode manter a aliança. Pode respeitar o partido. Pode conversar com suas lideranças. Pode reconhecer a importância do eleitorado de direita. Mas existe uma diferença enorme entre tudo isso e transformar Flávio Bolsonaro em personagem de sua campanha.
Uma coisa é ter o PL na chapa. Outra é colocar-se eleitoralmente ao lado de Flávio Bolsonaro. E talvez essa distinção seja decisiva.
João Roma e o silêncio estratégico
Há ainda outro elemento que merece atenção. João Roma pertence ao PL e é candidato ao Senado pela chapa de ACM Neto. Entretanto, segundo informações divulgadas durante o início da propaganda eleitoral, Flávio não vinha sendo exibido nos programas eleitorais de Roma.
Isso pode ter várias explicações. Pode ser uma decisão de estratégia. Pode ser uma questão de espaço. Pode ser simplesmente uma escolha de comunicação. Mas a situação produz uma pergunta interessante: por que uma candidatura do próprio PL poderia evitar uma exposição presidencial excessiva na Bahia?
Se a estratégia for preservar o eleitorado local, talvez ACM Neto devesse observar cuidadosamente essa escolha. Porque existe uma regra elementar do marketing político: não se deve confundir fidelidade partidária com inteligência eleitoral.
O partido pensa na sua identidade. O candidato precisa pensar na sua maioria. E são coisas diferentes. A maioria eleitoral de ACM Neto não precisa necessariamente ser uma maioria ideológica. Pode ser uma maioria circunstancial. Pode ser formada por direita, centro-direita, centro e uma parcela do eleitorado lulista que deseja uma alternativa para o Governo da Bahia.
É exatamente essa heterogeneidade que pode fazê-lo vencer. E é exatamente essa heterogeneidade que uma fotografia mal calculada pode ameaçar.
O que a Bahia já demonstrou em 2022
Em 2022, Lula recebeu mais de seis milhões de votos na Bahia no segundo turno. ACM Neto, por sua vez, recebeu mais de quatro milhões. O eleitor baiano já demonstrou historicamente que consegue fazer escolhas diferentes para diferentes cargos.
A eleição de 2026 pode aprofundar esse fenômeno. E talvez seja justamente essa a oportunidade de ACM Neto. A Bahia pode ser o estado onde o eleitor diz: “Lula para presidente. Neto para governador.” Não porque ACM Neto seja lulista. Não porque o eleitor tenha abandonado suas convicções. Mas porque ele pode avaliar que a disputa presidencial e a estadual são diferentes.
Essa possibilidade não deveria ser destruída por uma estratégia de campanha que nacionalize excessivamente a eleição.
É preciso entender também que eleitor não é propriedade de partido. O eleitor não pertence ao PL. Não pertence ao PT. Não pertence ao União Brasil. Não pertence a Lula. Não pertence a Flávio. O eleitor escolhe. E pode mudar de opinião.
Por que uma fotografia pode custar mais do que ela promete
O marketing político moderno justamente tenta compreender esse movimento. O eleitor vota por identificação, mas também vota por rejeição. Vota por esperança. Vota contra alguém. Vota pela economia. Vota pela avaliação do governo. Vota pela imagem do candidato. Vota pela família política. Vota pela memória. Vota pela percepção de competência. E, muitas vezes, vota simplesmente porque acredita que determinado candidato representa o menor risco.
Nesse cenário, ACM Neto possui algo que precisa preservar: a possibilidade de ser interpretado de maneiras diferentes por diferentes eleitores. Para o eleitor de direita, pode ser a alternativa ao PT. Para o eleitor de centro, pode ser uma alternativa administrativa. Para parte do eleitor lulista, pode ser um candidato estadual independente da escolha presidencial.
Essa ambiguidade não é necessariamente uma fraqueza. Pode ser uma força. Na política, às vezes, vencer significa não permitir que o adversário defina quem você é. E uma fotografia com Flávio Bolsonaro pode entregar ao adversário exatamente essa definição.
Jerônimo poderia tentar dizer: “Não existe mais voto cruzado. Existe uma eleição nacionalizada.” E, se conseguir convencer o eleitor disso, poderá transformar a disputa estadual em uma espécie de plebiscito sobre Lula e Bolsonaro.
Só que ACM Neto não precisa vencer a eleição presidencial. Precisa vencer a eleição para governador. Essa diferença parece óbvia. Mas, em campanhas polarizadas, as coisas óbvias são justamente as primeiras a serem esquecidas.
O maior erro de uma campanha pode ser imaginar que todos os seus aliados precisam aparecer juntos para demonstrar unidade. Às vezes, unidade excessiva produz associação excessiva. E associação excessiva pode produzir rejeição. Em política, mais exposição nem sempre significa mais votos.
Há momentos em que a melhor estratégia é deixar o eleitor saber que você possui aliados sem permitir que os aliados definam completamente sua identidade. É o caso de ACM Neto.
Duas eleições, duas perguntas diferentes
Se Flávio Bolsonaro vier a Salvador, ele certamente será uma figura central da política nacional. Mas ACM Neto precisa decidir qual eleição está disputando. A eleição presidencial de 2026 será uma disputa entre projetos nacionais. A eleição para governador da Bahia precisa ser uma disputa sobre quem o eleitor baiano considera mais preparado para governar a Bahia.
Essa diferença pode parecer semântica. Não é. Pode valer uma eleição.
Por isso, a questão que os estrategistas de ACM Neto deveriam colocar sobre a mesa não é: “Devemos receber Flávio Bolsonaro?” É: “Qual é o custo eleitoral de transformar essa recepção em uma fotografia de campanha?”
Essa é a pergunta correta. Porque o bolsonarista que já está com Neto provavelmente continuará com Neto. Mas o eleitor lulista que hoje admite votar em Neto pode começar a fazer contas. E, numa eleição apertada, não são necessariamente os votos que você conquista que decidem. Às vezes, são os votos que você deixa de perder.
É por isso que uma fotografia pode custar uma eleição. Não porque uma fotografia tenha poderes mágicos. Mas porque ela pode cristalizar uma narrativa. Pode transformar uma candidatura de centro-direita em uma candidatura percebida como bolsonarista. Pode transformar uma eleição estadual em uma disputa nacional. Pode eliminar o espaço de um candidato conversar simultaneamente com direita e centro. Pode, sobretudo, fechar a porta para aquele eleitor que hoje está disposto a fazer uma escolha diferente para presidente e governador.
ACM Neto não precisa romper com seus aliados. Precisa preservar sua autonomia. Não precisa atacar Flávio. Precisa evitar entregar ao adversário uma imagem que permita resumir sua candidatura em uma frase. Não precisa se aproximar de Lula. Precisa compreender a força do eleitor que vota em Lula. Não precisa abandonar a direita. Precisa compreender que ganhar a Bahia pode exigir votos que estão fora da direita bolsonarista.
Essa é a matemática.
E matemática eleitoral não perdoa erros de estratégia.
A eleição está aberta. As pesquisas mostram uma disputa extremamente apertada entre ACM Neto e Jerônimo. O eleitor presidencial baiano apresenta uma preferência muito mais favorável a Lula do que a Flávio. Existe uma parcela expressiva do eleitorado lulista disposta a votar em Neto. E esse eleitor pode ser justamente aquele que decidirá a eleição.
Por isso, talvez ACM Neto esteja diante da decisão mais importante de sua carreira política. Não porque Flávio Bolsonaro possa necessariamente tirar votos dele. Mas porque uma fotografia pode impedir que ACM Neto receba votos que hoje estão disponíveis.
Em política, há momentos em que coragem significa subir ao palanque.
E há momentos em que coragem significa saber quando não subir. Talvez 17 de setembro seja um desses momentos.
Porque ACM Neto não precisa provar ao eleitor bolsonarista que sabe quem são seus aliados. O que ele precisa provar ao eleitor baiano é que, independentemente de quem esteja disputando a Presidência da República, ele pretende governar a Bahia para todos os baianos.
“ACM Neto quer ganhar a eleição com os votos que já possui ou pretende correr o risco de perder os votos que ainda precisa conquistar?”
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Padre Carlos — Teólogo, filósofo e colunista político — Política e Resenha





