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A IMPORTÂNCIA DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL
IVAN CORDEIRO
Há eleições que escolhem governos. Há eleições que escolhem caminhos. E há eleições que, por sua dimensão institucional, podem influenciar o próprio desenho da República durante muitos anos.
A eleição presidencial de 2026 pertence a essa última categoria.
O próximo presidente da República não terá apenas a responsabilidade de administrar a economia, conduzir políticas públicas, escolher ministros e definir prioridades para o país. Terá também a possibilidade de indicar até quatro ministros do Supremo Tribunal Federal ao longo de seu mandato. Uma cadeira já está aberta, e outras três deverão surgir até 2030, em razão das aposentadorias compulsórias previstas para ministros da Corte.
Isso significa que o eleitor brasileiro estará escolhendo muito mais do que um ocupante do Palácio do Planalto.
Estará ajudando a definir o futuro institucional do país.
E não se trata de transformar o Supremo Tribunal Federal em objeto de disputa partidária. Muito menos de imaginar que o presidente eleito poderá simplesmente escolher ministros segundo sua conveniência política. A indicação presidencial é apenas uma etapa: os nomes precisam passar pelo Senado Federal, com sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e aprovação por maioria absoluta do Plenário.
É justamente por isso que a eleição presidencial precisa ser encarada com responsabilidade.
Uma eleição que ultrapassa o governo
O Brasil chega às eleições de 2026 atravessando um momento particularmente delicado. As revelações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro provocaram uma crise institucional dentro do próprio Supremo, com divergências entre ministros, decisões conflitantes e questionamentos sobre relações entre autoridades e pessoas investigadas. A crise chegou a produzir disputas públicas sobre competência, sigilo, acesso a provas e condução das investigações.
E aqui é preciso ter serenidade.
Uma democracia madura não transforma investigação em condenação. Suspeita não é sentença. Mensagem não é prova definitiva de crime. E acusação não substitui o devido processo legal.
Mas também seria um erro acreditar que tudo isso não importa.
Importa, e muito.
Porque instituições democráticas vivem também de confiança. Quando cidadãos começam a acreditar que existem dois pesos e duas medidas, quando decisões judiciais parecem contraditórias ou quando os próprios integrantes de uma Corte entram em choque público, a confiança social sofre.
O Supremo Tribunal Federal é uma instituição essencial à República. É justamente por isso que precisa estar acima das disputas partidárias e preservar a autoridade que decorre da Constituição, e não da força política de seus integrantes.
O mesmo vale para o presidente da República.
O futuro presidente terá nas mãos uma responsabilidade extraordinária: indicar ministros que permanecerão no Supremo por muitos anos.
Não deveria escolher amigos. Não deveria escolher aliados. Não deveria escolher alguém simplesmente porque pensa como ele.
Deveria escolher juristas capazes de compreender que ministro do Supremo não é advogado do presidente que o indicou.
É juiz da Constituição.
Essa distinção é fundamental.
O presidente passa.
O ministro do Supremo permanece.
O governo termina.
A Constituição continua.
O eleitor diante da responsabilidade histórica
É por isso que a eleição presidencial não pode ser reduzida à velha lógica do “meu candidato contra o seu candidato”. O eleitor precisa olhar para além da paixão eleitoral e perguntar que projeto de República cada candidato representa.
Que relação pretende manter com o Congresso?
Que concepção possui sobre a independência do Judiciário?
Que compromisso demonstra com a liberdade de imprensa?
Como pretende enfrentar a corrupção?
Como entende o equilíbrio entre os Poderes?
E, sobretudo, que tipo de pessoa pretende indicar para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal?
Essas perguntas são muito mais importantes do que boa parte das guerras de internet que dominarão a campanha.
Porque o presidente eleito em 2026 poderá influenciar diretamente a composição de uma parcela significativa do Supremo. Estudos e levantamentos publicados neste ano apontam que o eleito poderá chegar a indicar cerca de 36% da composição da Corte durante o mandato.
Isso não é detalhe.
É uma responsabilidade histórica.
Nem captura política, nem tribunal de exceção
Mas existe outro perigo: transformar essa realidade em argumento para a captura política do Supremo.
Seria um erro tão grave quanto o problema que pretendemos combater.
Não precisamos de um STF de direita.
Não precisamos de um STF de esquerda.
Não precisamos de um STF lulista.
Não precisamos de um STF bolsonarista.
Precisamos de um Supremo Tribunal Federal brasileiro.
Uma Corte constitucional não pode funcionar como extensão de nenhum partido político.
É justamente nos momentos de crise que as instituições precisam mostrar sua maturidade.
O caso Banco Master deve ser investigado até onde as provas conduzirem. Se houver irregularidades, que sejam responsabilizados os responsáveis. Se não houver, que os inocentes sejam preservados.
É assim que funciona um Estado Democrático de Direito.
Nem blindagem corporativa.
Nem tribunal de exceção.
Nem condenação por manchete.
Nem absolvição por amizade.A lei deve valer para todos.
Uma escolha para além dos nomes
É nesse ambiente que devemos compreender a importância da eleição presidencial.
O Brasil não precisa de um salvador da pátria.
Precisa de um presidente da República.
Não precisa de alguém que queira mandar no Supremo.
Precisa de alguém que compreenda que o Supremo precisa ser independente.
Não precisa de um presidente que trate adversários como inimigos da nação.
Precisa de alguém capaz de governar para uma sociedade plural, dividida, complexa e democrática.
A eleição de 2026 será, portanto, uma escolha entre projetos de país, mas também uma escolha sobre a qualidade das instituições que queremos construir.
O eleitor não deve entregar um cheque em branco a ninguém.
Nem à esquerda.
Nem à direita.
Nem ao centro.
A democracia exige vigilância.
Exige cobrança.
Exige imprensa livre.
Exige oposição.
Exige instituições independentes.
E exige, sobretudo, cidadãos capazes de compreender que democracia não significa simplesmente votar. Significa também respeitar o resultado das urnas, defender as regras do jogo e exigir que aqueles que exercem o poder estejam submetidos à lei.
O Brasil precisa sair da política do ressentimento e entrar na política da responsabilidade.
Precisa recuperar a confiança.
Precisa de segurança jurídica para quem trabalha, empreende e investe.
Precisa de instituições que não sejam vistas como instrumentos de grupos políticos.
Precisa de um Supremo respeitado porque é independente, e não porque é poderoso.
E precisa de um presidente que compreenda que indicar um ministro do STF não é preencher uma vaga.
É participar da construção do futuro constitucional do Brasil.
Uma escolha para as próximas gerações
Por isso, a eleição presidencial de 2026 será muito maior do que a disputa entre nomes.
Será uma escolha sobre o país que queremos deixar para as próximas gerações.
Que o eleitor escolha com liberdade.
Que escolha com consciência.
Que escolha sem medo.
Mas, sobretudo, que escolha sabendo que quatro anos de governo podem passar rapidamente.
As decisões tomadas nesse período, entretanto, podem permanecer por décadas.
E talvez essa seja a razão mais importante para levar a eleição presidencial de 2026 absolutamente a sério.
O Brasil precisa de serenidade.
Precisa de responsabilidade.
Precisa de democracia.
E precisa voltar a acreditar que as instituições da República existem para servir ao cidadão — e não para servir a quem ocupa, temporariamente, o poder.
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IVAN CORDEIRO
IVAN CORDEIRO
PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE VITÓRIA DA CONQUISTA
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