Roberta Roma sofre infarto: quando a política precisa parar e a vida fala mais alto
Por Padre Carlos
Há momentos em que a política precisa parar. Parar o discurso, interromper a disputa, suspender por algumas horas a guerra das redes sociais e lembrar aquilo que tantas vezes esquecemos no calor das paixões: antes de ser deputada, candidata, militante de um partido ou personagem de uma eleição, Roberta Roma é uma pessoa.
A deputada federal e candidata à reeleição pelo PL passou mal durante uma agenda de campanha em Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, no sábado, 26 de setembro. Ela sentiu dor no peito, com irradiação para o braço direito, recebeu os primeiros atendimentos no município e depois foi transferida para Salvador.
Já no Hospital Cárdio Pulmonar, na capital baiana, Roberta Roma foi submetida a cateterismo depois que os exames confirmaram um infarto. Segundo as informações divulgadas pela equipe e pela imprensa, o exame não apontou obstruções graves nas artérias coronárias. Os médicos investigam a origem do quadro e avaliam, entre outras possibilidades, a chamada síndrome de Takotsubo, conhecida popularmente como “síndrome do coração partido”. :contentReference[oaicite:0]{index=0}
“A eleição passa. A vida fica. E quando o coração fala mais alto, nenhum palanque pode ser mais importante do que a própria existência.”
Quando a política encontra a fragilidade humana
Há algo profundamente humano nessa notícia. Roberta estava cumprindo uma agenda eleitoral. Como tantos outros candidatos, percorria cidades, participava de encontros, conversava com eleitores e tentava conquistar votos. De repente, o corpo impôs uma pausa que nenhum marqueteiro havia programado.
A política tem seus tempos, seus calendários, seus palanques e suas disputas. O coração, entretanto, desconhece calendário eleitoral. Não sabe o que é esquerda ou direita. Não sabe o que é PL, PT, União Brasil ou qualquer outra legenda.
O coração simplesmente bate.
E quando o corpo pede socorro, todas as diferenças políticas ficam pequenas diante da dimensão da vida.
Discordar não exige desumanizar.
Criticar não exige odiar.
Combater ideias não exige desejar o mal de quem pensa diferente.
E nenhuma eleição vale uma vida.
A política deveria aprender a respeitar os limites da vida
O episódio envolvendo Roberta Roma também deveria nos fazer refletir sobre a brutalidade que, muitas vezes, tomou conta do debate político brasileiro. Nas redes sociais, adversários são frequentemente tratados como inimigos. A divergência política transforma-se em ofensa pessoal, e a disputa eleitoral parece justificar quase tudo.
Mas existe uma fronteira que não deveria ser ultrapassada: a fronteira da humanidade.
Não importa, neste momento, se alguém concorda ou discorda das posições políticas de Roberta Roma. Não importa se o eleitor pretende votar nela ou em outro candidato. A democracia existe justamente porque pessoas diferentes podem pensar de maneira diferente.
O que não deveria ser diferente é o respeito pela vida.
A eleição pode esperar
Segundo as informações divulgadas pela equipe da deputada, Roberta Roma permanece internada na UTI Cardíaca do Hospital Cárdio Pulmonar, em Salvador, está estável, medicada e monitorada. O marido, João Roma, agradeceu as mensagens de carinho, o atendimento recebido e as orações pela recuperação da deputada. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
E talvez seja justamente essa a hora de retirar a política do centro da conversa.
A campanha pode esperar.
A disputa eleitoral pode esperar.
Os discursos podem esperar.
Até as redes sociais podem esperar.
A vida, não.
Neste momento, o que se espera é que Roberta Roma tenha condições de se recuperar plenamente, ao lado da família e sob os cuidados da equipe médica. A política continuará existindo depois disso. Os partidos continuarão disputando espaço. Os candidatos continuarão apresentando suas propostas. Os eleitores continuarão escolhendo seus representantes.
Mas existe algo que deveria permanecer acima de qualquer eleição: a capacidade de reconhecer no adversário político um ser humano.
“Quando a vida está em risco, não existem adversários. Existem seres humanos diante da fragilidade da existência.”
A Bahia é uma terra marcada pela fé, pela solidariedade e pela capacidade de acolher. Que, neste momento, as diferenças políticas deem lugar àquilo que nos aproxima: o desejo sincero de que uma mulher que sofreu um grave problema de saúde possa se recuperar.
Que Roberta Roma tenha força para atravessar este momento. Que sua família encontre serenidade. E que nós, como sociedade, aprendamos alguma coisa com tudo isso.
Porque a política pode dividir opiniões. A vida deveria nos ensinar a permanecer humanos.
(Padre Carlos)
Articulista — Política, sociedade, fé e cidadania
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