Política e Resenha

Adeus Mocidade

Coluna Cultural

por Edvaldo Paulo d Araújo

Se você tem menos de 50 anos é melhor não ler esse texto, senão vai ficar com inveja dos cinqüentões. Quem escreve fica atento a sinais que rapidamente assimila. E em pensamentos pincelados desenvolve a idéia mesmo fugindo do ambiente em que esteja, traça e sente que daria um bom texto.

Uma conversa em Congonhas

Há alguns dias estava no aeroporto de Congonhas em São Paulo, sentados a minha frente um senhor que deveria ter uns sessenta anos, muito simpático e alguns jovens muito atentos ao que ele falava, simbolizando certa liderança positiva. No primeiro instante me pareceram um professor e alguns alunos embarcando para algum evento.

Mesmo sem querer ficar ouvindo conversa dos outros, mas em lugares públicos é impossível deixar de ouvir principalmente, quando a conversa é em grupos. O simpático senhor no meio de uma conversa descontraída fazia uma afirmação que achei por demais interessantes, dizia que nunca mais gostaria de voltar a ter a idade na casa dos vinte anos. Atentei e fiquei ouvindo suas explanações sobre a afirmação e suas colocações por demais interessantes. Após algumas afirmações, senti que elas eram muito profundas e resolvi tentar escrever um pouco do que ele falou.

A juventude, sem saudade

A juventude é uma idade, sem duvida nenhuma, para ser sempre lembrada com muita nostalgia. É um momento inesquecível, vibrante, romântico, emocionante e muitas vezes extremamente feliz.

Todos nós pessoas maduras, queremos de alguma forma perpetuar traços desta juventude. Alguns mais ousados recorrem a diversos recursos para conservar uma imagem que não reflita verdadeiramente a idade que possui. Com o advindo de muitas técnicas e experimentos, alem de medicações, tratamentos e cuidados, temos conseguido fisionomicamente retardar o fatídico envelhecimento.

Fora das questões da fisionomia e tratando da questão de sentimentos e felicidades, não tenho a mínima saudade de minha mocidade!

É uma fase feliz, vigorosa e criativa onde tudo é novo e absolutamente fresco. Reconheço que a mesma juventude cantada, louvada e tocante é também momentos repleto de lutas, duvidas, intranqüilidade nas buscas, anseios, desespero na busca por caminhos. Muitas vezes de privações e nunca livres de incertezas, ciúmes, competições, medos e rivalidades.

Vemos o tempo todo concorrentes na nossa corrida que precisamos vencê-los na busca de conseguir o que almejamos e queremos. Nas incertezas as perguntas onde vou? O que serei? O que terei?

Tantos sonhos e o que fazer para realizá-los?

Sinto que o melhor é saber que “talvez o melhor da juventude”, já passou.

A paz da maturidade

Sou um sessentão e adoro a idade que estou vivendo. Não corro mais atrás do vento. As buscas na sua maioria cessaram. Existe em mim a paz da certeza. A harmonia do que já sou. Cessou as buscas pelo infinito, as corridas em busca de sonhos irrealizáveis.

Estou em paz! Sigo em paz compreendendo o incompreensível. A sede já é mais saciável, os desejos já são saciados com mais prazer e harmonia. Os amores já são muito mais amados. A felicidade é desvestida das exigências da perfeição e ela vem sempre no tempo e na medida exata.

É como uma folha que se deixa levar pela corrente. A verdade é que sem saber quando ou mesmo sem poder definir uma idade especifica, para alguns antes, outros depois, em algum tempo tudo fica mais lento e começa a diminuir sua marcha, pousando suavemente sem pressa, dentro de cada um de nós. Felizmente tanto na natureza como nos seres humanos depois da tempestade vem a bonança, “talvez o melhor da juventude”é que já passou

O imenso rio caudaloso se transforma em um fluxo de paz e move-se lentamente quase sem sentir transforma-se em uma grandeza infinita, profunda e imensurável, que é o final de todas as viagens e para onde vão parar todos os rios: o mar. Esta etapa é a maturidade.

A maturidade é algo extraordinário: agora não estamos mais preocupados com as tendências ou mudanças que experimentam as novas gerações. Os jovens estão dobrando noites se debatendo para fazerem inovações naquilo que inovamos para eles.

Para muitos a geografia do caminho é amar, compreender e ir à busca sempre da luz que levará aos magnânimos conhecimentos dos desígnios de Deus e da vida e a grandeza da compreensão de que a vida é feita de momentos e o mais absoluto agora.

Agora o que era angustia é conforto. Saímos de muitas sombras e conhecemos mais intensamente a luz. Compreendi que o amor é a luz que apaga todas as escuridões, principalmente a do ódio, diluindo-o em claridades de ternura e comprenções.Agora veio devagar mais entendimento e foi embora o sentimento de que tudo conspira contra você.Temos mais forças para vencer os medos.Tudo o que vemos vem de forma calma como conhecimento.A escola atribulada da vida passa a ser mais alegre e feliz.Aprendemos a perder sem se sentir derrotados.Entendemos melhor que parte de nós é o que temos e a outra são sonhos e estamos voltados a construir sentimentos verdadeiros.Entendemos melhor que uma parte de Deus é amor e a outra também (karol Wjtyla)

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Edvaldo Paulo d Araújo
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