LIBERDADE RELIGIOSA NÃO SE NEGOCIA
A fé de ninguém pode ser transformada em arma contra a liberdade do outro
Há momentos em que o silêncio deixa de ser prudência e passa a ser cumplicidade. Diante da intolerância religiosa, este é um deles.
Não podemos assistir de braços cruzados à destruição de imagens, aos ataques contra igrejas, aos atos de violência contra terreiros e às agressões praticadas contra quem simplesmente deseja exercer sua fé. Isso não é opinião. Não é divergência. Não é liberdade de expressão. É intolerância — e intolerância religiosa precisa ser enfrentada.
“Nenhuma pessoa deve ser perseguida porque reza diante de uma imagem, entra em uma igreja, acende uma vela em um terreiro ou simplesmente decide não acreditar em Deus.”
Não aceito uma sociedade em que alguém seja perseguido porque reza diante de uma imagem, entra em uma igreja, acende uma vela em um terreiro, usa seus símbolos religiosos ou simplesmente decide não acreditar em Deus.
E não aceito também que a religião seja transformada em arma política.
Quando a fé vira instrumento de poder
Quando alguém tenta convencer a sociedade de que existe uma religião “do bem” e outras que precisam ser combatidas, abre-se uma porta perigosa. Quando adversários políticos são apresentados como inimigos da fé, a democracia começa a perder espaço para o fanatismo.
É preciso reagir.
Reagir contra toda forma de intolerância religiosa, venha ela de onde vier.
Reagir com a Constituição na mão, com a democracia como horizonte e com a coragem de dizer não a toda forma de intolerância religiosa, venha ela de onde vier.
Nenhuma maioria tem o direito de transformar sua crença em lei para todos. Nenhuma autoridade pode confundir governo com púlpito. Nenhum projeto de poder pode exigir que o cidadão abandone sua consciência para ser aceito.
A liberdade é de todos
Católicos, evangélicos, candomblecistas, umbandistas, judeus, espíritas, muçulmanos, outras tradições religiosas e aqueles que não professam fé alguma: todos somos iguais perante a liberdade.
Por isso, é hora de falar. É hora de denunciar. É hora de defender nossos templos, nossos terreiros, nossas imagens, nossas crenças e, sobretudo, o direito de cada pessoa existir sem medo.
Porque quem luta pela liberdade religiosa do outro não está defendendo apenas o outro.
Está defendendo a própria liberdade.
E diante da intolerância, não devemos baixar a cabeça.
Devemos permanecer de pé.
INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
DEMOCRACIA
DIREITOS HUMANOS
(Padre Carlos)




