Crônica · Política e Resenha

A Rosa
Há amores que chegam como vento, sem pedir licença, e há aqueles que Deus parece desenhar devagarinho dentro da alma. Eu não sei quando comecei a te amar. Talvez tenha sido antes mesmo de perceber que o teu sorriso já havia encontrado morada em mim. Talvez Deus tenha colocado teu nome em algum lugar secreto do meu coração e esperado que a vida me ensinasse a descobri-lo.
Quando te vejo, tenho a impressão de que a beleza não é apenas aquilo que os olhos contemplam. Ela é aquilo que permanece depois que os olhos se fecham. E tu permaneces. Permanece tua voz, teu jeito, a delicadeza dos teus gestos, essa luz que parece nascer de dentro e tocar tudo aquilo que está ao redor.
Palavras pequenas demais
Eu te amo com a humildade de quem sabe que certos sentimentos não podem ser explicados. Apenas sentidos. E talvez seja por isso que, tantas vezes, eu me calo. Porque há palavras pequenas demais para aquilo que sinto.
Eu poderia dizer que és bela, mas seria pouco. Poderia dizer que és especial, mas ainda seria pouco. Poderia dizer que és o meu sonho, mas até o sonho pareceria pequeno diante daquilo que meu coração imagina. Eu te vejo como quem contempla uma obra que não sabe explicar. E, diante de ti, sou apenas alguém agradecido por ter podido conhecer tamanha beleza.
O amor também conhece a espera
Mas o amor também conhece a espera. E esperar por alguém que amamos é carregar dentro do peito uma esperança que algumas vezes sorri e outras vezes dói. Eu já conheci essa dor. A dor de querer aproximar-me e não saber se devo. A dor de desejar uma resposta e encontrar apenas silêncio. A dor de imaginar futuros que talvez jamais aconteçam. Mesmo assim, não me arrependo de amar.
Porque amar também é acreditar que alguma coisa dentro de nós pode ser maior do que o medo.
Apenas verdade
Se um dia a vida permitir que nossas mãos se encontrem, eu não pedirei ao destino grandes promessas. Pedirei apenas verdade. Que possamos caminhar juntos sem máscaras, sem medo, sem precisar esconder aquilo que nossos olhos já disseram. E se um dia eu puder estar diante de Deus com tua mão entre as minhas, não precisarei pedir outra prova de felicidade. Direi apenas:
A oração do coração
Senhor, eu procurei a beleza em tantos lugares, mas descobri que ela não estava nas coisas. Estava em uma pessoa. Estava nela. E foi amando-a que compreendi que alguns sentimentos não nascem para ser explicados. Nascem para nos transformar.
Por isso, se algum dia me perguntares por que te amei tanto, talvez eu não saiba responder. Talvez apenas sorria. Porque há perguntas que o coração responde sem precisar de palavras. E tu foste, para mim, uma dessas respostas.
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Padre Carlos — colunista político — Política e Resenha



