
O Redesenho do Mapa Político de Conquista
Os números de 2022 e de 2026, lado a lado, mostram uma esquerda que mudou de comando interno, um centro que nasceu e uma direita que testou sua força.
As urnas de 2026 enviaram um recado inequívoco e transformador para o cenário político de Vitória da Conquista. O que antes parecia um xadrez previsível, dominado pela tradição e pelas forças históricas do Partido dos Trabalhadores (PT), revelou-se um tabuleiro em plena reconfiguração, cujos desdobramentos projetam de forma direta a disputa pela Prefeitura em 2028.
A tese deste artigo é simples e os gráficos a sustentam: entre 2022 e 2026, Conquista não perdeu o seu eleitorado de esquerda; mudou o comando dele. E, ao lado dessa mudança, surgiram um centro competitivo e uma direita com capacidade comprovada de transferir voto.
O Recuo do PT e a Emergência de Fabrício Falcão na Esquerda
A leitura dos resultados estaduais e municipais escancara um momento delicado para o PT conquistense. A perda do mandato parlamentar de Waldenor Pereira na Câmara dos Deputados — ao ficar na suplência estadual, apesar de ter mantido sua votação local estável em torno dos 33 mil votos — infligiu um duro golpe à hegemonia do partido na região. Paralelamente, Zé Raimundo, uma das maiores referências históricas da sigla na cidade, sofreu um encolhimento de 13,4% nas urnas locais em comparação com 2022, caindo de 32.009 para 27.715 votos.
Em contrapartida a esse enfraquecimento petista, o grande destaque do campo progressista atende pelo nome de Fabrício Falcão (PCdoB). O deputado estadual registrou um crescimento expressivo de 89,6% em Vitória da Conquista, saltando de 11.315 votos em 2022 para 21.456 em 2026. Esse desempenho não é mero acaso; reflete a consolidação de uma presença política contínua e coloca Fabrício, com inteira legitimidade, como o nome mais forte e credenciado para liderar a esquerda em 2028.
| Zé Raimundo PT |
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32.009 |
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27.715 | |
| Waldenor Pereira PT · valor aprox. |
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≈ 33 mil |
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≈ 33 mil | |
| Fabrício Falcão PCdoB |
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11.315 |
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21.456 | |
| Quinho PSD |
não disputou
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— |
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17.791 |
| Zé Raimundo PT |
−13,4% | ||
| Waldenor Pereira PT |
estável | ≈ 0% | |
| Fabrício Falcão PCdoB |
+89,6% |
| 73,9% | 26,1% |
| 56,4% | 43,6% |
| 2022 |
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20.694 |
| 2026 |
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6.259 |
O Centro Ganha Corpo com Quinho e o Espaço de Diálogo
Se a esquerda vive um momento de redistribuição de forças, o centro assiste à afirmação de uma nova alternativa: Quinho (PSD). Ex-prefeito de Belo Campo, Quinho fez sua estreia na disputa pela Assembleia Legislativa conquistando expressivos 17.791 votos apenas em Vitória da Conquista.
A capacidade de dialogar tanto com setores progressistas quanto com segmentos moderados transforma Quinho numa peça de alto valor estratégico para 2028. Ao sinalizar abertamente o seu interesse no Executivo conquistense, ele consolida uma via de centro-esquerda apta a atrair o eleitorado que busca alternativas fora do eixo tradicional.
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≈ 33 mil
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27.715
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21.456
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17.791
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| Waldenor Pereira |
Zé Raimundo |
Fabrício Falcão |
Quinho |
A Direita e o Peso da Prefeita Sheila Lemos
Do outro lado do espectro, a direita chega fortalecida pela memória da expressiva vitória nas eleições municipais de 2024, quando a prefeita Sheila Lemos alcançou 116.488 votos. Sheila consolida-se hoje como a maior liderança política e principal cabo eleitoral desse segmento em Vitória da Conquista.
A grande incógnita para a direita em direção a 2028 será a definição da sua engenharia sucessória. Resta saber a quem Sheila confiará o bastão do seu grupo político e como se dará a articulação com as demais forças da base aliada para manter a hegemonia no município.
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116.488
votos de Sheila Lemos na eleição municipal de 2024
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30%
da sua força eleitoral transferida ao candidato que apoiou em 2026
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Sheila saiu de 2026 com algo muito mais importante do que uma votação pessoal: experiência política.
Ela testou sua capacidade de articulação, expôs seu grupo a uma eleição estadual, mediu forças, identificou fragilidades e, principalmente, mostrou que ainda possui capacidade de transferência eleitoral. E isso acontece enquanto ela continua exercendo o mandato de prefeita.
Portanto, se existe uma leitura legítima a ser feita, ela é muito menos simplista. Sheila não perdeu uma eleição porque não disputou nenhuma. Ela foi o maior cabo eleitoral do seu campo e transferiu cerca de 30% da sua força eleitoral ao candidato que apoiou, e isso é um fato. Por isso, pode, sim, ser considerada uma das grandes vencedoras políticas de 2026.
O Cenário Aberto para 2028
O pleito de 2026 não apenas encerrou um ciclo, mas desenhou um mapa político inteiramente novo para Vitória da Conquista. A perda de tração do PT, a ascensão vertiginosa de Fabrício Falcão, a consolidação de Quinho no centro e a posição estratégica da prefeita Sheila Lemos no comando da direita indicam que a sucessão de 2028 será uma das mais abertas e dinâmicas da história recente da cidade.
1. A esquerda segue grande, mas o comando mudou: Fabrício passou de 26,1% para 43,6% do voto somado com Zé Raimundo.
2. O centro deixou de ser hipótese: Quinho estreou com 17.791 votos e já está colado na esquerda renovada.
3. A direita tem o maior capital individual da cidade (116.488 votos em 2024) e agora tem também a prova de que sabe transferir voto.



