Política e Resenha

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Reflexão · Fé · Legado : Rastros

Reflexão · Fé · Legado

Rastros

Por Edvaldo Paulo de Araújo

Nem todos serão lembrados pelo nome. Mas todos deixarão um rastro.

Rastro não é fama. Fama faz barulho e passa. Rastro é energia. É silencioso e fica.

O rastro de Jesus

Jesus Amado não escreveu livros. Não construiu monumentos. Caminhou pouco mais de 30 quilômetros de sandálias empoeiradas. E deixou um rastro tão puro, tão cheio de amor, que dois mil anos depois ainda nos guia quando estamos perdidos.

Penso sempre na grandeza de Jesus!

Ele podia ter nascido num palácio, ter vindo com exércitos e coroas. Escolheu uma manjedoura. Podia ter falado só com doutores e reis. Escolheu sentar com pecadores, com crianças, com leprosos que ninguém tocava.

A grandeza de Jesus não estava no poder que ele mostrava, mas no amor que ele não negava a ninguém.

Ele não precisou gritar para ser ouvido. Ele sussurrou com a atitude. E o mundo inteiro ouviu.

É por isso que o rastro dele é eterno. Porque não foi feito de pedra, foi feito de energia viva. A energia do perdão, da compaixão, do “vai e não peques mais” dito sem julgamento.

Imagina a época dele.

Não existia televisão, não existia jornal, não existia rádio, não existia internet, nem um cartaz na rua. Nenhuma imprensa falada ou escrita para espalhar o nome dele.

Acredito, e vejo isso acontecendo, que se fosse hoje, pelos olhos do mundo, ele seria um fracasso. Um homem anônimo do interior.

Mas a força que saía dele era tão grande, tão pura, que não precisava de autofalante nem microfone.

Quem o ouvia uma vez, nunca mais esquecia. Quem era tocado por ele, carregava aquela marca na alma para sempre. A mulher adúltera, o cobrador de impostos, o pescador simples… cada um que se encontrou com ele ficou marcado com aquele rastro de luz no seu coração.

Ramatis e a presença que silenciou a filosofia

Ao pesquisar sobre um filósofo da época, chamado Ramatis — naquele tempo um homem de muito estudo, de mente cética e curiosa —, soube que ele ouviu falar daquele carpinteiro que falava como nenhum outro.

Foi até ele e não para seguir, foi para questionar, para testar.

Mas bastou olhar nos olhos de Jesus, bastou sentir aquela vibração, aquela energia que não era do que ele conhecia e acreditava, para que toda a filosofia dele silenciasse.

Ele não encontrou um argumento. Ele encontrou uma presença.

E aquela marca ficou para todo o sempre. Atravessou séculos, atravessou vidas. Ramatis nunca mais foi o mesmo. Virou um trabalhador do Cristo para sempre. Ramatis sentiu o que muitos doutores não sentiram.

E nós, no nosso tempo?

Nós temos tudo que Jesus não teve. Temos celular, temos rede social, temos carro, temos voz que chega longe. E o que estamos deixando no nosso caminho, em nossos rastros?

Qual é o rastro que fica depois que passamos?

Quando saímos de uma conversa, a pessoa ficou mais leve ou mais pesada? Quando passamos por uma casa, deixamos paz ou deixamos perturbação? Quando alguém lembra do nosso nome, sente saudade ou sente alívio porque fomos embora?

Percebe? Todo dia estamos deixando rastro, querendo ou não.

Oro, trabalho, luto, mudo, para que meu rastro seja, pelo menos, parecido com o dele, mesmo pequeno.

Que o meu rastro seja o de quem escutou, de quem se importou com alguém que estava necessitando, que precisava falar. De quem perdoou, mesmo com o coração doendo. De quem ofereceu um copo d’água, um bom dia sincero, uma palavra de ânimo.

Luto e faço isso de maneira natural, para ser a diferença onde estiver. Não preciso de multidão para deixar meu rastro eterno. Preciso de verdade na minha alma.

Entendo que, ao final, não importa quanto caminho você percorreu. Importa que tipo de rastro você deixou nele.

Ninguém cruza o nosso caminho por acaso

Aprendi nas lições de Jesus a nunca ignorar quem cruza o meu caminho.

Um dia, pedalando com meu querido e saudoso Onildo Oliveira, que já partiu para a casa do Pai, ele me perguntou: “Amigo, por que toda pessoa que aparece no seu caminho você procura ajudar?”

Na hora, me veio uma luz na mente, algo que não era meu, era espiritual, e eu respondi a ele: “Onildo, é porque essa pessoa deve ter orado. Ela pediu a Deus com fé, e Deus, na sua sabedoria, mandou ela ao meu encontro. Porque Deus tinha certeza de que eu não ia negar ajuda.”

Ninguém cruza o nosso caminho por acaso. Quem nos procura, quem bate à nossa porta, quem nos pede um ouvido, um prato, uma palavra… foi Deus quem mandou. Foi a oração dele que o trouxe até nós.

Se Deus confiou essa pessoa a nós, como vamos negar? Nossas atitudes do dia a dia são a resposta que damos a Deus. É o nosso caminho e os rastros que estamos deixando perante a luz do nosso Deus amado. Cada ajuda que negamos é uma oração que deixamos sem resposta. Deixar um rastro de bondade e de servir é entender que ajudar não é um favor que fazemos, é uma missão que Deus nos confiou.

O rastro de cada um

Tudo na vida deixa rastro.

No final das contas, meu amado e minha amada, a vida não vai te perguntar quanto dinheiro você juntou, quantos diplomas você tem na parede ou quantos likes você ganhou.

A vida vai te mostrar o caminho que você percorreu e vai te perguntar:

OLHA O QUE FICOU.

Cada um de nós está deixando um rastro agora. Tem gente que deixa rastro de espinho. Onde passa, fere, divide, reclama, pesa o ambiente. E tem gente que deixa rastro de flor. Onde passa, perfuma. Mesmo que pisem nela, ela continua perfumando.

O rastro de Jesus foi de luz. O de Ramatis, depois que o encontrou, foi de sabedoria e serviço eterno.

Não deixe para deixar um rastro bonito amanhã. Deixe hoje. Na sua casa. No seu trabalho. No trânsito. No primeiro que cruzar seu caminho.

Porque no dia em que partirmos, não levamos nada. Mas o rastro… o rastro fica para sempre.

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Edvaldo Paulo de Araújo — Autor convidado — Política e Resenha