Política e Resenha

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O PSD baiano não pode ser esquecido na composição do novo governo Lula

Política Nacional · Bahia

O peso político da Bahia, a liderança de Otto Alencar e a contribuição decisiva do partido para a vitória presidencial precisam encontrar correspondência na Esplanada dos Ministérios.

Há uma questão que começa a merecer atenção nas conversas sobre a formação do próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: afinal, qual será o espaço reservado ao PSD da Bahia na nova arquitetura política do governo federal?

Os movimentos nacionais do Partido Social Democrático indicam que a legenda pretende preservar, no mínimo, três ministérios. A reivindicação não é desprovida de fundamento. O PSD tem uma bancada expressiva, presença territorial, influência sobre administrações municipais e capacidade de negociação no Congresso Nacional. Além disso, ocupa posição estratégica na sustentação política do governo.

Entretanto, quando observamos os nomes que começam a circular nas especulações sobre a futura Esplanada, uma ausência chama a atenção: ainda não se percebe um movimento suficientemente claro de reconhecimento da importância política do PSD baiano.

E essa ausência merece reflexão.

A Bahia não é um território eleitoral secundário. É um dos estados mais importantes para a sustentação do projeto político liderado por Lula. Sua contribuição para a vitória presidencial, especialmente no Nordeste, não pode ser tratada como um dado estatístico que se contabiliza na noite da apuração e depois se esquece durante a distribuição dos espaços de poder.

É preciso compreender que a política não se sustenta apenas com declarações de fidelidade, fotografias de campanha ou discursos de agradecimento. Ela exige reciprocidade, reconhecimento e capacidade de transformar força eleitoral em participação efetiva nas decisões nacionais.

Otto Alencar e a força política da Bahia

Nesse cenário, é impossível discutir o espaço do PSD sem considerar a liderança do senador Otto Alencar. Sua trajetória política, sua capacidade de articulação e sua participação na construção da vitória de Lula na Bahia conferem-lhe autoridade para participar dessa discussão em condições de protagonismo.

Otto não é apenas mais um dirigente partidário. É uma liderança com experiência parlamentar, trânsito institucional e conhecimento das engrenagens políticas de Brasília. Sua atuação ajudou a consolidar uma relação de confiança entre o PSD baiano e o projeto nacional conduzido pelo presidente Lula.

O senador compreendeu, em momentos decisivos, que a disputa presidencial ultrapassava os limites das conveniências partidárias. A vitória de Lula exigia alianças, mobilização e capacidade de reunir forças políticas em torno de um objetivo maior.

Por isso, seria um equívoco tratar a participação do PSD baiano como um capítulo encerrado com o resultado eleitoral.

A política tem memória, ou pelo menos deveria ter.

A Bahia não pode ser representada apenas pelos votos

Existe uma diferença fundamental entre reconhecer a importância eleitoral de um estado e reconhecer sua importância política na condução do governo.

A Bahia entregou uma contribuição expressiva ao projeto de reeleição de Lula. O PSD baiano participou desse processo, e sua liderança teve papel relevante na articulação política que ajudou a construir esse resultado.

Agora, quando se discute a distribuição dos ministérios, é legítimo perguntar: onde está a representação dessa força política?

Não se trata de defender uma distribuição de cargos baseada exclusivamente em critérios regionais, muito menos de transformar ministérios em moeda de troca. O que está em discussão é o reconhecimento de uma liderança partidária que possui densidade política, representação institucional e capacidade de contribuir para a governabilidade.

Se o PSD nacional reivindica a preservação de três ministérios, é natural que o PSD da Bahia também reivindique participação nessa construção.

Afinal, não seria razoável que a força nacional do partido fosse reconhecida enquanto uma de suas principais bases políticas permanecesse sem a devida consideração.

O PSD baiano precisa ocupar seu lugar na mesa

A discussão também coloca uma responsabilidade sobre o próprio partido na Bahia. Não basta esperar que Brasília reconheça espontaneamente sua importância. É necessário construir uma posição política, apresentar nomes, formular propostas e estabelecer uma interlocução objetiva com o presidente Lula e seus principais articuladores.

Otto Alencar tem autoridade para conduzir essa conversa.

O PSD baiano precisa demonstrar que não é apenas uma estrutura eleitoral a serviço de uma composição nacional, mas uma força política com projeto, quadros e capacidade administrativa para participar das decisões estratégicas do país.

A pauta da Bahia

A Bahia possui demandas históricas em infraestrutura, desenvolvimento regional, agricultura familiar, energia, mobilidade, saúde e integração econômica. Um representante do estado em uma pasta ministerial poderia contribuir para aproximar essas agendas das decisões do governo federal.

Não se trata de reivindicar um ministério por vaidade ou conveniência pessoal. Trata-se de compreender que a presença de lideranças baianas na Esplanada pode fortalecer a interlocução federativa e ampliar a capacidade de realização do governo.

Governabilidade também exige reconhecimento

Lula conhece a importância das alianças. Sabe que governar um país de dimensões continentais exige diálogo permanente com partidos, estados, bancadas parlamentares e lideranças regionais.

Mas alianças não podem funcionar como uma relação de mão única.

Quem participa da construção de uma vitória também precisa ser considerado na construção do governo. Não necessariamente por meio de uma recompensa automática, mas pelo reconhecimento de sua capacidade de contribuir para o projeto político e administrativo.

O PSD nacional tem razões para defender seus espaços. O MDB, o PDT e outras forças também apresentam suas reivindicações. Entretanto, seria um erro reduzir essa negociação a uma simples contabilidade de bancadas parlamentares, ignorando a contribuição política das lideranças estaduais.

O PSD da Bahia não pede licença para existir no cenário nacional. Tem história, tem representação e tem uma liderança que conquistou respeito no Senado e no conjunto da política brasileira.

O que falta, neste momento, é transformar esse peso político em presença efetiva na mesa de decisões.

Conclusão: a Bahia precisa ser lembrada antes que a composição esteja encerrada

A formação de um novo governo é sempre um exercício de equilíbrio. Lula precisa acomodar interesses, preservar alianças e construir uma base capaz de garantir estabilidade política e sustentação parlamentar.

Mas equilíbrio não significa invisibilidade.

O PSD baiano não pode assistir passivamente à discussão sobre a distribuição dos espaços de poder enquanto os nomes nacionais são apresentados e as negociações avançam. É hora de colocar a contribuição da Bahia na mesa, com a autoridade de quem participou da caminhada e ajudou a construir o resultado.

Otto Alencar conhece os caminhos dessa negociação. Conhece o peso do partido, a realidade da Bahia e a importância de manter abertas as pontes com o Palácio do Planalto.

A questão, portanto, não é simplesmente quantos ministérios o PSD terá. É saber se a participação da Bahia será reconhecida na distribuição dessa responsabilidade nacional.

Porque há uma verdade que não deveria escapar aos articuladores do governo: a Bahia não pode ser lembrada apenas quando seus votos são necessários. Precisa também ser reconhecida quando chega a hora de compartilhar as responsabilidades e participar das decisões.

E, nesse debate, o PSD baiano tem legitimidade para reivindicar seu lugar.

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Padre Carlos

Teólogo, filósofo e colunista político — Política e Resenha

A gênese do poder é a verdade.