POR PADRE CARLOS
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Globo montou o cenário perfeito. Um púlpito vazio, iluminação teatral, perguntas prontas e um adversário que, por contrato, não podia responder. Lula faltou? Critiquem-no à vontade. Mas transformar ausência em espetáculo de interrogatório virtual já é outra categoria de criatividade jornalística.
Aí o TSE proíbe o móvel identificado e as perguntas ao fantasma. Gilmar manda incluir Renan. Flávio também some. De repente o roteiro desaba. Solução elegante da emissora: cancela tudo, invoca “insegurança jurídica” e “interferência indevida” e entrega o Judiciário no banco dos réus.
Repare na prestidigitação. Quem decidiu não realizar o programa foi a própria Globo. Quem recebe a conta pública é o Supremo. O púlpito que deveria constranger o presidente ausente acabou iluminando o organizador.
Em vez de discutir por que Lula não foi, o país passou a discutir por que a liberdade de imprensa da emissora dependia tanto daquele formato específico.
As regras e o espantalho
A Lei das Eleições permite debate sem o candidato, desde que o convite tenha sido feito. As regras assinadas pelos partidos (inclusive o PT) existem, mas não são território sagrado imune a controle judicial. Decisão de ministro não é plenário do STF. TSE não é STF. Detalhes chatatos, eu sei. O espantalho institucional fica pronto muito mais rápido.
Queriam um púlpito vazio para Lula. Acabaram oferecendo um belo palanque aos que odeiam a Corte. Trabalho limpo.
#Globo
#STF
#Debate
#Manipulação
— Padre Carlos




