Por Padre Carlos
Uma conversa informal com um leitor assíduo do blog e amigo de longa data me fez refletir sobre os rumos da política em Vitória da Conquista. Com a naturalidade de quem conhece bem o cenário local, ele me disse: “Companheiro, dos estaduais de conquista hoje, Fabrício caminha para ser o mais bem votado, viu? Fabrício vai sair daqui de conquista com 20.000 votos. O senhor pode escrever aí: Não criou problema com a prefeita, patrocinou tudo quanto foi evento que teve na cidade, presente em tudo. Então, Fabrício tem tudo para ser o estadual mais bem votado do município de Vitória da Conquista. Só em conquista, viu? 20.000 Fabrício vai sair. De 19 a 20.”
Devo admitir que meu amigo tem toda razão. O deputado Fabrício soube navegar pelas águas turbulentas da política contemporânea com uma estratégia que parece cada vez mais rara nos dias de hoje: a construção de pontes ao invés de muros.
O Pragmatismo Como Virtude
Em tempos onde a polarização política se tornou quase uma regra não escrita, assistimos a um fenômeno interessante em nossa cidade. Enquanto muitos políticos se engessam em posicionamentos extremos, apostando na radicalização como forma de mobilizar suas bases, Fabrício escolheu um caminho diferente: o da política como arte do possível.
Não criar problemas com a gestão municipal, estar presente nos eventos da cidade, patrocinar iniciativas locais – essas podem parecer ações óbvias para um político, mas a realidade nos mostra que não são. Quantas vezes não vemos representantes que preferem o confronto constante, acreditando que a oposição sistemática é sinônimo de protagonismo político?
A Quebra de um Ciclo
O que torna essa análise ainda mais relevante é o contexto histórico. Por quase 25 anos, Vitória da Conquista manteve uma hegemonia petista na representação estadual. Não se trata aqui de fazer juízo de valor sobre essa trajetória, mas de reconhecer que qualquer mudança nesse cenário representa uma transformação significativa no mapa político local.
A perspectiva de que Fabrício possa desbancar essa tradição não surge do acaso. Ela reflete uma estratégia política madura, que compreende que governabilidade e representatividade efetiva passam, necessariamente, pela capacidade de diálogo com diferentes forças políticas.
Lições de uma Política Madura
O caso em questão nos oferece algumas reflexões importantes sobre o fazer político contemporâneo. Primeiro, demonstra que ainda há espaço para uma política menos beligerante, mais focada na construção de consensos e na solução de problemas concretos da população.
Segundo, evidencia que o eleitor conquistense, como em muitas outras cidades brasileiras, parece valorizar mais a presença efetiva e o trabalho conjunto do que os embates ideológicos. Isso não significa despolitização, mas sim uma demanda por uma política mais pragmática e menos centrada em disputas partidárias.
O Valor da Presença
Há algo simbolicamente poderoso na observação do meu amigo sobre Fabrício estar “presente em tudo”. Em uma era de políticos virtuais, que governam pelas redes sociais e se relacionam com o eleitorado através de algoritmos, a presença física, o comparecimento aos eventos locais, o envolvimento direto com a vida da cidade ganham um valor diferenciado.
Essa presença constante não é apenas uma estratégia eleitoral – embora obviamente tenha esse componente. Ela representa uma compreensão de que a política é, antes de tudo, um exercício de representação, e que representar implica conhecer, participar, estar junto.
Conclusão: A Política Possível
Independentemente dos resultados eleitorais que ainda estão por vir, a trajetória descrita pelo meu amigo aponta para algo que talvez seja mais importante que qualquer vitória individual: a demonstração de que é possível fazer política de forma diferente.
Em tempos de tanta descrença nas instituições e no próprio exercício político, exemplos como esse nos lembram que a política pode ser, sim, um instrumento de construção coletiva. Não se trata de ingenuidade ou de despolitização, mas da compreensão de que, no final das contas, o que importa são os resultados concretos para a população.
A conversa informal com meu amigo, portanto, me deixou uma reflexão que vai além do cenário eleitoral local: talvez seja hora de repensarmos nossa forma de fazer e cobrar política, privilegiando mais a capacidade de diálogo e construção do que a habilidade de confronto e destruição.
Afinal, como bem observou meu interlocutor, quem não cria problemas, mas ajuda a resolver, tem tudo para conquistar não apenas votos, mas principalmente a confiança da população. E isso, convenhamos, é o que deveria ser o verdadeiro objetivo de qualquer representante político.





