Política e Resenha

ARTIGO – A Bahia Não Pode Abrir Mão de Rui Costa: A Lógica da Responsabilidade e o Risco da Loucura

 

(Padre Carlos)

Há momentos na história política de um Estado em que o bom senso precisa falar mais alto do que o orgulho e a vaidade. A Bahia vive um desses momentos. A eventual saída de Rui Costa da Casa Civil seria, para o governo federal e sobretudo para o Nordeste, uma perda estratégica de proporções incalculáveis. Não podemos — por caprichos pessoais ou por projetos eleitorais antecipados — abrir mão de um dos cargos mais importantes do governo Lula, ocupado por um dos mais experientes e articulados líderes baianos da atualidade.

Rui Costa não está na Casa Civil por acaso. Sua presença no centro das decisões nacionais é resultado de uma trajetória marcada pela eficiência, lealdade política e pela capacidade de gestão que o tornou uma referência nacional. A Bahia, com sua força simbólica e política, ganha representatividade quando tem um dos seus na linha de frente do governo federal. Perder essa cadeira seria o mesmo que rasgar um bilhete premiado em nome de um impulso emocional.

Não se trata aqui de idolatria política, mas de estratégia e responsabilidade. Quando Rui afirma que “as conversas serão intensificadas na virada do ano” e que “a decisão será coletiva”, ele envia uma mensagem clara: há consciência do peso da sua função e das consequências que uma mudança precipitada poderia causar.

A Casa Civil é mais do que um ministério — é o coração político do governo. É dali que se coordenam projetos, se desenham estratégias, se costuram alianças e se traduzem em prática as diretrizes do presidente. Entregar esse cargo, neste momento delicado, seria como abandonar o leme em meio a uma tempestade, e a Bahia não pode se dar a esse luxo.

Há quem defenda a substituição em nome de reacomodações internas, de supostas “renovações”, ou até de ajustes eleitorais para 2026. Mas política não é campo de vaidades, é terreno de responsabilidade. Se não há consenso em torno do nome de Ângelo Coronel, que se converse com Otto Alencar, que se busque uma solução dentro do grupo, mas jamais fora dele. Abrir mão da Casa Civil por divergências internas seria uma irresponsabilidade política que beira a loucura.

Rui representa, hoje, uma ponte entre o Planalto e o Nordeste, entre a técnica e a sensibilidade social. Sua permanência é garantia de que a Bahia continuará com voz ativa nas decisões de Brasília, e que o projeto de reconstrução do país seguirá com equilíbrio.

A política exige grandeza — e grandeza é saber preservar o que é essencial. Que o grupo político da Bahia saiba compreender isso a tempo. Porque perder Rui na Casa Civil não seria apenas perder um ministro — seria permitir que o ego derrotasse a razão, e que a Bahia deixasse escapar uma das suas mais poderosas vozes no cenário nacional.