Política e Resenha

ARTIGO – Conquista quer ser ouvida: a chapa de 2026 precisa escutar outras vozes

 

 

(Padre Carlos)

A fala do ex-prefeito de Salvador e atual vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, nesta sexta-feira (6), no Aeroporto Glauber Rocha, agitou o tabuleiro político baiano. Ao mencionar a prefeita Sheila Lemos como nome possível para uma composição majoritária nas eleições de 2026, ao lado de Zé Cocá, prefeito de Jequié, ACM reacende uma discussão necessária, mas que precisa de sensibilidade, sobretudo em Vitória da Conquista.

Sheila Lemos é, sem dúvida, uma liderança em ascensão. Carrega a legitimidade das urnas e vem, com sua gestão, buscando equilibrar avanços e desafios herdados. Sua lembrança para uma chapa ao governo estadual é um reconhecimento de peso. A prefeita deve se sentir honrada – e com razão – por ser vista como uma liderança estadual relevante. A Bahia precisa de novas vozes, de quadros renovados, com base sólida nos territórios onde atuam.

No entanto, há um outro lado da moeda que precisa ser colocado na mesa: Conquista também quer concluir um ciclo. Sheila está iniciando agora seu segundo mandato e há muito a ser feito. Sair antes do tempo é quebrar uma promessa feita nas urnas, e o eleitor conquistense sabe reconhecer os que ficam até o fim. A política precisa reencontrar o valor da palavra empenhada.

Além disso, há lideranças no próprio grupo político que devem ser consideradas, caso o nome de Conquista seja mesmo colocado na mesa para compor a chapa estadual. O vice-prefeito, o Dr. Aloisio, figura respeitada pela sua trajetória e equilíbrio. O Coronel Ivanildo, atual secretário com forte base moral e social, e o vereador Ivan Cordeiro, presidente da Câmara Municipal, liderança jovem com presença firme e capacidade de articulação. São nomes que não apenas têm experiência, mas representam diferentes setores da sociedade conquistense.

A gratidão de Conquista à lembrança é real. Mas essa gratidão não pode significar silêncio. É preciso ponderar. É preciso avaliar o momento. A cidade quer seguir avançando sob a liderança de quem escolheu nas urnas. E a política estadual precisa respeitar isso.

Portanto, que o União Brasil ouça os ecos que vêm do sudoeste. Sheila, sim, é uma peça importante, mas o xadrez político exige cautela, escuta e visão de conjunto. Que se valorizem os quadros da cidade, mas que se respeite também o tempo da gestão, o pacto com o eleitor e o sentimento da população.

Vitória da Conquista agradece a lembrança, mas pede: escutem suas outras vozes.