
Por Padre Carlos
A sucessão municipal de 2028 em Vitória da Conquista começa, ainda discretamente, a ganhar contornos mais definidos. Embora o foco do grupo governista esteja concentrado nas eleições estaduais de 2026, os movimentos de bastidores revelam que a construção do futuro já começou. E um nome desponta com força crescente: o do coronel Ivanildo da Silva, chefe da Casa Civil do município. A declaração feita durante encontro político com lideranças estaduais, ao afirmar, em tom de brincadeira, que faltava a foto “do próximo vice-governador da Bahia com o próximo prefeito de Vitória da Conquista”, foi interpretada como um sinal claro de que seu nome entrou definitivamente no radar da sucessão.
Na política, raramente uma frase é apenas uma frase. Quando dita em público, diante da prefeita Sheila Lemos, de Zé Cocá e de outras lideranças, ela ganha peso político. Ainda mais quando os bastidores apontam que Sheila Lemos vê em Ivanildo um nome de confiança para dar continuidade ao projeto administrativo iniciado em seu governo.
O cenário político de Vitória da Conquista também mudou. O afastamento do Dr. Alan e do segmento mais identificado com a utra direita, somado ao fortalecimento da pré-candidatura a deputada estadual da vereadora Dra. Lara — esposa do vice-prefeito — altera o equilíbrio interno do grupo governista. Esse rearranjo abre espaço para uma candidatura com perfil mais moderado, capaz de dialogar com diferentes setores da sociedade, sem se prender aos extremos ideológicos.
Essa característica, aliás, combina com o próprio eleitorado conquistense.
É um erro imaginar que a vitória de Sheila Lemos foi construída exclusivamente sobre votos ideologicamente polarizados. Os resultados eleitorais demonstram justamente o contrário. Vitória da Conquista já mostrou diversas vezes que sabe separar as disputas nacionais das escolhas locais. Não por acaso, o município já deu vitórias tanto a Lula quanto a ACM Neto em eleições distintas. Isso evidencia um eleitor pragmático, menos preso às narrativas nacionais e mais atento à capacidade de gestão e à credibilidade dos candidatos.
Nesse contexto, o coronel Ivanildo apresenta um perfil interessante. Sua longa carreira na Polícia Militar, sua atuação no comando do policiamento regional e, mais recentemente, sua função estratégica na Casa Civil, fizeram dele um articulador político e administrativo, acumulando experiência na condução da máquina pública e na interlocução entre governo, Câmara e sociedade.
Naturalmente, ainda é cedo para afirmar que será o candidato governista. A política é dinâmica e novas variáveis certamente surgirão até 2028. Entretanto, ninguém constrói uma candidatura apenas no último ano de mandato. Os nomes precisam ser apresentados à população, testados politicamente e amadurecidos ao longo do tempo.
A eventual candidatura de Ivanildo também representaria uma mudança interessante de perfil na política conquistense. Depois de anos em que médicos, empresários e políticos tradicionais dominaram as principais disputas, um gestor com trajetória ligada à segurança pública e à administração municipal poderia representar uma nova narrativa para o grupo governista.
Mais do que um candidato da direita ou da esquerda, Ivanildo parece caminhar para ocupar o espaço do centro político, exatamente onde hoje se encontra boa parte do eleitorado conquistense. E, em tempos de polarização nacional, talvez seja justamente esse o terreno onde as próximas eleições municipais serão decididas.
A fotografia tirada na churrascaria pode ter sido apenas um registro de um encontro político. Mas, na política, fotografias também contam histórias. E algumas delas começam muito antes do primeiro voto ser depositado na urna.




