
Por Padre Carlos
A política da Bahia mudou. Antes era briga aberta, discurso forte, palanque quente. Hoje parece mais jogo silencioso. Não é só disputa por voto. É estratégia, conversa de bastidor, ligação de última hora. Lembra muito a Guerra Fria: ninguém declara guerra, mas todo mundo está se vigiando.
Não tem tanque na rua. Tem prefeito sendo disputado.
Não tem bomba. Tem acordo fechado atrás de porta.
E quem conquista mais aliados sai dizendo que já está ganhando — mesmo antes do povo votar.
A corrida pelos prefeitos
O governador Jerônimo Rodrigues começou a atrair prefeitos de cidades pequenas e médias. Cada apoio que aparece ao seu lado vira manchete e passa uma mensagem clara: “estamos crescendo”.
E política é muito sobre imagem. Quando um prefeito muda de lado, o recado é direto: alguém está perdendo força.
O movimento mais comentado foi a tentativa de aproximação com o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, o segundo maior colégio eleitoral do estado. Feira tem peso. Quem controla Feira ganha força no interior.
Mas o prefeito foi cauteloso. Disse que só fala em março. E esse silêncio vale ouro. Em política, saber a hora de falar é poder.
O contra-ataque
Do outro lado, ACM Neto não ficou parado. Se Jerônimo avança, ele reage. A aproximação com o senador Angelo Coronel é uma resposta clara: o jogo está longe de estar decidido.
Além disso, Neto tenta fortalecer seu grupo trazendo lideranças como Quinho, que tem influência no interior. É uma disputa constante. Um puxa de lá, o outro puxa de cá.
E assim a política vai virando uma troca de aliados, quase como time de futebol contratando jogador do rival.
Fidelidade ou oportunidade?
Mas tem um detalhe importante: esses prefeitos e lideranças também sabem jogar. Eles aproveitam que estão sendo disputados. Valorizam o passe. Negociam apoio, espaço, recursos.
Não são inocentes. Sabem que, quando dois lados brigam por você, seu valor aumenta.
O eleitor, porém, observa. E pergunta: é fidelidade mesmo ou é conveniência?
No fim, quem decide é o povo
Pode ter articulação, pode ter foto, pode ter anúncio de apoio. Mas nada disso garante vitória. Quem decide é o eleitor.
A política pode tentar mostrar que já ganhou antes do tempo. Pode criar clima de vitória. Mas a decisão só acontece na urna.
Se existe uma “guerra fria” na Bahia, ela termina no dia da eleição.
E ali não vence quem juntou mais prefeitos.
Vence quem conseguiu convencer o povo.
Porque, no fim das contas, na Bahia — como sempre foi — o voto é soberano.




