A política baiana vive, mais uma vez, um momento de tensão e leitura entrelinhas. A declaração do deputado federal Márcio Marinho, presidente do Republicanos na Bahia, de que o PT estaria “vendido” ao PSD, lança luz sobre um ponto que já vinha sendo sussurrado nos bastidores: o peso do PSD no tabuleiro do poder estadual.
Quando Marinho afirma que, “se o PT não fizer tudo o que o PSD quer, a eleição para o governo da Bahia estará perdida”, não se trata apenas de retórica. Ele traduz em linguagem futebolística uma realidade cristalina: o PT, que por quase duas décadas conseguiu conduzir o governo baiano, hoje depende do aliado para seguir no comando. O “vendido” que ele repete não é sobre corrupção ou escândalo moral, mas sobre dependência política.
O senador Otto Alencar, líder do PSD no estado, e o senador Ângelo Coronel representam não só a força do partido, mas também a necessidade de composição. O PSD, que há tempos ocupa papel de protagonista, tornou-se o fiel da balança. Sem o PSD, é “caixão e vela”, como reforçou o parlamentar.
O governo sabe disso e, mesmo em meio às especulações sobre saídas e rearranjos, a realidade é pragmática: não há espaço para rupturas no curto prazo. O PT não abrirá mão de garantir a presença de Coronel na chapa, tampouco de manter Otto como aliado. O custo da independência seria alto demais — a derrota nas urnas.
É nesse contexto que se desenha a eleição de 2026. O PT na Bahia, que já foi dono absoluto do jogo, precisa hoje se curvar às exigências do PSD para manter o placar a seu favor. Márcio Marinho apenas verbalizou aquilo que todo articulador político já sabe: a aliança com o PSD não é uma opção, é uma questão de sobrevivência.
O discurso de Marinho pode soar provocativo, mas cumpre seu papel de chamar atenção para o óbvio: a hegemonia petista na Bahia está fragilizada, e a cada eleição será necessário negociar mais, ceder mais e depender mais. Afinal, na linguagem da política, como no futebol, há jogos que só se ganham com o craque certo em campo.
E, por ora, o craque chama-se PSD.





