
(Padre Carlos)
A política baiana é rica em lições que se repetem porque os caciques insistem em não aprender. Uma dessas lições foi dada em 2006, quando a famosa “chapa puro sangue”, composta por Paulo Souto, Cláudio Tinoco e Rodolpho Tourinho, foi imposta ao eleitorado como uma fórmula de força e fidelidade partidária. Mas a arrogância política tem seu preço — e o povo, quando não é ouvido, responde nas urnas.
O ex-governador Paulo Souto desejava contar com Geddel Vieira Lima na chapa, e chegou a costurar essa aliança com Antônio Carlos Magalhães, o patriarca da política baiana. Gedé, como era chamado, representava uma força política expressiva, com base sólida no interior e nas elites emergentes. Mas ACM vetou a presença de Geddel, preferindo manter a chapa no estreito do DEM. Resultado: veio Jaques Wagner com a esperança lulista e desbancou o império carlista.
Foi ali que a “chapa puro sangue” virou sinônimo de surdez política. Um projeto hermético, fechado em si mesmo, e incapaz de dialogar com os ventos de mudança que sopravam do Planalto. Quando se exclui por vaidade ou rancor, não se constrói aliança — se cava derrota.
Como diz um velho ditado do sertão: “Uma pedra maior, mais brilhante que o diamante, nem metal tão querido como ouro, nem tristeza maior de que o choro, não existe acusado sem defesa, nem pecado maior que a avareza.” Naquela eleição, houve brilho demais, ego demais, ouro demais — e sensatez de menos.
A política não é corrida de raça pura. É trançado de diferenças, mistura de interesses, composição de forças. A vitória de Wagner foi menos um sucesso da esquerda do que um erro crasso da direita, que preferiu manter o sangue puro a abrir o coração do eleitor.
Aprender com 2006 é urgente. Porque chapa puro sangue, quando cansa, sangra.




