Política e Resenha

ARTIGO – O banqueiro que nada sabia, nada viu e nada lembra

 

 

(Padre Carlos)

Há momentos em que a realidade brasileira abandona qualquer pudor e decide flertar com o teatro do absurdo. O depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal é um desses episódios em que o país, cansado, se pergunta se deve rir, chorar ou simplesmente pedir um uísque importado — de preferência o mesmo servido à beira da piscina da mansão onde a memória parece evaporar mais rápido que o gelo no copo.

O dono do Banco Master, acusado de operar carteiras de crédito que somam módicos R$ 12,2 bilhões, diz não saber quais créditos eram bons, quais eram ruins, quais existiam e quais talvez tenham brotado por geração espontânea. Não sabia. Não lembra. Não dominava. Não aprofundou. É o banqueiro da ignorância seletiva, um novo personagem do capitalismo tropical: administra bilhões, mas não entende os detalhes; comanda instituições financeiras, mas não distingue crédito podre de crédito saudável; circula entre políticos, mas não recorda quem frequentava sua casa.

A pergunta feita a Vorcaro, convenhamos, é quase infantil. Esperar que alguém produza prova contra si mesmo é desconhecer o básico do direito e da natureza humana. Ninguém facilita a própria condenação. Ninguém confessa crimes com a mesma naturalidade com que escolhe o rótulo do uísque. A ingenuidade não está na resposta do banqueiro — esta é previsível —, mas no ritual que finge surpresa diante dela.

O que realmente importa não é o que Vorcaro diz não saber, mas o que o Estado precisa descobrir. Cabe ao Banco Central, ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e aos técnicos do governo separar ficção de contabilidade, narrativa de balanço, encenação de fraude. Cabe às instituições proteger o sistema financeiro nacional, os correntistas, o Fundo Garantidor, os brasileiros que não têm mansão, nem piscina, nem tempo para esquecer seletivamente.

Porque há algo profundamente indecente na imagem que se forma: enquanto investigações apontam CPFs espalhados pelo país, associações de servidores do Rio de Janeiro sem lastro financeiro e créditos que não encontram movimentação compatível, o protagonista dessa história desfruta do conforto absoluto. O luxo, nesse caso, não é apenas material; é também moral. O luxo de tratar a justiça com desdém educado, de responder com frases polidas e vazias, de ironizar o país com a serenidade de quem sabe que o tempo, muitas vezes, trabalha a favor dos poderosos.

Vorcaro diz que a operação “não existiu”. Não houve pagamento. Não houve venda. Não houve crime. Curioso: não existiu, mas inflou balanço; não existiu, mas virou carteira bilionária; não existiu, mas mobilizou Banco Central, STF, PF e MPF. É o milagre financeiro da inexistência produtiva — nada aconteceu, mas aconteceu em escala suficiente para ameaçar a estabilidade do sistema.

O mais irônico é que, nesse roteiro requentado, todos parecem saber exatamente o que dizer. O banqueiro não sabia. O parceiro não entregou documentos. A consultoria atrasou. A transação foi desfeita. Tudo muito limpo, tudo muito técnico, tudo muito elegante. Sujo mesmo é apenas o impacto social, a desconfiança pública, o sentimento de que existe um Brasil para quem presta contas e outro para quem apenas presta depoimentos.

Enquanto isso, o cidadão comum assiste. Assiste ao sarcasmo involuntário de um sistema onde bilhões evaporam em “contas escrow”, onde títulos podres circulam como se fossem ativos respeitáveis, onde a memória falha sempre no ponto exato em que começa a responsabilidade.

O problema não é Vorcaro dizer que não sabe. Isso era esperado. O problema é o país se acostumar a aceitar que quem não sabe, não lembra e não domina continue gozando da impunidade com vista para a piscina. A justiça brasileira não pode ser apenas um cenário distante observado da varanda. Ou ela atravessa o portão das mansões, ou continuará sendo motivo de ironia amarga — fina, elegante e requentada — para um povo que já perdeu a paciência com esse teatro de esquecimentos convenientes.

ARTIGO – O banqueiro que nada sabia, nada viu e nada lembra

 

 

(Padre Carlos)

Há momentos em que a realidade brasileira abandona qualquer pudor e decide flertar com o teatro do absurdo. O depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal é um desses episódios em que o país, cansado, se pergunta se deve rir, chorar ou simplesmente pedir um uísque importado — de preferência o mesmo servido à beira da piscina da mansão onde a memória parece evaporar mais rápido que o gelo no copo.

O dono do Banco Master, acusado de operar carteiras de crédito que somam módicos R$ 12,2 bilhões, diz não saber quais créditos eram bons, quais eram ruins, quais existiam e quais talvez tenham brotado por geração espontânea. Não sabia. Não lembra. Não dominava. Não aprofundou. É o banqueiro da ignorância seletiva, um novo personagem do capitalismo tropical: administra bilhões, mas não entende os detalhes; comanda instituições financeiras, mas não distingue crédito podre de crédito saudável; circula entre políticos, mas não recorda quem frequentava sua casa.

A pergunta feita a Vorcaro, convenhamos, é quase infantil. Esperar que alguém produza prova contra si mesmo é desconhecer o básico do direito e da natureza humana. Ninguém facilita a própria condenação. Ninguém confessa crimes com a mesma naturalidade com que escolhe o rótulo do uísque. A ingenuidade não está na resposta do banqueiro — esta é previsível —, mas no ritual que finge surpresa diante dela.

O que realmente importa não é o que Vorcaro diz não saber, mas o que o Estado precisa descobrir. Cabe ao Banco Central, ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e aos técnicos do governo separar ficção de contabilidade, narrativa de balanço, encenação de fraude. Cabe às instituições proteger o sistema financeiro nacional, os correntistas, o Fundo Garantidor, os brasileiros que não têm mansão, nem piscina, nem tempo para esquecer seletivamente.

Porque há algo profundamente indecente na imagem que se forma: enquanto investigações apontam CPFs espalhados pelo país, associações de servidores do Rio de Janeiro sem lastro financeiro e créditos que não encontram movimentação compatível, o protagonista dessa história desfruta do conforto absoluto. O luxo, nesse caso, não é apenas material; é também moral. O luxo de tratar a justiça com desdém educado, de responder com frases polidas e vazias, de ironizar o país com a serenidade de quem sabe que o tempo, muitas vezes, trabalha a favor dos poderosos.

Vorcaro diz que a operação “não existiu”. Não houve pagamento. Não houve venda. Não houve crime. Curioso: não existiu, mas inflou balanço; não existiu, mas virou carteira bilionária; não existiu, mas mobilizou Banco Central, STF, PF e MPF. É o milagre financeiro da inexistência produtiva — nada aconteceu, mas aconteceu em escala suficiente para ameaçar a estabilidade do sistema.

O mais irônico é que, nesse roteiro requentado, todos parecem saber exatamente o que dizer. O banqueiro não sabia. O parceiro não entregou documentos. A consultoria atrasou. A transação foi desfeita. Tudo muito limpo, tudo muito técnico, tudo muito elegante. Sujo mesmo é apenas o impacto social, a desconfiança pública, o sentimento de que existe um Brasil para quem presta contas e outro para quem apenas presta depoimentos.

Enquanto isso, o cidadão comum assiste. Assiste ao sarcasmo involuntário de um sistema onde bilhões evaporam em “contas escrow”, onde títulos podres circulam como se fossem ativos respeitáveis, onde a memória falha sempre no ponto exato em que começa a responsabilidade.

O problema não é Vorcaro dizer que não sabe. Isso era esperado. O problema é o país se acostumar a aceitar que quem não sabe, não lembra e não domina continue gozando da impunidade com vista para a piscina. A justiça brasileira não pode ser apenas um cenário distante observado da varanda. Ou ela atravessa o portão das mansões, ou continuará sendo motivo de ironia amarga — fina, elegante e requentada — para um povo que já perdeu a paciência com esse teatro de esquecimentos convenientes.

ARTIGO – (Aniversário de Jonas Paulo: quando a memória se recusa a envelhecer)

 

 

(Padre Carlos)

Há aniversários que pedem bolo. Outros pedem silêncio. Alguns, raros, exigem memória. O de hoje é desses. Porque celebrar o aniversário de Jonas Paulo não é apenas somar anos à vida de um amigo — é confrontar o tempo com a pergunta que ele prefere evitar: o que fizemos com os nossos sonhos?

Permita-me falar baixo, quase num sussurro. Porque há nomes que não se dizem em voz alta sem antes ajeitar o coração. Conheci Jonas nos anos de chumbo, quando a ditadura militar transformava sonhos em pesadelos e a esperança cobrava sangue como taxa de sobrevivência. Era um tempo em que cada palavra precisava ser medida, cada gesto calculado, cada olhar carregava o risco da denúncia. E mesmo assim — ou talvez por isso — Jonas já era referência. Não pela retórica inflamada, mas pela coerência silenciosa. Ele já havia entendido que a história não perdoa os que se omitem.

Há algo profundamente comovente — e pedagogicamente essencial — em testemunhar uma vida inteira que não precisou ser corrigida em capítulos posteriores. Jonas Paulo não é uma biografia fragmentada, remendada por conveniências eleitorais ou revisões oportunistas. Sua trajetória é uma linha contínua de compromisso radical com o povo brasileiro. Da luta armada contra a ditadura aos campos de Angola, onde internacionalizou sua solidariedade revolucionária; da fundação da CUT, que devolveu dignidade política ao trabalhador brasileiro, à construção do PT, aquele partido que um dia sonhamos como instrumento de emancipação popular — Jonas esteve presente em cada trincheira onde a história exigiu coragem.

Esse percurso não é apenas político. É ético. E aqui reside sua força simbólica. Jonas nos ensina, com a própria vida, que política sem memória histórica vira mera administração do cotidiano. Gestão sem horizonte. Poder sem projeto. Seu aniversário, portanto, não é apenas uma celebração pessoal. É um lembrete coletivo: sem memória, a democracia apodrece por dentro.

Hoje, quando os calendários avançam e os aniversários se acumulam, somos obrigados a reconhecer um dado incômodo — e factual. A geração da utopia está partindo. Aquela juventude forjada no enfrentamento direto ao regime militar, que aprendeu da forma mais cruel que a democracia não é um dado natural, mas uma conquista histórica, começa a se despedir do picadeiro da vida. E a pergunta que fica ecoando é dura: quem está assumindo o bastão?

Somos, cada vez mais, prisioneiros do presente. Um presente acelerado, imediato, governado por algoritmos, métricas e urgências materiais. A nova geração — sufocada por demandas reais e concretas — parece incapaz de produzir novas narrativas utópicas. O futuro encolheu. O horizonte ficou curto. A política virou gestão do possível mínimo, não construção do necessário.

Talvez a música de um compositor cearense — daquelas que atravessam o tempo com melancolia e lucidez — sirva como pano de fundo para essa travessia. Ela nos ajuda a viajar do passado ao presente e perceber que a memória coletiva não é nostalgia: é ferramenta de análise. Uma abordagem quase junguiana da nossa história revela que os arquétipos da luta, do sacrifício e da esperança continuam vivos, mas reprimidos.

A geração da utopia era composta, em grande parte, por estudantes da elite e da classe média urbana. Jovens que habitavam residências estudantis nas grandes cidades, muitos sem romper totalmente com sua origem de classe, mas dispostos a lutar por democracia, liberdade e justiça social. Eram promessas profissionais que acreditavam poder fazer da própria formação um instrumento de transformação social. Parte deles ousou ir além — mergulhou em experiências políticas não democráticas e aprendeu, à custa de dor, prisão e morte, que a democracia era, paradoxalmente, o caminho mais revolucionário.

Daí nasceram a esquerda organizada, o novo sindicalismo, os movimentos populares, a luta pelas Diretas Já e, finalmente, o fim da ditadura militar. Esse lastro utópico sustentou a ideia de um Brasil mais justo, soberano e solidário. Jonas Paulo é um dos rostos mais nítidos dessa construção.

O drama atual não é apenas político. É existencial. A maior tragédia da geração presente talvez seja herdar uma realidade sem espaço para utopias. Um mundo onde o discurso utópico é taxado de ingênuo, irrealista, fora da “realidade concreta”. Como se a realidade fosse um destino imutável, e não um campo de disputa histórica.

Neste aniversário, Jonas nos lembra — sem discursos inflamados, apenas com sua presença — que a memória não espera pela morte para se tornar legado. Ela precisa ser transmitida em vida. Celebrar Jonas Paulo hoje é reafirmar que ainda vale a pena lutar por futuros possíveis. Que a utopia não é fuga, mas método. E que a história só avança quando alguém, em algum momento, ousa sonhar contra o seu tempo.

Que este aniversário não seja apenas comemoração. Seja convocação. Porque os que se despedem esperam — silenciosamente — que tenhamos força, lucidez e coragem para continuar as suas lutas.

ARTIGO – (Aniversário de Jonas Paulo: quando a memória se recusa a envelhecer)

 

 

(Padre Carlos)

Há aniversários que pedem bolo. Outros pedem silêncio. Alguns, raros, exigem memória. O de hoje é desses. Porque celebrar o aniversário de Jonas Paulo não é apenas somar anos à vida de um amigo — é confrontar o tempo com a pergunta que ele prefere evitar: o que fizemos com os nossos sonhos?

Permita-me falar baixo, quase num sussurro. Porque há nomes que não se dizem em voz alta sem antes ajeitar o coração. Conheci Jonas nos anos de chumbo, quando a ditadura militar transformava sonhos em pesadelos e a esperança cobrava sangue como taxa de sobrevivência. Era um tempo em que cada palavra precisava ser medida, cada gesto calculado, cada olhar carregava o risco da denúncia. E mesmo assim — ou talvez por isso — Jonas já era referência. Não pela retórica inflamada, mas pela coerência silenciosa. Ele já havia entendido que a história não perdoa os que se omitem.

Há algo profundamente comovente — e pedagogicamente essencial — em testemunhar uma vida inteira que não precisou ser corrigida em capítulos posteriores. Jonas Paulo não é uma biografia fragmentada, remendada por conveniências eleitorais ou revisões oportunistas. Sua trajetória é uma linha contínua de compromisso radical com o povo brasileiro. Da luta armada contra a ditadura aos campos de Angola, onde internacionalizou sua solidariedade revolucionária; da fundação da CUT, que devolveu dignidade política ao trabalhador brasileiro, à construção do PT, aquele partido que um dia sonhamos como instrumento de emancipação popular — Jonas esteve presente em cada trincheira onde a história exigiu coragem.

Esse percurso não é apenas político. É ético. E aqui reside sua força simbólica. Jonas nos ensina, com a própria vida, que política sem memória histórica vira mera administração do cotidiano. Gestão sem horizonte. Poder sem projeto. Seu aniversário, portanto, não é apenas uma celebração pessoal. É um lembrete coletivo: sem memória, a democracia apodrece por dentro.

Hoje, quando os calendários avançam e os aniversários se acumulam, somos obrigados a reconhecer um dado incômodo — e factual. A geração da utopia está partindo. Aquela juventude forjada no enfrentamento direto ao regime militar, que aprendeu da forma mais cruel que a democracia não é um dado natural, mas uma conquista histórica, começa a se despedir do picadeiro da vida. E a pergunta que fica ecoando é dura: quem está assumindo o bastão?

Somos, cada vez mais, prisioneiros do presente. Um presente acelerado, imediato, governado por algoritmos, métricas e urgências materiais. A nova geração — sufocada por demandas reais e concretas — parece incapaz de produzir novas narrativas utópicas. O futuro encolheu. O horizonte ficou curto. A política virou gestão do possível mínimo, não construção do necessário.

Talvez a música de um compositor cearense — daquelas que atravessam o tempo com melancolia e lucidez — sirva como pano de fundo para essa travessia. Ela nos ajuda a viajar do passado ao presente e perceber que a memória coletiva não é nostalgia: é ferramenta de análise. Uma abordagem quase junguiana da nossa história revela que os arquétipos da luta, do sacrifício e da esperança continuam vivos, mas reprimidos.

A geração da utopia era composta, em grande parte, por estudantes da elite e da classe média urbana. Jovens que habitavam residências estudantis nas grandes cidades, muitos sem romper totalmente com sua origem de classe, mas dispostos a lutar por democracia, liberdade e justiça social. Eram promessas profissionais que acreditavam poder fazer da própria formação um instrumento de transformação social. Parte deles ousou ir além — mergulhou em experiências políticas não democráticas e aprendeu, à custa de dor, prisão e morte, que a democracia era, paradoxalmente, o caminho mais revolucionário.

Daí nasceram a esquerda organizada, o novo sindicalismo, os movimentos populares, a luta pelas Diretas Já e, finalmente, o fim da ditadura militar. Esse lastro utópico sustentou a ideia de um Brasil mais justo, soberano e solidário. Jonas Paulo é um dos rostos mais nítidos dessa construção.

O drama atual não é apenas político. É existencial. A maior tragédia da geração presente talvez seja herdar uma realidade sem espaço para utopias. Um mundo onde o discurso utópico é taxado de ingênuo, irrealista, fora da “realidade concreta”. Como se a realidade fosse um destino imutável, e não um campo de disputa histórica.

Neste aniversário, Jonas nos lembra — sem discursos inflamados, apenas com sua presença — que a memória não espera pela morte para se tornar legado. Ela precisa ser transmitida em vida. Celebrar Jonas Paulo hoje é reafirmar que ainda vale a pena lutar por futuros possíveis. Que a utopia não é fuga, mas método. E que a história só avança quando alguém, em algum momento, ousa sonhar contra o seu tempo.

Que este aniversário não seja apenas comemoração. Seja convocação. Porque os que se despedem esperam — silenciosamente — que tenhamos força, lucidez e coragem para continuar as suas lutas.

Sashira Camilly e o tribunal distante: feminicídio, indignação e o desafio de fazer justiça

 

Por Padre Carlos

 

Há crimes que não terminam quando cessam os batimentos do coração da vítima. Eles continuam pulsando na memória coletiva, como uma ferida aberta que se recusa a cicatrizar. O assassinato de Sashira Camilly Cunha Silva é um desses crimes. Um caso que não pede apenas justiça — exige consciência, coragem institucional e respeito à dor humana.

Sashira tinha 19 anos. Era estudante de Engenharia Civil. Tinha projetos, rotina, sonhos ainda em construção. Sua vida foi interrompida de forma brutal em setembro de 2021, em um crime que, segundo a investigação, foi premeditado, marcado por ciúmes, controle e violência de gênero. Nada disso é abstrato. Nada disso é distante. Tudo isso tem nome, rosto, história — e consequências que ainda ecoam em Vitória da Conquista.

O julgamento de Rafael de Souza Lima, acusado pelo assassinato, está marcado para o dia 10 de fevereiro, em Feira de Santana, após decisão de desaforamento. A lei permite. O Código de Processo Penal prevê. A técnica jurídica encontra justificativa formal. Mas a pergunta que ecoa — incômoda, necessária, moral — é outra: e a justiça, onde fica quando se afasta do lugar da dor?

Transferir o júri pode ser um ato legal. Mas não é neutro. Não é indiferente. Não é inofensivo. Para a família de Sashira, a decisão impõe uma nova violência: percorrer mais de 400 quilômetros para acompanhar o julgamento da filha que viveram, criaram e perderam em Vitória da Conquista. A justiça, que deveria acolher, distancia. A instituição, que deveria proteger, impõe obstáculos.

O corpo de Sashira foi encontrado, em um terreno afastado, já em condições que dispensam descrição — porque a dignidade da vítima exige silêncio respeitoso. O que importa não é o detalhe cruel, mas o contexto estrutural: mais um caso de feminicídio, mais um crime atravessado por relações de poder, posse e violência contra a mulher. Mais um nome que se soma a uma estatística que insiste em crescer no Brasil.

A retirada do julgamento da cidade onde o crime ocorreu pode até buscar imparcialidade. Mas também produz apagamento simbólico. Afasta o crime da comunidade que o sentiu. Dilui a responsabilidade social. Reduz o impacto pedagógico da justiça pública. Porque julgar também é dizer, em voz alta: isso não será tolerado aqui.

Há algo profundamente errado quando a técnica jurídica se afasta da sensibilidade humana. Quando o formalismo supera a empatia. Quando o medo de tumulto pesa mais que o direito das famílias à presença, à memória e ao reconhecimento público da violência sofrida.

Este não é um texto contra a lei. É um texto em defesa da justiça com rosto humano. Justiça que não se limita ao rito, mas considera o contexto. Justiça que entende que crimes de grande repercussão exigem não apenas segurança institucional, mas também coragem moral.

O julgamento de Sashira Camilly não pode ser apenas mais um processo na pauta do tribunal do júri. Ele precisa ser um marco. Um lembrete de que feminicídio não é um crime privado, não é um drama doméstico, não é um excesso passional. É uma violação extrema dos direitos humanos. É um ataque à sociedade inteira.

Que o dia 10 de fevereiro não seja apenas uma data no calendário jurídico. Que seja um dia de afirmação da vida, da memória e da dignidade. Que a distância física imposta à família não se transforme em distância moral da sociedade.

Porque quando a justiça anda longe do lugar do crime, quem corre o risco de se perder não é o processo — é o sentido mais profundo de justiça.

(Padre Carlos)

Sashira Camilly e o tribunal distante: feminicídio, indignação e o desafio de fazer justiça

 

Por Padre Carlos

 

Há crimes que não terminam quando cessam os batimentos do coração da vítima. Eles continuam pulsando na memória coletiva, como uma ferida aberta que se recusa a cicatrizar. O assassinato de Sashira Camilly Cunha Silva é um desses crimes. Um caso que não pede apenas justiça — exige consciência, coragem institucional e respeito à dor humana.

Sashira tinha 19 anos. Era estudante de Engenharia Civil. Tinha projetos, rotina, sonhos ainda em construção. Sua vida foi interrompida de forma brutal em setembro de 2021, em um crime que, segundo a investigação, foi premeditado, marcado por ciúmes, controle e violência de gênero. Nada disso é abstrato. Nada disso é distante. Tudo isso tem nome, rosto, história — e consequências que ainda ecoam em Vitória da Conquista.

O julgamento de Rafael de Souza Lima, acusado pelo assassinato, está marcado para o dia 10 de fevereiro, em Feira de Santana, após decisão de desaforamento. A lei permite. O Código de Processo Penal prevê. A técnica jurídica encontra justificativa formal. Mas a pergunta que ecoa — incômoda, necessária, moral — é outra: e a justiça, onde fica quando se afasta do lugar da dor?

Transferir o júri pode ser um ato legal. Mas não é neutro. Não é indiferente. Não é inofensivo. Para a família de Sashira, a decisão impõe uma nova violência: percorrer mais de 400 quilômetros para acompanhar o julgamento da filha que viveram, criaram e perderam em Vitória da Conquista. A justiça, que deveria acolher, distancia. A instituição, que deveria proteger, impõe obstáculos.

O corpo de Sashira foi encontrado, em um terreno afastado, já em condições que dispensam descrição — porque a dignidade da vítima exige silêncio respeitoso. O que importa não é o detalhe cruel, mas o contexto estrutural: mais um caso de feminicídio, mais um crime atravessado por relações de poder, posse e violência contra a mulher. Mais um nome que se soma a uma estatística que insiste em crescer no Brasil.

A retirada do julgamento da cidade onde o crime ocorreu pode até buscar imparcialidade. Mas também produz apagamento simbólico. Afasta o crime da comunidade que o sentiu. Dilui a responsabilidade social. Reduz o impacto pedagógico da justiça pública. Porque julgar também é dizer, em voz alta: isso não será tolerado aqui.

Há algo profundamente errado quando a técnica jurídica se afasta da sensibilidade humana. Quando o formalismo supera a empatia. Quando o medo de tumulto pesa mais que o direito das famílias à presença, à memória e ao reconhecimento público da violência sofrida.

Este não é um texto contra a lei. É um texto em defesa da justiça com rosto humano. Justiça que não se limita ao rito, mas considera o contexto. Justiça que entende que crimes de grande repercussão exigem não apenas segurança institucional, mas também coragem moral.

O julgamento de Sashira Camilly não pode ser apenas mais um processo na pauta do tribunal do júri. Ele precisa ser um marco. Um lembrete de que feminicídio não é um crime privado, não é um drama doméstico, não é um excesso passional. É uma violação extrema dos direitos humanos. É um ataque à sociedade inteira.

Que o dia 10 de fevereiro não seja apenas uma data no calendário jurídico. Que seja um dia de afirmação da vida, da memória e da dignidade. Que a distância física imposta à família não se transforme em distância moral da sociedade.

Porque quando a justiça anda longe do lugar do crime, quem corre o risco de se perder não é o processo — é o sentido mais profundo de justiça.

(Padre Carlos)

ARTIGO – Quando a política nos surpreende: uma nova postura do PSDB diante da crise na Venezuela

 

 

Por Padre Carlos

Jamais pensei que um dia estaria a elogiar Aécio Neves e, mais ainda, o próprio PSDB — este partido que por décadas se encantou com a ultra-direita e que se afastou tanto da verdadeira social-democracia que virou sinônimo de direita liberal e centro-direita conservadora. Durante muitos anos, a legenda, em vez de defender um projeto social-democrático robusto, abraçou o mercado acima dos direitos sociais e, em muitos momentos, pareceu perder o norte em meio à polarização furiosa que tomou conta da política brasileira.

A polarização e o ódio pelo PT e seus adversários empurraram o debate político para extremos, onde qualquer posicionamento de equilíbrio era tachado de fraco ou traidor. Mas, confesso, senhores, que hoje eles me surpreenderam — e com razão.

O presidente nacional do PSDB e deputado federal Aécio Neves divulgou, em nota oficial assinada pelo partido, uma posição pública firme contra a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, que incluiu a captura de Nicolás Maduro. Na nota, o PSDB afirma que “repudia a invasão” e que a violação da soberania de um país e o uso da força como instrumento político são inaceitáveis sob nenhuma circunstância”. Reforça ainda que “o respeito à autodeterminação dos povos é um valor essencial para todas as nações que defendem a democracia, a paz e o direito internacional”.

O que faz essa postura ser relevante — e até surpreendente — é que ela emana de um partido historicamente visto como mais alinhado ao Atlântico Norte e às visões liberais da política externa, e não necessariamente crítico de intervenções militares. O PSDB, que por vezes aderiu a lógicas mais pragmáticas ou até ideológicas de política externa, desta vez cho­cou parte do espectro político brasileiro ao se posicionar claramente contra o uso da força como ferramenta de política internacional.

Importante também é o fato de a nota deixar claro que essa posição não significa qualquer apoio ao regime autoritário de Maduro, que de fato foi responsável por graves violações de direitos humanos, destruição de instituições democráticas e empobrecimento do povo venezuelano. Essa distinção é essencial, porque demonstra que o PSDB consegue separar, nesta conjuntura, o repúdio legítimo a um regime de abuso interno da crítica à intervenção externa que também ameaça o princípio da soberania nacional.

Esse gesto — por mais tardio que seja — me leva a reconhecer que o PSDB, ainda que tardio em rever suas convicções, pode estar redescobrindo a importância de princípios democráticos universais como soberania, autodeterminação e respeito ao direito internacional. Não se trata de concordar com Maduro — que jamais deveria ser romantizado ou desculpado por seus crimes — mas de afirmar que a resposta a ditaduras ou crises humanitárias não deve vir de fora com armas, mas sim de um caminho político interno, legitimado por negociadores e instituições democráticas.

Ao PSDB, hoje, cabe um crédito por essa palavra firme — mesmo que tardia — contra a intervenção estrangeira. E a todos nós, um lembrete: na política contemporânea, onde extremos tentam sempre ditar a agenda, defender princípios democráticos básicos é um ato de coragem e coerência.

Minha mensagem ao Aécio e ao PSDB: continuem firmes na defesa da soberania dos povos, da democracia como baluarte universal e da solução política negociada para crises complexas como a da Venezuela. A política responsável honra os princípios antes de abraçar interesses imediatistas.

ARTIGO – Quando a política nos surpreende: uma nova postura do PSDB diante da crise na Venezuela

 

 

Por Padre Carlos

Jamais pensei que um dia estaria a elogiar Aécio Neves e, mais ainda, o próprio PSDB — este partido que por décadas se encantou com a ultra-direita e que se afastou tanto da verdadeira social-democracia que virou sinônimo de direita liberal e centro-direita conservadora. Durante muitos anos, a legenda, em vez de defender um projeto social-democrático robusto, abraçou o mercado acima dos direitos sociais e, em muitos momentos, pareceu perder o norte em meio à polarização furiosa que tomou conta da política brasileira.

A polarização e o ódio pelo PT e seus adversários empurraram o debate político para extremos, onde qualquer posicionamento de equilíbrio era tachado de fraco ou traidor. Mas, confesso, senhores, que hoje eles me surpreenderam — e com razão.

O presidente nacional do PSDB e deputado federal Aécio Neves divulgou, em nota oficial assinada pelo partido, uma posição pública firme contra a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, que incluiu a captura de Nicolás Maduro. Na nota, o PSDB afirma que “repudia a invasão” e que a violação da soberania de um país e o uso da força como instrumento político são inaceitáveis sob nenhuma circunstância”. Reforça ainda que “o respeito à autodeterminação dos povos é um valor essencial para todas as nações que defendem a democracia, a paz e o direito internacional”.

O que faz essa postura ser relevante — e até surpreendente — é que ela emana de um partido historicamente visto como mais alinhado ao Atlântico Norte e às visões liberais da política externa, e não necessariamente crítico de intervenções militares. O PSDB, que por vezes aderiu a lógicas mais pragmáticas ou até ideológicas de política externa, desta vez cho­cou parte do espectro político brasileiro ao se posicionar claramente contra o uso da força como ferramenta de política internacional.

Importante também é o fato de a nota deixar claro que essa posição não significa qualquer apoio ao regime autoritário de Maduro, que de fato foi responsável por graves violações de direitos humanos, destruição de instituições democráticas e empobrecimento do povo venezuelano. Essa distinção é essencial, porque demonstra que o PSDB consegue separar, nesta conjuntura, o repúdio legítimo a um regime de abuso interno da crítica à intervenção externa que também ameaça o princípio da soberania nacional.

Esse gesto — por mais tardio que seja — me leva a reconhecer que o PSDB, ainda que tardio em rever suas convicções, pode estar redescobrindo a importância de princípios democráticos universais como soberania, autodeterminação e respeito ao direito internacional. Não se trata de concordar com Maduro — que jamais deveria ser romantizado ou desculpado por seus crimes — mas de afirmar que a resposta a ditaduras ou crises humanitárias não deve vir de fora com armas, mas sim de um caminho político interno, legitimado por negociadores e instituições democráticas.

Ao PSDB, hoje, cabe um crédito por essa palavra firme — mesmo que tardia — contra a intervenção estrangeira. E a todos nós, um lembrete: na política contemporânea, onde extremos tentam sempre ditar a agenda, defender princípios democráticos básicos é um ato de coragem e coerência.

Minha mensagem ao Aécio e ao PSDB: continuem firmes na defesa da soberania dos povos, da democracia como baluarte universal e da solução política negociada para crises complexas como a da Venezuela. A política responsável honra os princípios antes de abraçar interesses imediatistas.

ARTIGO – O preço invisível de amar demais: quando o amor vira memória e resistência

 

 

Padre Carlos

“O custo de amar alguém demais é nunca mais poder amar.” A frase de Dostoiévski não pede licença. Ela entra no leitor como um sussurro incômodo, quase uma confidência dita à meia-luz, dessas que não se pode desouvir. Porque, no fundo, todos nós sabemos: há amores que não passam. Eles ficam. E o que fica nem sempre é leve.

Quando se ama profundamente, algo em nós atravessa um ponto sem retorno. Não é apenas afeto, é identidade. O amor deixa de ser sentimento e passa a ser arquitetura interna. Molda hábitos, expectativas, silêncios. Quem ama demais não ama com partes — ama inteiro. E quando o outro vai embora, não leva só sua presença: leva um pedaço do que fomos enquanto amávamos.

Aqui está a verdade dura, quase impopular: o amor não morre quando acaba. Ele se transforma em cicatriz emocional. E cicatriz não dói o tempo todo, mas muda para sempre a sensibilidade da pele. Quem passou por um amor absoluto não volta a tocar o mundo da mesma forma. Há mais cuidado, mais cálculo, mais medo. Perde-se a inocência do amar.

Costuma-se dizer que o tempo cura tudo. Não é verdade. O tempo não apaga grandes amores; ele apenas os organiza na memória. E memória é território perigoso. Ali convivem a doçura e a dor, o riso e a ausência, o que foi e o que nunca mais será. O coração, para sobreviver, cria defesas. Onde antes havia entrega espontânea, surge prudência. Onde havia fé no outro, nasce a desconfiança elegante, silenciosa, racional.

Há quem chame isso de maturidade emocional. Em parte, é. Mas também é perda. Porque o amor verdadeiro — aquele que consome, que arrisca, que não negocia — não se repete com facilidade. Ele cobra um preço alto: depois dele, amar novamente exige coragem redobrada. O sujeito ama, sim, mas ama com freio de mão puxado. Ama sem se jogar. Ama sem se perder. E talvez aí resida a maior contradição da experiência humana: para continuar vivo, o coração precisa se proteger; para amar de verdade, ele precisaria se expor.

Conheci pessoas brilhantes, generosas, intensas, que depois de um grande amor passaram a viver relações mornas. Não por falta de sentimento, mas por excesso de memória. O passado virou régua. O antigo amor tornou-se parâmetro inalcançável. E tudo o que vem depois parece menor, insuficiente, incompleto. Não porque seja, mas porque não ocupa o mesmo lugar sagrado.

Do ponto de vista psicológico, isso é compreensível. O cérebro associa amor profundo a risco emocional extremo. O mecanismo de defesa entra em ação. A alma aprende. Mas aprender, às vezes, significa endurecer. Do ponto de vista existencial, porém, é trágico. Porque o ser humano nasce para o encontro, não para o isolamento afetivo.

Dostoiévski não romantiza esse processo. Ele denuncia. Amar demais pode ser uma forma de grandeza — mas também de exílio interior. O amor que foi tudo passa a ser a mais doce e a mais cruel das prisões. Doce porque nos lembra que fomos capazes de amar profundamente. Cruel porque nos faz duvidar se seremos capazes de repetir tal entrega.

Ainda assim, há uma última verdade que precisa ser dita, quase em voz baixa: quem amou demais não desaprendeu o amor. Apenas aprendeu o custo dele. E talvez amar novamente, mesmo com medo, mesmo sem pureza, mesmo com cicatrizes, seja o gesto mais radical de esperança que um ser humano pode oferecer ao mundo.

Porque, no fim, não é o amor que nos impede de amar outra vez. É o medo de sofrer com a mesma intensidade. E viver com medo nunca foi, nem nunca será, uma forma plena de viver.

ARTIGO – O preço invisível de amar demais: quando o amor vira memória e resistência

 

 

Padre Carlos

“O custo de amar alguém demais é nunca mais poder amar.” A frase de Dostoiévski não pede licença. Ela entra no leitor como um sussurro incômodo, quase uma confidência dita à meia-luz, dessas que não se pode desouvir. Porque, no fundo, todos nós sabemos: há amores que não passam. Eles ficam. E o que fica nem sempre é leve.

Quando se ama profundamente, algo em nós atravessa um ponto sem retorno. Não é apenas afeto, é identidade. O amor deixa de ser sentimento e passa a ser arquitetura interna. Molda hábitos, expectativas, silêncios. Quem ama demais não ama com partes — ama inteiro. E quando o outro vai embora, não leva só sua presença: leva um pedaço do que fomos enquanto amávamos.

Aqui está a verdade dura, quase impopular: o amor não morre quando acaba. Ele se transforma em cicatriz emocional. E cicatriz não dói o tempo todo, mas muda para sempre a sensibilidade da pele. Quem passou por um amor absoluto não volta a tocar o mundo da mesma forma. Há mais cuidado, mais cálculo, mais medo. Perde-se a inocência do amar.

Costuma-se dizer que o tempo cura tudo. Não é verdade. O tempo não apaga grandes amores; ele apenas os organiza na memória. E memória é território perigoso. Ali convivem a doçura e a dor, o riso e a ausência, o que foi e o que nunca mais será. O coração, para sobreviver, cria defesas. Onde antes havia entrega espontânea, surge prudência. Onde havia fé no outro, nasce a desconfiança elegante, silenciosa, racional.

Há quem chame isso de maturidade emocional. Em parte, é. Mas também é perda. Porque o amor verdadeiro — aquele que consome, que arrisca, que não negocia — não se repete com facilidade. Ele cobra um preço alto: depois dele, amar novamente exige coragem redobrada. O sujeito ama, sim, mas ama com freio de mão puxado. Ama sem se jogar. Ama sem se perder. E talvez aí resida a maior contradição da experiência humana: para continuar vivo, o coração precisa se proteger; para amar de verdade, ele precisaria se expor.

Conheci pessoas brilhantes, generosas, intensas, que depois de um grande amor passaram a viver relações mornas. Não por falta de sentimento, mas por excesso de memória. O passado virou régua. O antigo amor tornou-se parâmetro inalcançável. E tudo o que vem depois parece menor, insuficiente, incompleto. Não porque seja, mas porque não ocupa o mesmo lugar sagrado.

Do ponto de vista psicológico, isso é compreensível. O cérebro associa amor profundo a risco emocional extremo. O mecanismo de defesa entra em ação. A alma aprende. Mas aprender, às vezes, significa endurecer. Do ponto de vista existencial, porém, é trágico. Porque o ser humano nasce para o encontro, não para o isolamento afetivo.

Dostoiévski não romantiza esse processo. Ele denuncia. Amar demais pode ser uma forma de grandeza — mas também de exílio interior. O amor que foi tudo passa a ser a mais doce e a mais cruel das prisões. Doce porque nos lembra que fomos capazes de amar profundamente. Cruel porque nos faz duvidar se seremos capazes de repetir tal entrega.

Ainda assim, há uma última verdade que precisa ser dita, quase em voz baixa: quem amou demais não desaprendeu o amor. Apenas aprendeu o custo dele. E talvez amar novamente, mesmo com medo, mesmo sem pureza, mesmo com cicatrizes, seja o gesto mais radical de esperança que um ser humano pode oferecer ao mundo.

Porque, no fim, não é o amor que nos impede de amar outra vez. É o medo de sofrer com a mesma intensidade. E viver com medo nunca foi, nem nunca será, uma forma plena de viver.

ARTIGO – (A caridade é a mão de Deus cuidando dos pobres) – (Padre Carlos)

 

 

 

Por Padre Carlos

Quem nunca se perguntou, em silêncio, onde Deus está quando a fome aperta, quando a miséria humilha, quando a exclusão rouba a esperança? Talvez a resposta não venha em forma de milagre espetacular, mas num gesto simples, quase invisível, que passa de mão em mão. A caridade, quando é verdadeira, é exatamente isso: a mão de Deus estendida no meio da história, sustentando os pobres e lembrando à humanidade que ninguém é descartável.

O Papa Leão XIV, na recente Exortação Apostólica Dilexi Te, oferece à Igreja e ao mundo um chamado que incomoda e consola ao mesmo tempo. Ele nos recorda que o amor cristão não pode ser reduzido a um sentimento abstrato ou a uma piedade confortável. Amor, no Evangelho, é compromisso concreto, proximidade real, defesa inegociável da dignidade humana e enfrentamento corajoso das realidades de exclusão social. Não é um texto para ser apenas lido; é um documento para ser meditado, rezado e, sobretudo, praticado.

Há uma verdade dura que o Papa nos obriga a encarar: o rosto de Cristo se manifesta de modo particular nos que sofrem. Isso muda tudo. Muda prioridades, muda agendas, muda a forma como avaliamos sucesso, fé e até espiritualidade. Cristo não caminha sozinho pela estrada do mundo; Ele carrega consigo a dor dos pobres, dos invisíveis, dos que não contam nas estatísticas da economia, mas sangram na vida real.

Existe, sim, uma preferência de Cristo pelo mais fraco. Mas é preciso dizer com clareza: não se trata de ideologia, nem de discurso que divide ou instrumentaliza. Essa preferência nasce exclusivamente da Palavra de Deus, que revela um Deus que desce, que se aproxima, que assume a pobreza humana para libertar da escravidão, do medo, do pecado e da morte. O próprio Deus se fez pobre. Nasceu numa manjedoura. Morreu numa cruz. Não há como anunciar o Evangelho ignorando essa radical identificação divina com os últimos.

A tradição cristã, reafirmada por Bento XVI e pelo Papa Francisco, deixa isso ainda mais evidente. A caridade não é um ato privado, nem uma esmola que alivia consciências. Ela é força transformadora da história. É amor que se organiza socialmente, que questiona estruturas injustas, que exige políticas públicas, justiça social e compromisso real com o bem comum. Onde a caridade é reduzida a assistencialismo, o Evangelho é mutilado.

Bento XVI, na Caritas in Veritate, foi preciso e corajoso ao afirmar que a caridade deve caminhar junto com a verdade e alcançar também a vida econômica e política. Não existe amor cristão que se contente com improvisos ou boas intenções vazias. Um amor autêntico busca soluções reais, promove o desenvolvimento humano integral e denuncia sistemas que colocam o lucro acima da pessoa. A economia, quando se desliga da ética, transforma-se em máquina de exclusão.

O Papa Francisco aprofunda essa denúncia ao falar de uma “economia que mata”. Não é retórica. É constatação histórica. Quando a riqueza se concentra em poucas mãos e multidões são empurradas para a marginalidade, instala-se uma lógica perversa que descarta vidas humanas como se fossem números. Nenhuma teoria econômica, por mais sofisticada que pareça, pode silenciar o grito de quem sofre fome, miséria e abandono.

Aqui está o ponto de virada que este debate exige: a dignidade da pessoa humana é o lugar onde o céu toca a terra. Não é promessa futura, nem discurso abstrato. É dom sagrado que precisa ser reconhecido hoje, agora, no rosto concreto de cada pessoa ferida pela injustiça social. Onde a dignidade é negada, Deus é ofendido. Onde a dignidade é cuidada, Deus se revela.

Por isso, falar de caridade implica necessariamente falar de política, mas de uma política diferente — não a política da estratégia vazia ou da disputa mesquinha, e sim a política da escuta verdadeira. Escutar o clamor dos pobres é, no fundo, escutar uma voz que vem de Deus. Quando a política se deixa atravessar pela caridade, ela deixa de ser arena de interesses e se torna serviço, instrumento de justiça e caminho de transformação social.

A caridade cristã age muitas vezes em silêncio, longe dos holofotes, mas sua força é imensa. Ela sustenta a coragem de transformar estruturas injustas, move consciências, inspira solidariedade e mantém viva a esperança de uma humanidade reconciliada. Iluminada pela verdade, como ensinou Bento XVI, e inflamada pela urgência da justiça, como recorda o Papa Francisco, a caridade aponta para um mundo onde ninguém seja invisível.

Combater a pobreza, então, não é apenas um gesto generoso. É resposta fiel ao amor de Deus. É reconhecer que cuidar dos pobres é cuidar do próprio Cristo. É permitir que, através de nossas mãos, Deus continue sustentando o mundo.

A caridade, afinal, não é opcional. Ela é o próprio Evangelho em movimento.

ARTIGO – (A caridade é a mão de Deus cuidando dos pobres) – (Padre Carlos)

 

 

 

Por Padre Carlos

Quem nunca se perguntou, em silêncio, onde Deus está quando a fome aperta, quando a miséria humilha, quando a exclusão rouba a esperança? Talvez a resposta não venha em forma de milagre espetacular, mas num gesto simples, quase invisível, que passa de mão em mão. A caridade, quando é verdadeira, é exatamente isso: a mão de Deus estendida no meio da história, sustentando os pobres e lembrando à humanidade que ninguém é descartável.

O Papa Leão XIV, na recente Exortação Apostólica Dilexi Te, oferece à Igreja e ao mundo um chamado que incomoda e consola ao mesmo tempo. Ele nos recorda que o amor cristão não pode ser reduzido a um sentimento abstrato ou a uma piedade confortável. Amor, no Evangelho, é compromisso concreto, proximidade real, defesa inegociável da dignidade humana e enfrentamento corajoso das realidades de exclusão social. Não é um texto para ser apenas lido; é um documento para ser meditado, rezado e, sobretudo, praticado.

Há uma verdade dura que o Papa nos obriga a encarar: o rosto de Cristo se manifesta de modo particular nos que sofrem. Isso muda tudo. Muda prioridades, muda agendas, muda a forma como avaliamos sucesso, fé e até espiritualidade. Cristo não caminha sozinho pela estrada do mundo; Ele carrega consigo a dor dos pobres, dos invisíveis, dos que não contam nas estatísticas da economia, mas sangram na vida real.

Existe, sim, uma preferência de Cristo pelo mais fraco. Mas é preciso dizer com clareza: não se trata de ideologia, nem de discurso que divide ou instrumentaliza. Essa preferência nasce exclusivamente da Palavra de Deus, que revela um Deus que desce, que se aproxima, que assume a pobreza humana para libertar da escravidão, do medo, do pecado e da morte. O próprio Deus se fez pobre. Nasceu numa manjedoura. Morreu numa cruz. Não há como anunciar o Evangelho ignorando essa radical identificação divina com os últimos.

A tradição cristã, reafirmada por Bento XVI e pelo Papa Francisco, deixa isso ainda mais evidente. A caridade não é um ato privado, nem uma esmola que alivia consciências. Ela é força transformadora da história. É amor que se organiza socialmente, que questiona estruturas injustas, que exige políticas públicas, justiça social e compromisso real com o bem comum. Onde a caridade é reduzida a assistencialismo, o Evangelho é mutilado.

Bento XVI, na Caritas in Veritate, foi preciso e corajoso ao afirmar que a caridade deve caminhar junto com a verdade e alcançar também a vida econômica e política. Não existe amor cristão que se contente com improvisos ou boas intenções vazias. Um amor autêntico busca soluções reais, promove o desenvolvimento humano integral e denuncia sistemas que colocam o lucro acima da pessoa. A economia, quando se desliga da ética, transforma-se em máquina de exclusão.

O Papa Francisco aprofunda essa denúncia ao falar de uma “economia que mata”. Não é retórica. É constatação histórica. Quando a riqueza se concentra em poucas mãos e multidões são empurradas para a marginalidade, instala-se uma lógica perversa que descarta vidas humanas como se fossem números. Nenhuma teoria econômica, por mais sofisticada que pareça, pode silenciar o grito de quem sofre fome, miséria e abandono.

Aqui está o ponto de virada que este debate exige: a dignidade da pessoa humana é o lugar onde o céu toca a terra. Não é promessa futura, nem discurso abstrato. É dom sagrado que precisa ser reconhecido hoje, agora, no rosto concreto de cada pessoa ferida pela injustiça social. Onde a dignidade é negada, Deus é ofendido. Onde a dignidade é cuidada, Deus se revela.

Por isso, falar de caridade implica necessariamente falar de política, mas de uma política diferente — não a política da estratégia vazia ou da disputa mesquinha, e sim a política da escuta verdadeira. Escutar o clamor dos pobres é, no fundo, escutar uma voz que vem de Deus. Quando a política se deixa atravessar pela caridade, ela deixa de ser arena de interesses e se torna serviço, instrumento de justiça e caminho de transformação social.

A caridade cristã age muitas vezes em silêncio, longe dos holofotes, mas sua força é imensa. Ela sustenta a coragem de transformar estruturas injustas, move consciências, inspira solidariedade e mantém viva a esperança de uma humanidade reconciliada. Iluminada pela verdade, como ensinou Bento XVI, e inflamada pela urgência da justiça, como recorda o Papa Francisco, a caridade aponta para um mundo onde ninguém seja invisível.

Combater a pobreza, então, não é apenas um gesto generoso. É resposta fiel ao amor de Deus. É reconhecer que cuidar dos pobres é cuidar do próprio Cristo. É permitir que, através de nossas mãos, Deus continue sustentando o mundo.

A caridade, afinal, não é opcional. Ela é o próprio Evangelho em movimento.

Serin Itinerante intensifica diálogo e reúne prefeitos de seis territórios

A Secretaria de Relações Institucionais do Governo do Estado (Serin) realizou a primeira edição de 2026 do projeto Serin Itinerante neste sábado (24), no município de Guanambi, território do Sertão Produtivo. O encontro, que aconteceu no Colégio Estadual de Educação Profissional em Saúde e Gestão (CEEP), teve foco na intensificação do diálogo e quebrou recorde de prefeitos presentes tanto da região como dos territórios Piemonte da Diamantina, Bacia do Paramirim, Velho Chico, Sudoeste Baiano e Alto Sertão.

Recebida pelas lideranças e pela população local, a iniciativa se consolidou como um importante espaço de diálogo, integração e construção coletiva. Ao longo do evento, os participantes contribuíram ativamente com sugestões, demandas e avaliações, fortalecendo a escuta qualificada e a aproximação entre o Governo do Estado e os municípios da região.

“A Serin Itinerante reafirma o compromisso do Governo do Estado com o diálogo permanente e a escuta ativa dos territórios. No Sertão Produtivo, essa aproximação com os municípios é fundamental para identificar prioridades e construir, de forma conjunta, ações que respondam às demandas da população”, destacou o secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola.

Na ocasião, foram realizadas escutas direcionadas, conduzidas pelas coordenações de Assuntos Legislativos (COAL), Assuntos Federativos (COAF), Articulação Social (COAS) e Políticas para Juventudes (Cojuve), além da participação direta do secretário, promovendo um ambiente de troca, cooperação e alinhamento institucional.

“Mesmo durante o período de férias, a presença da juventude foi marcante. Jovens compareceram, participaram ativamente das discussões e contribuíram com ideias, mostrando compromisso, interesse e, principalmente, disposição para dialogar sobre políticas públicas e o futuro do nosso estado”, ressaltou Nivaldo Millet, coordenador geral de Políticas para Juventudes do Governo do Estado.

Estiveram presentes, ao longo da realização do evento, o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcius Gomes; o chefe de gabinete do senador Jaques Wagner, Lucas Reis; o deputado federal Charles Fernandes; os deputados estaduais Vitor Bonfim e Felipe Duarte; os prefeitos de Guanambi, Urandi, Candiba, Ibiassucê, Caculé, Jacaraci, Sebastião Laranjeiras, Caetité, Pindaí, Palmas de Monte Alto, Igaporã, Malhada, Iuiu, Sebastião Laranjeiras, Riacho de Santana, Malhada de Pedra, Mortugaba, Matina e outros; a presidente do Conselho Estadual da Juventude, Tâmela França, e representantes da CERB, Flávia Machado e Anna Karla Tourinho, e da Conder, Ícaro Almeida.

*_Fonte foto: Ascom/Serin_*

Serin Itinerante intensifica diálogo e reúne prefeitos de seis territórios

A Secretaria de Relações Institucionais do Governo do Estado (Serin) realizou a primeira edição de 2026 do projeto Serin Itinerante neste sábado (24), no município de Guanambi, território do Sertão Produtivo. O encontro, que aconteceu no Colégio Estadual de Educação Profissional em Saúde e Gestão (CEEP), teve foco na intensificação do diálogo e quebrou recorde de prefeitos presentes tanto da região como dos territórios Piemonte da Diamantina, Bacia do Paramirim, Velho Chico, Sudoeste Baiano e Alto Sertão.

Recebida pelas lideranças e pela população local, a iniciativa se consolidou como um importante espaço de diálogo, integração e construção coletiva. Ao longo do evento, os participantes contribuíram ativamente com sugestões, demandas e avaliações, fortalecendo a escuta qualificada e a aproximação entre o Governo do Estado e os municípios da região.

“A Serin Itinerante reafirma o compromisso do Governo do Estado com o diálogo permanente e a escuta ativa dos territórios. No Sertão Produtivo, essa aproximação com os municípios é fundamental para identificar prioridades e construir, de forma conjunta, ações que respondam às demandas da população”, destacou o secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola.

Na ocasião, foram realizadas escutas direcionadas, conduzidas pelas coordenações de Assuntos Legislativos (COAL), Assuntos Federativos (COAF), Articulação Social (COAS) e Políticas para Juventudes (Cojuve), além da participação direta do secretário, promovendo um ambiente de troca, cooperação e alinhamento institucional.

“Mesmo durante o período de férias, a presença da juventude foi marcante. Jovens compareceram, participaram ativamente das discussões e contribuíram com ideias, mostrando compromisso, interesse e, principalmente, disposição para dialogar sobre políticas públicas e o futuro do nosso estado”, ressaltou Nivaldo Millet, coordenador geral de Políticas para Juventudes do Governo do Estado.

Estiveram presentes, ao longo da realização do evento, o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcius Gomes; o chefe de gabinete do senador Jaques Wagner, Lucas Reis; o deputado federal Charles Fernandes; os deputados estaduais Vitor Bonfim e Felipe Duarte; os prefeitos de Guanambi, Urandi, Candiba, Ibiassucê, Caculé, Jacaraci, Sebastião Laranjeiras, Caetité, Pindaí, Palmas de Monte Alto, Igaporã, Malhada, Iuiu, Sebastião Laranjeiras, Riacho de Santana, Malhada de Pedra, Mortugaba, Matina e outros; a presidente do Conselho Estadual da Juventude, Tâmela França, e representantes da CERB, Flávia Machado e Anna Karla Tourinho, e da Conder, Ícaro Almeida.

*_Fonte foto: Ascom/Serin_*

Se o primeiro foi bom, o segundo vai ser melhor ainda!

Vocês estão preparados? Porque eu estou falando é da segunda edição do Modão do Chicão Brasil, que já tem data marcada e promete ser ainda mais especial. O evento acontece no dia 14 de março, e desta vez será no sábado, garantindo uma noite completa de muita música e animação.

O palco dessa grande festa será o MP Ranch, no Capinal, um espaço perfeito para receber um público que ama o verdadeiro modão e não abre mão de uma boa resenha. O Modão do Chicão Brasil vem se consolidando como um evento marcante, daqueles que já estão virando tradição na região.

Então não vacila: anota aí na sua agenda, chama os amigos e se prepara para viver mais um momento inesquecível ao som do melhor do modão!

Chama que é Chicão Brasil.

Se o primeiro foi bom, o segundo vai ser melhor ainda!

Vocês estão preparados? Porque eu estou falando é da segunda edição do Modão do Chicão Brasil, que já tem data marcada e promete ser ainda mais especial. O evento acontece no dia 14 de março, e desta vez será no sábado, garantindo uma noite completa de muita música e animação.

O palco dessa grande festa será o MP Ranch, no Capinal, um espaço perfeito para receber um público que ama o verdadeiro modão e não abre mão de uma boa resenha. O Modão do Chicão Brasil vem se consolidando como um evento marcante, daqueles que já estão virando tradição na região.

Então não vacila: anota aí na sua agenda, chama os amigos e se prepara para viver mais um momento inesquecível ao som do melhor do modão!

Chama que é Chicão Brasil.

Quando Duas Rodas Tomam Conta da Cidade: O Fenômeno Silencioso que Redesenha o Trânsito de Vitória da Conquista

O trânsito de Vitória da Conquista passa por uma transformação visível, constante e, muitas vezes, silenciosa. As motocicletas deixaram de ser apenas uma alternativa pontual de mobilidade para se tornarem protagonistas do fluxo urbano, ocupando ruas, avenidas e cruzamentos com presença cada vez mais marcante. O fenômeno local acompanha uma tendência mais ampla observada em toda a Bahia, onde, segundo levantamento de um instituto especializado divulgado em reportagem exibida pela TV Sudoeste, as vendas de veículos de duas rodas cresceram 50%.

Os números oficiais confirmam essa mudança estrutural. Dados do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA) indicam que a frota de motocicletas em Vitória da Conquista passou de 68 mil em 2024 para 73 mil no final de 2025. Trata-se de um crescimento expressivo em apenas um ano, suficiente para alterar a dinâmica da mobilidade urbana e a percepção cotidiana de quem circula pela cidade.

Diversos fatores explicam esse avanço. A economia em relação ao automóvel aparece como um dos principais atrativos, especialmente em um contexto de combustíveis caros, manutenção elevada e custos fixos cada vez mais pesados para os proprietários de carros. Soma-se a isso a praticidade no deslocamento diário, a agilidade no trânsito urbano congestionado e o menor custo de manutenção, características que tornam a motocicleta uma escolha funcional para diferentes perfis de usuários.

Outro elemento relevante é o uso profissional. O crescimento dos serviços de entrega, transporte rápido e atividades que dependem de deslocamentos constantes impulsionou a procura por motos como ferramenta de trabalho. Nesse cenário, o veículo de duas rodas deixa de ser apenas um meio de transporte pessoal e passa a integrar diretamente a engrenagem da economia local.

As condições facilitadas de pagamento oferecidas pelas concessionárias também contribuem para ampliar o acesso. Parcelamentos mais longos, entrada reduzida e ofertas voltadas ao primeiro veículo tornam a motocicleta uma opção viável para um número maior de consumidores. Esse conjunto de fatores aponta para uma tendência clara: a presença das motos no trânsito de Vitória da Conquista deve continuar crescendo nos próximos anos.

Diante desse quadro, o aumento da frota traz consigo novos desafios. A convivência entre motos, carros, ciclistas e pedestres exige mais atenção, adaptação e responsabilidade coletiva. O crescimento não é apenas estatístico; ele impacta diretamente a segurança viária, a organização do tráfego e a rotina urbana. Compreender essa realidade é um passo essencial para que a cidade acompanhe, de forma equilibrada, as mudanças em seu próprio movimento.

(Maria Clara)

Quando Duas Rodas Tomam Conta da Cidade: O Fenômeno Silencioso que Redesenha o Trânsito de Vitória da Conquista

O trânsito de Vitória da Conquista passa por uma transformação visível, constante e, muitas vezes, silenciosa. As motocicletas deixaram de ser apenas uma alternativa pontual de mobilidade para se tornarem protagonistas do fluxo urbano, ocupando ruas, avenidas e cruzamentos com presença cada vez mais marcante. O fenômeno local acompanha uma tendência mais ampla observada em toda a Bahia, onde, segundo levantamento de um instituto especializado divulgado em reportagem exibida pela TV Sudoeste, as vendas de veículos de duas rodas cresceram 50%.

Os números oficiais confirmam essa mudança estrutural. Dados do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA) indicam que a frota de motocicletas em Vitória da Conquista passou de 68 mil em 2024 para 73 mil no final de 2025. Trata-se de um crescimento expressivo em apenas um ano, suficiente para alterar a dinâmica da mobilidade urbana e a percepção cotidiana de quem circula pela cidade.

Diversos fatores explicam esse avanço. A economia em relação ao automóvel aparece como um dos principais atrativos, especialmente em um contexto de combustíveis caros, manutenção elevada e custos fixos cada vez mais pesados para os proprietários de carros. Soma-se a isso a praticidade no deslocamento diário, a agilidade no trânsito urbano congestionado e o menor custo de manutenção, características que tornam a motocicleta uma escolha funcional para diferentes perfis de usuários.

Outro elemento relevante é o uso profissional. O crescimento dos serviços de entrega, transporte rápido e atividades que dependem de deslocamentos constantes impulsionou a procura por motos como ferramenta de trabalho. Nesse cenário, o veículo de duas rodas deixa de ser apenas um meio de transporte pessoal e passa a integrar diretamente a engrenagem da economia local.

As condições facilitadas de pagamento oferecidas pelas concessionárias também contribuem para ampliar o acesso. Parcelamentos mais longos, entrada reduzida e ofertas voltadas ao primeiro veículo tornam a motocicleta uma opção viável para um número maior de consumidores. Esse conjunto de fatores aponta para uma tendência clara: a presença das motos no trânsito de Vitória da Conquista deve continuar crescendo nos próximos anos.

Diante desse quadro, o aumento da frota traz consigo novos desafios. A convivência entre motos, carros, ciclistas e pedestres exige mais atenção, adaptação e responsabilidade coletiva. O crescimento não é apenas estatístico; ele impacta diretamente a segurança viária, a organização do tráfego e a rotina urbana. Compreender essa realidade é um passo essencial para que a cidade acompanhe, de forma equilibrada, as mudanças em seu próprio movimento.

(Maria Clara)

Quando a Denúncia Anônima Vira Ação: O Que Realmente Aconteceu no Recreio Nesta Sexta-feira

Na manhã desta sexta-feira (24), uma ocorrência registrada no bairro Recreio, em Vitória da Conquista, chamou a atenção pela rapidez da resposta policial e pelos desdobramentos da abordagem. A atuação da 77ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) ocorreu após uma denúncia anônima que relatava desordem e possível uso de entorpecentes em um posto de combustíveis da região.

De acordo com as informações oficiais, a guarnição deslocou-se imediatamente até o local indicado, com o objetivo de verificar a situação e preservar a ordem pública. Durante a ação, um indivíduo foi abordado e, com ele, os policiais encontraram uma faca, uma soqueira, uma porção de substância análoga à maconha, um frasco contendo uma substância conhecida popularmente como “badboy”, além de um molho de chaves e a quantia de R$ 400,00 em dinheiro.

Todo o material apreendido, juntamente com o conduzido, foi encaminhado ao Distrito Integrado de Segurança Pública (DISEP), onde foram adotadas as medidas cabíveis, conforme determina a legislação vigente. A Polícia Militar informou que a ação seguiu os protocolos operacionais padrão, sem registro de resistência ou maiores intercorrências.

Casos como este evidenciam a importância da denúncia anônima como instrumento de colaboração entre a comunidade e as forças de segurança. Ao mesmo tempo, reforçam o papel da atuação preventiva e ostensiva da polícia na manutenção da ordem, especialmente em locais de grande circulação, como postos de combustíveis, onde situações de conflito podem gerar riscos à população.

A ocorrência permanece sob responsabilidade das autoridades competentes, que darão continuidade aos procedimentos legais necessários para a apuração dos fatos e eventual responsabilização, dentro dos limites da lei e do devido processo legal.

(Maria Clara)

Quando a Denúncia Anônima Vira Ação: O Que Realmente Aconteceu no Recreio Nesta Sexta-feira

Na manhã desta sexta-feira (24), uma ocorrência registrada no bairro Recreio, em Vitória da Conquista, chamou a atenção pela rapidez da resposta policial e pelos desdobramentos da abordagem. A atuação da 77ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) ocorreu após uma denúncia anônima que relatava desordem e possível uso de entorpecentes em um posto de combustíveis da região.

De acordo com as informações oficiais, a guarnição deslocou-se imediatamente até o local indicado, com o objetivo de verificar a situação e preservar a ordem pública. Durante a ação, um indivíduo foi abordado e, com ele, os policiais encontraram uma faca, uma soqueira, uma porção de substância análoga à maconha, um frasco contendo uma substância conhecida popularmente como “badboy”, além de um molho de chaves e a quantia de R$ 400,00 em dinheiro.

Todo o material apreendido, juntamente com o conduzido, foi encaminhado ao Distrito Integrado de Segurança Pública (DISEP), onde foram adotadas as medidas cabíveis, conforme determina a legislação vigente. A Polícia Militar informou que a ação seguiu os protocolos operacionais padrão, sem registro de resistência ou maiores intercorrências.

Casos como este evidenciam a importância da denúncia anônima como instrumento de colaboração entre a comunidade e as forças de segurança. Ao mesmo tempo, reforçam o papel da atuação preventiva e ostensiva da polícia na manutenção da ordem, especialmente em locais de grande circulação, como postos de combustíveis, onde situações de conflito podem gerar riscos à população.

A ocorrência permanece sob responsabilidade das autoridades competentes, que darão continuidade aos procedimentos legais necessários para a apuração dos fatos e eventual responsabilização, dentro dos limites da lei e do devido processo legal.

(Maria Clara)