Política e Resenha

ARTIGO – A Pessoa do Espírito Santo e a Esperança Cristã (Padre Carlos)

 

 

 

A solenidade de Pentecostes, celebrada neste 08 de junho de 2025, nos convida a uma profunda meditação sobre a ação do Espírito Santo na vida da Igreja e na história da humanidade. Celebramos o dom da presença divina que transforma corações e renova a face da terra. A liturgia deste domingo nos traz o evento simbólico e decisivo da descida do Espírito sobre os discípulos (At 2,1-11), marcando o nascimento da Igreja e a inauguração de uma nova etapa na relação entre Deus e a humanidade.

Pentecostes é a festa da esperança cristã. É o momento em que a promessa de Jesus se cumpre com força e clareza: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). O Espírito não apenas consola; Ele envia, capacita e impulsiona. Se antes a Lei foi escrita em pedras, agora é gravada no mais íntimo do ser humano, onde o Espírito habita e transforma.

A presença do Espírito Santo é o que nos distingue como comunidade cristã. Não somos uma associação de boas intenções, mas o Corpo de Cristo animado pela força do Alto. Em tempos de desesperança, de conflitos sociais, de divisões religiosas e de indiferença espiritual, o Espírito Santo é a alma da missão e a fonte da unidade. Ele restaura a linguagem da caridade, aquela que todos entendem e que une povos, culturas e corações.

A pluralidade dos dons, como ensina Paulo (1Cor 12), não é ameaça, mas riqueza. Cada carisma é expressão do mesmo Espírito para o bem comum. Ninguém é descartável na Igreja. Cada batizado é chamado a evangelizar, a testemunhar a fé com coragem e ternura, a construir pontes e não muros.

No Evangelho deste domingo, o Ressuscitado aparece aos discípulos com as marcas da cruz e o dom da paz. “A paz esteja convosco.” Essa saudação é mais do que um cumprimento. É o envio, a missão de reconciliar, de perdoar, de ser sinal da presença de Deus no mundo ferido. Em um tempo em que a paz parece cada vez mais distante — nas famílias, nas cidades, entre os povos —, o Espírito Santo é o verdadeiro pacificador que habita em nós.

Jesus, o primeiro Paráclito, envia agora o outro Paráclito. Ele não nos deixa órfãos. O Espírito é presença viva que nos acompanha, consola e orienta. E mais: Ele nos impulsiona para fora, para as periferias geográficas e existenciais. Como nos recorda o Papa Francisco, a Igreja deve sair de si mesma. Não existe verdadeira espiritualidade cristã que não se faça carne no encontro com os últimos, os excluídos, os pobres.

Na prática da caridade, na defesa da justiça, na escuta dos que choram e na denúncia dos sistemas que oprimem, o Espírito Santo se manifesta com força e clareza. Cada cristão é um sacramento vivo do amor de Deus no mundo. O Reino de Deus se constrói também nas calçadas das grandes cidades, nas comunidades esquecidas, nas vielas onde a dignidade humana ainda clama por reconhecimento.

Viver no Espírito é muito mais do que experimentar emoções religiosas passageiras. É deixar-se conduzir por uma força que nos recria por dentro, que nos devolve a capacidade de amar, de perdoar, de recomeçar. É ter coragem de ser fraco diante de Deus, para ser forte na fé. É assumir com generosidade a própria cruz e viver com alegria a missão, mesmo nas noites escuras da alma.

A oração final que invoca o Espírito Santo como inspiração para pensar, falar, calar e agir deve ser a súplica diária de quem deseja viver no coração da Trindade. Porque, como disse Santo Agostinho, só o amor dá sentido às nossas ações. Amar e fazer o que se deve: essa é a regra de ouro da vida cristã.

Neste Pentecostes, peçamos com fé: Vem, Espírito Santo! Renova nossas famílias, nossas comunidades, nossos líderes, nossos sonhos. Restaura em nós a esperança cristã, para que sejamos sinais vivos do Reino de Deus. Que a presença do Espírito nos leve, com audácia e ternura, às periferias humanas, onde Cristo continua sendo crucificado. E que o nosso testemunho faça o mundo crer, não por imposição, mas pelo brilho silencioso da caridade.

ARTIGO – A Pessoa do Espírito Santo e a Esperança Cristã (Padre Carlos)

 

 

 

A solenidade de Pentecostes, celebrada neste 08 de junho de 2025, nos convida a uma profunda meditação sobre a ação do Espírito Santo na vida da Igreja e na história da humanidade. Celebramos o dom da presença divina que transforma corações e renova a face da terra. A liturgia deste domingo nos traz o evento simbólico e decisivo da descida do Espírito sobre os discípulos (At 2,1-11), marcando o nascimento da Igreja e a inauguração de uma nova etapa na relação entre Deus e a humanidade.

Pentecostes é a festa da esperança cristã. É o momento em que a promessa de Jesus se cumpre com força e clareza: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). O Espírito não apenas consola; Ele envia, capacita e impulsiona. Se antes a Lei foi escrita em pedras, agora é gravada no mais íntimo do ser humano, onde o Espírito habita e transforma.

A presença do Espírito Santo é o que nos distingue como comunidade cristã. Não somos uma associação de boas intenções, mas o Corpo de Cristo animado pela força do Alto. Em tempos de desesperança, de conflitos sociais, de divisões religiosas e de indiferença espiritual, o Espírito Santo é a alma da missão e a fonte da unidade. Ele restaura a linguagem da caridade, aquela que todos entendem e que une povos, culturas e corações.

A pluralidade dos dons, como ensina Paulo (1Cor 12), não é ameaça, mas riqueza. Cada carisma é expressão do mesmo Espírito para o bem comum. Ninguém é descartável na Igreja. Cada batizado é chamado a evangelizar, a testemunhar a fé com coragem e ternura, a construir pontes e não muros.

No Evangelho deste domingo, o Ressuscitado aparece aos discípulos com as marcas da cruz e o dom da paz. “A paz esteja convosco.” Essa saudação é mais do que um cumprimento. É o envio, a missão de reconciliar, de perdoar, de ser sinal da presença de Deus no mundo ferido. Em um tempo em que a paz parece cada vez mais distante — nas famílias, nas cidades, entre os povos —, o Espírito Santo é o verdadeiro pacificador que habita em nós.

Jesus, o primeiro Paráclito, envia agora o outro Paráclito. Ele não nos deixa órfãos. O Espírito é presença viva que nos acompanha, consola e orienta. E mais: Ele nos impulsiona para fora, para as periferias geográficas e existenciais. Como nos recorda o Papa Francisco, a Igreja deve sair de si mesma. Não existe verdadeira espiritualidade cristã que não se faça carne no encontro com os últimos, os excluídos, os pobres.

Na prática da caridade, na defesa da justiça, na escuta dos que choram e na denúncia dos sistemas que oprimem, o Espírito Santo se manifesta com força e clareza. Cada cristão é um sacramento vivo do amor de Deus no mundo. O Reino de Deus se constrói também nas calçadas das grandes cidades, nas comunidades esquecidas, nas vielas onde a dignidade humana ainda clama por reconhecimento.

Viver no Espírito é muito mais do que experimentar emoções religiosas passageiras. É deixar-se conduzir por uma força que nos recria por dentro, que nos devolve a capacidade de amar, de perdoar, de recomeçar. É ter coragem de ser fraco diante de Deus, para ser forte na fé. É assumir com generosidade a própria cruz e viver com alegria a missão, mesmo nas noites escuras da alma.

A oração final que invoca o Espírito Santo como inspiração para pensar, falar, calar e agir deve ser a súplica diária de quem deseja viver no coração da Trindade. Porque, como disse Santo Agostinho, só o amor dá sentido às nossas ações. Amar e fazer o que se deve: essa é a regra de ouro da vida cristã.

Neste Pentecostes, peçamos com fé: Vem, Espírito Santo! Renova nossas famílias, nossas comunidades, nossos líderes, nossos sonhos. Restaura em nós a esperança cristã, para que sejamos sinais vivos do Reino de Deus. Que a presença do Espírito nos leve, com audácia e ternura, às periferias humanas, onde Cristo continua sendo crucificado. E que o nosso testemunho faça o mundo crer, não por imposição, mas pelo brilho silencioso da caridade.

Quando a Cidade Vira Arte: Vitória da Conquista se Olha no Espelho da Memória

 

 

Por Padre Carlos

Era uma manhã de sábado como outra qualquer — o sol ainda preguiçoso e o ritmo da cidade começando a despertar — quando quatro figuras se reuniram para costurar o que pode se tornar um dos momentos mais simbólicos das celebrações de Vitória da Conquista: uma exposição que transforma a cidade em personagem, memória em obra, e história em sentimento.

Na sala, estavam Ivan Cordeiro, presidente da Câmara Municipal, o  jornalista Fábio Sena  Secretaria de Comunicação da Câmara (Secom)   Edgard Larry, secretário de Educação, e o artista plástico Silvio Jessé. Mas não era uma simples reunião. Era quase como se a cidade tivesse sentado à mesa junto com eles — sua alma, seus becos antigos, suas janelas de madeira, suas fotografias amareladas e seus silêncios. O assunto? Uma exposição que homenageia Vitória da Conquista em seu aniversário. O resultado? Um plano para fazer da arte um espelho vivo da nossa identidade.

Silvio Jessé não é só artista. Ele é artesão do tempo. Pega fotografias antigas — aquelas que nossos avós guardavam em caixas de sapato — e as transforma em janelas emocionais para o passado. Suas obras não apenas retratam a cidade: elas nos fazem ouvi-la, senti-la, quase tocar as vozes que se perderam no tempo.

A proposta é simples e poderosa: ocupar o Memorial Câmara com suas criações em novembro, mês do aniversário da cidade, e estender essa homenagem ao Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima — o mesmo espaço onde será entregue o título de cidadão conquistense, uma das maiores honrarias do município. Mas há algo nessa iniciativa que vai muito além da estética ou da celebração.

Trata-se de devolver à cidade sua própria narrativa. De permitir que as pessoas caminhem por corredores onde a arte conta histórias que os livros esquecem, onde os rostos estampados nas telas lembram que Conquista não se fez sozinha — ela foi moldada por mãos invisíveis, passos anônimos e sonhos de barro e poeira.

Ivan Cordeiro foi direto ao ponto: “Queremos celebrar nossa história e homenagear quem mantém viva nossa cultura.” E ali estava o fio que amarra tudo: reconhecer que uma cidade sem memória é uma cidade sem espelho — sem rosto, sem rumo, sem alma.

Já Edgard Larry, com sua sensibilidade educadora, lembrou que a arte tem o poder de conectar o passado ao presente. E isso é mais do que bonito. É fundamental. Em um tempo onde o imediatismo engole tudo, parar para lembrar é um ato revolucionário. E fazer isso com arte é quase mágico.

Essa exposição, se realizada como sonhada, não será apenas uma mostra. Será um reencontro. Vitória da Conquista, ao passear por seus próprios retratos, vai se reconhecer em cada traço, cada cor, cada sombra. Vai se emocionar. Vai se orgulhar.

E talvez, quem sabe, os visitantes saiam dali com uma nova pergunta na cabeça: que cidade estamos construindo hoje, para que um dia, no futuro, também mereça ser eternizada em arte?

Vitória da Conquista, prepare-se. Em novembro, você vai se olhar no espelho da memória — e, ao que tudo indica, vai gostar do que verá.

 

Quando a Cidade Vira Arte: Vitória da Conquista se Olha no Espelho da Memória

 

 

Por Padre Carlos

Era uma manhã de sábado como outra qualquer — o sol ainda preguiçoso e o ritmo da cidade começando a despertar — quando quatro figuras se reuniram para costurar o que pode se tornar um dos momentos mais simbólicos das celebrações de Vitória da Conquista: uma exposição que transforma a cidade em personagem, memória em obra, e história em sentimento.

Na sala, estavam Ivan Cordeiro, presidente da Câmara Municipal, o  jornalista Fábio Sena  Secretaria de Comunicação da Câmara (Secom)   Edgard Larry, secretário de Educação, e o artista plástico Silvio Jessé. Mas não era uma simples reunião. Era quase como se a cidade tivesse sentado à mesa junto com eles — sua alma, seus becos antigos, suas janelas de madeira, suas fotografias amareladas e seus silêncios. O assunto? Uma exposição que homenageia Vitória da Conquista em seu aniversário. O resultado? Um plano para fazer da arte um espelho vivo da nossa identidade.

Silvio Jessé não é só artista. Ele é artesão do tempo. Pega fotografias antigas — aquelas que nossos avós guardavam em caixas de sapato — e as transforma em janelas emocionais para o passado. Suas obras não apenas retratam a cidade: elas nos fazem ouvi-la, senti-la, quase tocar as vozes que se perderam no tempo.

A proposta é simples e poderosa: ocupar o Memorial Câmara com suas criações em novembro, mês do aniversário da cidade, e estender essa homenagem ao Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima — o mesmo espaço onde será entregue o título de cidadão conquistense, uma das maiores honrarias do município. Mas há algo nessa iniciativa que vai muito além da estética ou da celebração.

Trata-se de devolver à cidade sua própria narrativa. De permitir que as pessoas caminhem por corredores onde a arte conta histórias que os livros esquecem, onde os rostos estampados nas telas lembram que Conquista não se fez sozinha — ela foi moldada por mãos invisíveis, passos anônimos e sonhos de barro e poeira.

Ivan Cordeiro foi direto ao ponto: “Queremos celebrar nossa história e homenagear quem mantém viva nossa cultura.” E ali estava o fio que amarra tudo: reconhecer que uma cidade sem memória é uma cidade sem espelho — sem rosto, sem rumo, sem alma.

Já Edgard Larry, com sua sensibilidade educadora, lembrou que a arte tem o poder de conectar o passado ao presente. E isso é mais do que bonito. É fundamental. Em um tempo onde o imediatismo engole tudo, parar para lembrar é um ato revolucionário. E fazer isso com arte é quase mágico.

Essa exposição, se realizada como sonhada, não será apenas uma mostra. Será um reencontro. Vitória da Conquista, ao passear por seus próprios retratos, vai se reconhecer em cada traço, cada cor, cada sombra. Vai se emocionar. Vai se orgulhar.

E talvez, quem sabe, os visitantes saiam dali com uma nova pergunta na cabeça: que cidade estamos construindo hoje, para que um dia, no futuro, também mereça ser eternizada em arte?

Vitória da Conquista, prepare-se. Em novembro, você vai se olhar no espelho da memória — e, ao que tudo indica, vai gostar do que verá.

 

Três Estrelas do Sertão: Juliano Moreira, Nise da Silveira e Zélia Serra na Luta Antimanicomial Brasileira

 

Por Padre Carlos

Em cada quadra da história do Brasil, quando a loucura era sentenciada ao silêncio e a ciência servia ao preconceito, surgia um anjo insurgente, uma força vinda do Nordeste, que ousava sonhar com dignidade para os invisíveis. Juliano Moreira, Nise da Silveira e Zélia Serra não apenas romperam com os manicômios físicos. Eles romperam com as grades simbólicas da medicina elitista, racista, patriarcal e desumanizadora.
O que une esses três gigantes é mais do que a origem nordestina. São a coragem, a ciência com afeto, a militância em tempos sombrios e uma fé inabalável na possibilidade de reconstrução da alma humana.

Juliano Moreira: O Primeiro Sopro de Humanidade

No alvorecer do século XX, quando ser negro, nordestino e filho de ex-escravizada era sinônimo de marginalização, surgiu Juliano Moreira. Médico, baiano de Salvador, formado aos 19 anos, foi o primeiro a gritar que a loucura não era pecado, nem maldição, nem herança de “raças inferiores” — era dor humana, era sofrimento que precisava de escuta, não de cárcere.

Ao assumir a direção do Hospício Nacional de Alienados, Moreira iniciou a primeira grande reforma psiquiátrica brasileira. Acabou com as celas, aboliu camisas de força, humanizou o espaço. Criou oficinas de música, arte, leitura. Separou os pacientes por idade, por gênero, por necessidades. Plantou jardins. Trouxe cor para onde só havia cinza.

Mais que um reformador, foi um abolicionista mental. Enfrentou os dogmas pseudocientíficos do darwinismo social. Rechaçou a ideia de que negros eram biologicamente inferiores. Defendeu com dados, com discurso e com gestão uma nova ciência — uma ciência que olhava o paciente como sujeito e não como rascunho defeituoso da normalidade.

Juliano Moreira foi internacionalmente reconhecido, elogiado por Albert Einstein, presidiu a Academia Brasileira de Ciências e, mesmo assim, ainda hoje é pouco lembrado. Talvez porque sua presença tenha sido um grito que ainda incomoda: o de que a ciência brasileira teve em um homem negro e nordestino o seu maior expoente na psiquiatria moderna.

Nise da Silveira: A Revolução pela Arte e pelo Cuidado

Três décadas depois, em outro ciclo sombrio da República — o Estado Novo —, surge Nise da Silveira. Mulher, alagoana, marxista, psiquiatra formada como única mulher entre 157 homens na Faculdade de Medicina da Bahia. Ela também ousou. Se recusou a aplicar eletrochoques, insulinoterapia, lobotomia. Onde outros viajam desesperança, Nise via símbolos. Onde outros impunham violência, ela oferecia pincéis.

Se Juliano plantou jardins nos hospícios, Nise plantou cores nas almas. No hospital Pedro II, criou o ateliê de pintura para pacientes. Fundou o Museu de Imagens do Inconsciente e a Casa das Palmeiras. Provou que a arte é mais do que distração: é método, é cura, é política.

Jung se encantou por seu trabalho. Graciliano Ramos registrou sua passagem pelo cárcere, injustamente presa pelo regime getulista. Nise era tudo o que os poderosos temiam: mulher, inteligente, comunista e insubmissa. Mas não se calou. Sua luta antimanicomial era, na verdade, uma luta por escuta, por afeto, por subjetividade.

Nise é a mãe da psiquiatria humanizada no Brasil. Seu legado sobrevive em cada terapeuta ocupacional que enxerga a beleza na loucura, em cada paciente que encontra dignidade através da criação. E sobretudo, sobrevive na lembrança de que a loucura não deve ser extirpada, mas compreendida.

Zélia Serra: A Utopia como Medicina

Se Juliano rompeu com os castigos e Nise com os choques, Zélia Serra rompeu com o silêncio da ditadura militar. Médica, baiana de Vitória da Conquista, Zélia foi resistência viva contra a política manicomial genocida do regime. Denunciou os mortos ocultos nos corredores dos hospícios, os cadáveres vendidos a universidades, a lógica do depósito humano travestido de hospital.

Zélia, como as outras duas figuras centrais desta narrativa, também era tudo o que o poder queria calar: mulher, nordestina, médica, militante da Teologia da Libertação. Sua fé era praxis. Sua medicina, evangelho. Lutou lado a lado com os movimentos de reforma psiquiátrica e, até sua morte, foi farol moral para quem defendia uma saúde mental com justiça social.

Zélia não teve o mesmo reconhecimento institucional que Juliano ou Nise, mas sua luta esteve nos bastidores de cada política pública que ousou retirar os pacientes dos porões e trazê-los à luz da cidadania. Para os que estiveram ao seu lado, Zélia era uma revolução em corpo e voz.

Três Nordestinos, Três Rebeldes, Uma Só Causa

Juliano Moreira, Nise da Silveira e Zélia Serra não representam apenas nomes da medicina. Representam a ciência feita com alma. Representam a quebra das estruturas de exclusão. Representam o Nordeste insurgente — não como região geográfica apenas, mas como consciência política, como campo fértil da dissidência afetiva e intelectual.

Num país em que a loucura ainda é estigmatizada, em que os retrocessos ameaçam a reforma psiquiátrica conquistada com suor e prisão, suas vozes ecoam com urgência. São a denúncia de uma medicina que oprime. São o anúncio de uma saúde mental que pode e deve ser emancipada.

Cada um em seu tempo enfrentou os manicômios do corpo e da mente, do Estado e da ciência, do preconceito e da omissão. E todos disseram, a seu modo: a loucura não é ausência, é presença de um mundo que a razão oficial não consegue decifrar.

Enquanto houver sofrimento sendo tratado com descaso, eles serão lembrados. Porque foram gigantes. Porque foram do povo. Porque foram do Nordeste.

E porque souberam, com coragem e ternura, dizer à história: a dignidade é inegociável.

Três Estrelas do Sertão: Juliano Moreira, Nise da Silveira e Zélia Serra na Luta Antimanicomial Brasileira

 

Por Padre Carlos

Em cada quadra da história do Brasil, quando a loucura era sentenciada ao silêncio e a ciência servia ao preconceito, surgia um anjo insurgente, uma força vinda do Nordeste, que ousava sonhar com dignidade para os invisíveis. Juliano Moreira, Nise da Silveira e Zélia Serra não apenas romperam com os manicômios físicos. Eles romperam com as grades simbólicas da medicina elitista, racista, patriarcal e desumanizadora.
O que une esses três gigantes é mais do que a origem nordestina. São a coragem, a ciência com afeto, a militância em tempos sombrios e uma fé inabalável na possibilidade de reconstrução da alma humana.

Juliano Moreira: O Primeiro Sopro de Humanidade

No alvorecer do século XX, quando ser negro, nordestino e filho de ex-escravizada era sinônimo de marginalização, surgiu Juliano Moreira. Médico, baiano de Salvador, formado aos 19 anos, foi o primeiro a gritar que a loucura não era pecado, nem maldição, nem herança de “raças inferiores” — era dor humana, era sofrimento que precisava de escuta, não de cárcere.

Ao assumir a direção do Hospício Nacional de Alienados, Moreira iniciou a primeira grande reforma psiquiátrica brasileira. Acabou com as celas, aboliu camisas de força, humanizou o espaço. Criou oficinas de música, arte, leitura. Separou os pacientes por idade, por gênero, por necessidades. Plantou jardins. Trouxe cor para onde só havia cinza.

Mais que um reformador, foi um abolicionista mental. Enfrentou os dogmas pseudocientíficos do darwinismo social. Rechaçou a ideia de que negros eram biologicamente inferiores. Defendeu com dados, com discurso e com gestão uma nova ciência — uma ciência que olhava o paciente como sujeito e não como rascunho defeituoso da normalidade.

Juliano Moreira foi internacionalmente reconhecido, elogiado por Albert Einstein, presidiu a Academia Brasileira de Ciências e, mesmo assim, ainda hoje é pouco lembrado. Talvez porque sua presença tenha sido um grito que ainda incomoda: o de que a ciência brasileira teve em um homem negro e nordestino o seu maior expoente na psiquiatria moderna.

Nise da Silveira: A Revolução pela Arte e pelo Cuidado

Três décadas depois, em outro ciclo sombrio da República — o Estado Novo —, surge Nise da Silveira. Mulher, alagoana, marxista, psiquiatra formada como única mulher entre 157 homens na Faculdade de Medicina da Bahia. Ela também ousou. Se recusou a aplicar eletrochoques, insulinoterapia, lobotomia. Onde outros viajam desesperança, Nise via símbolos. Onde outros impunham violência, ela oferecia pincéis.

Se Juliano plantou jardins nos hospícios, Nise plantou cores nas almas. No hospital Pedro II, criou o ateliê de pintura para pacientes. Fundou o Museu de Imagens do Inconsciente e a Casa das Palmeiras. Provou que a arte é mais do que distração: é método, é cura, é política.

Jung se encantou por seu trabalho. Graciliano Ramos registrou sua passagem pelo cárcere, injustamente presa pelo regime getulista. Nise era tudo o que os poderosos temiam: mulher, inteligente, comunista e insubmissa. Mas não se calou. Sua luta antimanicomial era, na verdade, uma luta por escuta, por afeto, por subjetividade.

Nise é a mãe da psiquiatria humanizada no Brasil. Seu legado sobrevive em cada terapeuta ocupacional que enxerga a beleza na loucura, em cada paciente que encontra dignidade através da criação. E sobretudo, sobrevive na lembrança de que a loucura não deve ser extirpada, mas compreendida.

Zélia Serra: A Utopia como Medicina

Se Juliano rompeu com os castigos e Nise com os choques, Zélia Serra rompeu com o silêncio da ditadura militar. Médica, baiana de Vitória da Conquista, Zélia foi resistência viva contra a política manicomial genocida do regime. Denunciou os mortos ocultos nos corredores dos hospícios, os cadáveres vendidos a universidades, a lógica do depósito humano travestido de hospital.

Zélia, como as outras duas figuras centrais desta narrativa, também era tudo o que o poder queria calar: mulher, nordestina, médica, militante da Teologia da Libertação. Sua fé era praxis. Sua medicina, evangelho. Lutou lado a lado com os movimentos de reforma psiquiátrica e, até sua morte, foi farol moral para quem defendia uma saúde mental com justiça social.

Zélia não teve o mesmo reconhecimento institucional que Juliano ou Nise, mas sua luta esteve nos bastidores de cada política pública que ousou retirar os pacientes dos porões e trazê-los à luz da cidadania. Para os que estiveram ao seu lado, Zélia era uma revolução em corpo e voz.

Três Nordestinos, Três Rebeldes, Uma Só Causa

Juliano Moreira, Nise da Silveira e Zélia Serra não representam apenas nomes da medicina. Representam a ciência feita com alma. Representam a quebra das estruturas de exclusão. Representam o Nordeste insurgente — não como região geográfica apenas, mas como consciência política, como campo fértil da dissidência afetiva e intelectual.

Num país em que a loucura ainda é estigmatizada, em que os retrocessos ameaçam a reforma psiquiátrica conquistada com suor e prisão, suas vozes ecoam com urgência. São a denúncia de uma medicina que oprime. São o anúncio de uma saúde mental que pode e deve ser emancipada.

Cada um em seu tempo enfrentou os manicômios do corpo e da mente, do Estado e da ciência, do preconceito e da omissão. E todos disseram, a seu modo: a loucura não é ausência, é presença de um mundo que a razão oficial não consegue decifrar.

Enquanto houver sofrimento sendo tratado com descaso, eles serão lembrados. Porque foram gigantes. Porque foram do povo. Porque foram do Nordeste.

E porque souberam, com coragem e ternura, dizer à história: a dignidade é inegociável.

Título: Quando a Canção Abre a Caixa de Pandora

 

Por Padre Carlos

Hoje, vagando sem rumo pelo YouTube, me deparei com um vídeo de música dos anos 1980. Um clique distraído. Uma melodia familiar. E, sem que eu percebesse, havia aberto uma caixa de Pandora. Mas não daquelas que soltam monstros ou maldições — essa era feita de lembranças. Dolorosas, sim. Mas também doces, com gosto de juventude, com cheiro de papel velho e esperança.

A música — essa tecelã de tempo — puxou o fio invisível de uma memória que eu já não visitava fazia tempo. Voltaram os rostos. Os sorrisos meio tortos dos amigos do grupo de jovens, os abraços que hoje só existem nas entrelinhas do coração. Voltaram os gritos de protesto nas praças, as reuniões mal iluminadas, o sonho coletivo de um mundo justo. E voltaram os amores. Aqueles que a vida empurrou para o capítulo do “e se…”.

Não era assombro o que sentia. Era saudade. Uma saudade com dentes — que morde, que perfura, que sangra. Uma lança cravada no peito, fincada ali por tudo que não volta mais: a juventude que escorreu entre os dedos, os amigos que ficaram pelo caminho, as utopias que a realidade esmagou. Um luto mudo por tudo que foi e não é mais.

Quantos de nós não nos reconhecemos nesse sentimento agridoce? A juventude é um lugar de onde fomos expulsos sem aviso. Um dia você está lá, com os punhos cerrados e o coração em chamas, achando que vai mudar o mundo. No outro, acorda com um aperto no peito e percebe que o mundo mudou você. E aquele mocinho que você jurava ser no filme da própria vida… às vezes virou coadjuvante, às vezes virou um espectador.

Mas talvez o erro tenha sido acreditar que ser o herói era sobre vencer. Talvez ser o mocinho seja sobre resistir. Sobre manter acesa, mesmo que escondida, a chama daquilo que acreditamos quando tínhamos menos medo e mais coragem. A música me fez lembrar disso. Que ainda pulsa em mim o eco daqueles dias. Que as perdas não anulam os caminhos percorridos. E que, mesmo quando a utopia parece distante, ela nos ensinou a andar.

A caixa de Pandora, dizem os antigos, guardava no fundo uma última coisa: a esperança. E talvez seja essa a função da memória. Nos ferir, sim — mas também nos lembrar de que houve beleza, houve verdade, houve entrega. Que fomos inteiros. E que ainda podemos ser.

Hoje, aquela canção me fez chorar. Mas foi um choro bonito. Um choro que limpa, que reconcilia, que abraça. Porque lembrar é uma forma de continuar vivendo — e de honrar tudo aquilo que ainda pulsa, mesmo na ausência.

E assim sigo. Com a música na cabeça, a saudade no peito e a esperança, teimosa, escondida lá no fundo.

Título: Quando a Canção Abre a Caixa de Pandora

 

Por Padre Carlos

Hoje, vagando sem rumo pelo YouTube, me deparei com um vídeo de música dos anos 1980. Um clique distraído. Uma melodia familiar. E, sem que eu percebesse, havia aberto uma caixa de Pandora. Mas não daquelas que soltam monstros ou maldições — essa era feita de lembranças. Dolorosas, sim. Mas também doces, com gosto de juventude, com cheiro de papel velho e esperança.

A música — essa tecelã de tempo — puxou o fio invisível de uma memória que eu já não visitava fazia tempo. Voltaram os rostos. Os sorrisos meio tortos dos amigos do grupo de jovens, os abraços que hoje só existem nas entrelinhas do coração. Voltaram os gritos de protesto nas praças, as reuniões mal iluminadas, o sonho coletivo de um mundo justo. E voltaram os amores. Aqueles que a vida empurrou para o capítulo do “e se…”.

Não era assombro o que sentia. Era saudade. Uma saudade com dentes — que morde, que perfura, que sangra. Uma lança cravada no peito, fincada ali por tudo que não volta mais: a juventude que escorreu entre os dedos, os amigos que ficaram pelo caminho, as utopias que a realidade esmagou. Um luto mudo por tudo que foi e não é mais.

Quantos de nós não nos reconhecemos nesse sentimento agridoce? A juventude é um lugar de onde fomos expulsos sem aviso. Um dia você está lá, com os punhos cerrados e o coração em chamas, achando que vai mudar o mundo. No outro, acorda com um aperto no peito e percebe que o mundo mudou você. E aquele mocinho que você jurava ser no filme da própria vida… às vezes virou coadjuvante, às vezes virou um espectador.

Mas talvez o erro tenha sido acreditar que ser o herói era sobre vencer. Talvez ser o mocinho seja sobre resistir. Sobre manter acesa, mesmo que escondida, a chama daquilo que acreditamos quando tínhamos menos medo e mais coragem. A música me fez lembrar disso. Que ainda pulsa em mim o eco daqueles dias. Que as perdas não anulam os caminhos percorridos. E que, mesmo quando a utopia parece distante, ela nos ensinou a andar.

A caixa de Pandora, dizem os antigos, guardava no fundo uma última coisa: a esperança. E talvez seja essa a função da memória. Nos ferir, sim — mas também nos lembrar de que houve beleza, houve verdade, houve entrega. Que fomos inteiros. E que ainda podemos ser.

Hoje, aquela canção me fez chorar. Mas foi um choro bonito. Um choro que limpa, que reconcilia, que abraça. Porque lembrar é uma forma de continuar vivendo — e de honrar tudo aquilo que ainda pulsa, mesmo na ausência.

E assim sigo. Com a música na cabeça, a saudade no peito e a esperança, teimosa, escondida lá no fundo.

Título: Entre Promessas e Concretude: A UBS de Cabeceira de Jiboia e o Compromisso com a Saúde Pública

 

 

Por Padre Carlos,

Na paisagem política baiana, há momentos em que as palavras públicas ganham peso de compromisso. Foi o que ocorreu na recente declaração envolvendo a Secretária de Saúde do Estado da Bahia, Roberta, o governador Jerônimo Rodrigues e o vereador da região de Cabeceira de Jiboia, na Limeira. A promessa da construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) não é apenas uma frase de efeito — é uma afirmação carregada de expectativa, esperança e, principalmente, responsabilidade pública.

Cabeceira de Jiboia, como tantas outras comunidades espalhadas por Vitória da Conquista e pelo interior da Bahia, conhece bem os limites da ausência de infraestrutura básica em saúde. Uma UBS ali não representa apenas tijolos e argamassa. Representa a porta de entrada para o cuidado primário, o alívio para mães que não precisam mais viajar horas por uma consulta pediátrica, a dignidade de idosos que serão atendidos com regularidade, o início de uma rede de atenção que, se bem gerida, salva vidas.

O que vemos, neste momento, é o anúncio da chegada de um investimento via PROSUS — um programa com recursos assegurados, segundo a secretária — e a sinalização clara do governador Jerônimo Rodrigues de que essa obra está no radar prioritário da gestão estadual. A boa notícia é que esse discurso alinha-se com uma política mais ampla de fortalecimento da atenção primária em saúde.

Por isso, é fundamental que a população trate essa promessa com a devida seriedade — não como um favor político, mas como um direito. Saúde é dever do Estado e direito do cidadão, como garante a Constituição Federal. A UBS de Cabeceira de Jiboia deve sair do campo do discurso e entrar no concreto, com data, licitação transparente, cronograma de obras e prestação de contas à comunidade.

A fala da secretária Roberta, ao agradecer a demanda e afirmar que “já já a gente vem dar autorização de licitação aqui junto com o nosso governador”, precisa ser acompanhada de vigilância cidadã. A política pública só se transforma em realidade quando é monitorada, cobrada e acompanhada de perto — especialmente em uma área tão sensível quanto a saúde.

Que essa futura UBS não seja apenas um anúncio oportuno, mas o início de uma nova fase para a região. Que ela represente o compromisso com a vida, com o cuidado e com a dignidade de cada morador da Limeira. Porque prometer é fácil; cumprir é governar.

Nota do autor: Este artigo é um convite à reflexão e à ação. Que cada palavra dita pelas autoridades se transforme em tijolo, equipamento e equipe para quem mais precisa. Porque não há desenvolvimento possível onde falta saúde.

 

Título: Entre Promessas e Concretude: A UBS de Cabeceira de Jiboia e o Compromisso com a Saúde Pública

 

 

Por Padre Carlos,

Na paisagem política baiana, há momentos em que as palavras públicas ganham peso de compromisso. Foi o que ocorreu na recente declaração envolvendo a Secretária de Saúde do Estado da Bahia, Roberta, o governador Jerônimo Rodrigues e o vereador da região de Cabeceira de Jiboia, na Limeira. A promessa da construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) não é apenas uma frase de efeito — é uma afirmação carregada de expectativa, esperança e, principalmente, responsabilidade pública.

Cabeceira de Jiboia, como tantas outras comunidades espalhadas por Vitória da Conquista e pelo interior da Bahia, conhece bem os limites da ausência de infraestrutura básica em saúde. Uma UBS ali não representa apenas tijolos e argamassa. Representa a porta de entrada para o cuidado primário, o alívio para mães que não precisam mais viajar horas por uma consulta pediátrica, a dignidade de idosos que serão atendidos com regularidade, o início de uma rede de atenção que, se bem gerida, salva vidas.

O que vemos, neste momento, é o anúncio da chegada de um investimento via PROSUS — um programa com recursos assegurados, segundo a secretária — e a sinalização clara do governador Jerônimo Rodrigues de que essa obra está no radar prioritário da gestão estadual. A boa notícia é que esse discurso alinha-se com uma política mais ampla de fortalecimento da atenção primária em saúde.

Por isso, é fundamental que a população trate essa promessa com a devida seriedade — não como um favor político, mas como um direito. Saúde é dever do Estado e direito do cidadão, como garante a Constituição Federal. A UBS de Cabeceira de Jiboia deve sair do campo do discurso e entrar no concreto, com data, licitação transparente, cronograma de obras e prestação de contas à comunidade.

A fala da secretária Roberta, ao agradecer a demanda e afirmar que “já já a gente vem dar autorização de licitação aqui junto com o nosso governador”, precisa ser acompanhada de vigilância cidadã. A política pública só se transforma em realidade quando é monitorada, cobrada e acompanhada de perto — especialmente em uma área tão sensível quanto a saúde.

Que essa futura UBS não seja apenas um anúncio oportuno, mas o início de uma nova fase para a região. Que ela represente o compromisso com a vida, com o cuidado e com a dignidade de cada morador da Limeira. Porque prometer é fácil; cumprir é governar.

Nota do autor: Este artigo é um convite à reflexão e à ação. Que cada palavra dita pelas autoridades se transforme em tijolo, equipamento e equipe para quem mais precisa. Porque não há desenvolvimento possível onde falta saúde.

 

ARTIGO – Lula e Paris: quando a esperança abraça a humanidade

 

 

(Padre Carlos)

Há momentos na história em que a política abandona o campo seco das estratégias e ganha a densidade da poesia. O discurso da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi um desses raros instantes em que o tempo para, e o mundo inteiro assiste ao milagre da verdade sendo proclamada com coragem, emoção e humanidade.

Não foi apenas uma fala protocolar. Não se tratou de um elogio polido como os que se acumulam em eventos diplomáticos. Anne Hidalgo olhou nos olhos de um homem que carregou o peso da injustiça, da humilhação, da prisão e da calúnia — e lhe devolveu, em palavras, o lugar que ele conquistou com suor, lágrimas e fé: o de símbolo universal da esperança.

Senhor presidente, o senhor é a encarnação da esperança.
Nessa frase, a prefeita de Paris cravou no coração da história algo que nenhum algoritmo poderá apagar. Ela falou para o mundo — mas, sobretudo, falou para os invisíveis, para os que esperam por justiça, por pão, por dignidade. Porque Lula, antes de ser presidente, é um sobrevivente. E antes de ser um político, é um homem que escolheu não ceder ao ódio, mesmo quando a cela parecia não ter janelas.

Ao rememorar o cárcere de Curitiba e a resistência moral do então prisioneiro político, Hidalgo não se limitou à compaixão — ela nomeou o milagre civilizatório que é o amor. O amor de Janja, que comparecia diariamente ao presídio e que foi farol quando tudo era breu. O amor como força política, como ato revolucionário. Porque, como bem disse a prefeita, foi essa chama íntima e invencível que impediu que Lula se rendesse.

A cidade de Paris, capital dos direitos humanos, ao conceder-lhe em 2020 a cidadania de honra — título raríssimo — fez mais que um gesto simbólico: ela acendeu uma vela no escuro do mundo, sinalizando que a verdade não morre mesmo quando enterrada sob toneladas de mentiras. Hoje, essa mesma Paris, com a Torre Eiffel iluminada com as cores do Brasil, grita ao mundo que Lula voltou. Mas não voltou só: voltou com o povo que o elegeu. Voltou com a dignidade de milhões que o reconhecem não apenas como presidente, mas como farol.

Anne Hidalgo falou com a alma de quem entende que o Sul Global não pode mais ser refém da fome enquanto o Norte empanturra os algoritmos com lucros. Ela saudou Lula como o homem que ainda acredita que a política pode ser instrumento de justiça — e não palco de cinismo.

Quando ela diz que “o senhor transmite uma mensagem de paz quando tantas guerras todos os dias trazem mortes e sofrimento”, não é apenas um louvor: é um chamado. Um apelo para que o mundo ouça a voz dos que lutam, não com armas, mas com ideias. Dos que protegem a Amazônia, não como símbolo exótico, mas como berço da vida. Dos que não se curvam nem ao capital, nem às redes, nem aos algoritmos — mas permanecem de pé, guiados apenas pelo sopro da consciência.

O discurso de Anne Hidalgo não foi apenas um tributo a Lula. Foi um recado ao planeta: a esperança ainda tem rosto, nome e pátria. E, hoje, esse nome é Lula. Esse rosto é o do operário que chegou à presidência. Essa pátria é o Brasil que teima em não se ajoelhar diante da injustiça.

E quando Paris declara seu amor a Brasília, à sua gente e ao seu líder, o que se ergue não é apenas a Torre Eiffel. É a humanidade dizendo, com todas as letras: a esperança venceu.

 

 

 

Eu quero falar aqui da sua capacidade excepcional de enfrentar a adversidade, de superá-la. O Senhor pôs ao serviço dos outros a sua força vital, todo o seu ser. Senhor presidente, o Senhor é a encarnação da esperança. A esperança que ainda brilha quando tudo parece estar perdido.

A esperança que resistir em pleno caos, a esperança que continua a resistir quando todas as saídas Quando o Jair Bolsonaro e os seus amigos atirar o senhor na cadeia, utilizando todas essas mentiras, as manipulações, ignorando o estado de direito manipulando uma inversão dos valores, com palavras, não sei, porque milagre os corruptos acusam os políticos honestos honestos de corruptos E o senhor, o senhor resistiu.

Foi a força da sua alma, foi o amor da Janja que vinha todos os dias em frente do presídio onde o senhor se encontrava e junto a ela o senhor essa convicção tão sólida para conservar a força de lutar e a esperança.

E foi nesse momento que Paris, a capital dos direitos humanos, lhe conferiu a cidadania de honra. Querido Lula, o senhor vem aqui como cidadão de honra da cidade de Paris.

Eu sei que esse gesto foi importante porque era o reconhecimento da cidade de luz, reconhecimento dessa esperança encarnado pelo Senhor. E 5 anos depois o senhor volta a ser presidente do seu imenso país. É uma lição universal, política e humanista.

Essa lição que vem do Senhor é que nunca devemos nunca devemos perder esperança no mundo mais justo, onde as forças democráticas e sociais poderão corrigir as desigualdades de nascimento e os acidentes da vida, em vez de confirmar essas desigualdades. O senhor é um homem de paz, o senhor transmite uma mensagem de paz quando tantas guerras todos os dias trazem mortes e sofrimento.

A esperança também que o senhor representa é que no meio da Amazônia os estados conseguem até que, enfim, respeitar os seres vivos e não sacrificar tudo para a economia. A esperança que todos os anos, homens, mulheres, crianças possam sair da pobreza e não sofram mais com a fome.

A esperança que homens e mulheres possam ser eleitos e reeleitos, homens e mulheres políticos que, como o Senhor falam um discurso de verdade e não abandonam nem o pingo do seu poder de decisão para a demagogia e tem e a tentação de ceder perante os mais poderosos ou os algoritmos, só para conquistar os seus favores.

E o a esperança finalmente que o Norte e o Sul encontrem o caminho de uma governança mundial que permita erradicar a fome, proteger os mais fracos e dar um acesso a todos aos serviços essenciais. Querido presidente Lula, querido cidadão de honra da cidade de Paris, esta é a declaração que eu queria fazer.

É uma declaração de amor de Paris para Brasília, para o Brasil, da prefeita de Paris ao presidente do Brasil, cujas cores vão iluminar hoje o nosso belo símbolo a Torre Eiffel.

Como o senhor pode constatar, senhor presidente, Paris com a AMA

 

ARTIGO – Lula e Paris: quando a esperança abraça a humanidade

 

 

(Padre Carlos)

Há momentos na história em que a política abandona o campo seco das estratégias e ganha a densidade da poesia. O discurso da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi um desses raros instantes em que o tempo para, e o mundo inteiro assiste ao milagre da verdade sendo proclamada com coragem, emoção e humanidade.

Não foi apenas uma fala protocolar. Não se tratou de um elogio polido como os que se acumulam em eventos diplomáticos. Anne Hidalgo olhou nos olhos de um homem que carregou o peso da injustiça, da humilhação, da prisão e da calúnia — e lhe devolveu, em palavras, o lugar que ele conquistou com suor, lágrimas e fé: o de símbolo universal da esperança.

Senhor presidente, o senhor é a encarnação da esperança.
Nessa frase, a prefeita de Paris cravou no coração da história algo que nenhum algoritmo poderá apagar. Ela falou para o mundo — mas, sobretudo, falou para os invisíveis, para os que esperam por justiça, por pão, por dignidade. Porque Lula, antes de ser presidente, é um sobrevivente. E antes de ser um político, é um homem que escolheu não ceder ao ódio, mesmo quando a cela parecia não ter janelas.

Ao rememorar o cárcere de Curitiba e a resistência moral do então prisioneiro político, Hidalgo não se limitou à compaixão — ela nomeou o milagre civilizatório que é o amor. O amor de Janja, que comparecia diariamente ao presídio e que foi farol quando tudo era breu. O amor como força política, como ato revolucionário. Porque, como bem disse a prefeita, foi essa chama íntima e invencível que impediu que Lula se rendesse.

A cidade de Paris, capital dos direitos humanos, ao conceder-lhe em 2020 a cidadania de honra — título raríssimo — fez mais que um gesto simbólico: ela acendeu uma vela no escuro do mundo, sinalizando que a verdade não morre mesmo quando enterrada sob toneladas de mentiras. Hoje, essa mesma Paris, com a Torre Eiffel iluminada com as cores do Brasil, grita ao mundo que Lula voltou. Mas não voltou só: voltou com o povo que o elegeu. Voltou com a dignidade de milhões que o reconhecem não apenas como presidente, mas como farol.

Anne Hidalgo falou com a alma de quem entende que o Sul Global não pode mais ser refém da fome enquanto o Norte empanturra os algoritmos com lucros. Ela saudou Lula como o homem que ainda acredita que a política pode ser instrumento de justiça — e não palco de cinismo.

Quando ela diz que “o senhor transmite uma mensagem de paz quando tantas guerras todos os dias trazem mortes e sofrimento”, não é apenas um louvor: é um chamado. Um apelo para que o mundo ouça a voz dos que lutam, não com armas, mas com ideias. Dos que protegem a Amazônia, não como símbolo exótico, mas como berço da vida. Dos que não se curvam nem ao capital, nem às redes, nem aos algoritmos — mas permanecem de pé, guiados apenas pelo sopro da consciência.

O discurso de Anne Hidalgo não foi apenas um tributo a Lula. Foi um recado ao planeta: a esperança ainda tem rosto, nome e pátria. E, hoje, esse nome é Lula. Esse rosto é o do operário que chegou à presidência. Essa pátria é o Brasil que teima em não se ajoelhar diante da injustiça.

E quando Paris declara seu amor a Brasília, à sua gente e ao seu líder, o que se ergue não é apenas a Torre Eiffel. É a humanidade dizendo, com todas as letras: a esperança venceu.

 

 

 

Eu quero falar aqui da sua capacidade excepcional de enfrentar a adversidade, de superá-la. O Senhor pôs ao serviço dos outros a sua força vital, todo o seu ser. Senhor presidente, o Senhor é a encarnação da esperança. A esperança que ainda brilha quando tudo parece estar perdido.

A esperança que resistir em pleno caos, a esperança que continua a resistir quando todas as saídas Quando o Jair Bolsonaro e os seus amigos atirar o senhor na cadeia, utilizando todas essas mentiras, as manipulações, ignorando o estado de direito manipulando uma inversão dos valores, com palavras, não sei, porque milagre os corruptos acusam os políticos honestos honestos de corruptos E o senhor, o senhor resistiu.

Foi a força da sua alma, foi o amor da Janja que vinha todos os dias em frente do presídio onde o senhor se encontrava e junto a ela o senhor essa convicção tão sólida para conservar a força de lutar e a esperança.

E foi nesse momento que Paris, a capital dos direitos humanos, lhe conferiu a cidadania de honra. Querido Lula, o senhor vem aqui como cidadão de honra da cidade de Paris.

Eu sei que esse gesto foi importante porque era o reconhecimento da cidade de luz, reconhecimento dessa esperança encarnado pelo Senhor. E 5 anos depois o senhor volta a ser presidente do seu imenso país. É uma lição universal, política e humanista.

Essa lição que vem do Senhor é que nunca devemos nunca devemos perder esperança no mundo mais justo, onde as forças democráticas e sociais poderão corrigir as desigualdades de nascimento e os acidentes da vida, em vez de confirmar essas desigualdades. O senhor é um homem de paz, o senhor transmite uma mensagem de paz quando tantas guerras todos os dias trazem mortes e sofrimento.

A esperança também que o senhor representa é que no meio da Amazônia os estados conseguem até que, enfim, respeitar os seres vivos e não sacrificar tudo para a economia. A esperança que todos os anos, homens, mulheres, crianças possam sair da pobreza e não sofram mais com a fome.

A esperança que homens e mulheres possam ser eleitos e reeleitos, homens e mulheres políticos que, como o Senhor falam um discurso de verdade e não abandonam nem o pingo do seu poder de decisão para a demagogia e tem e a tentação de ceder perante os mais poderosos ou os algoritmos, só para conquistar os seus favores.

E o a esperança finalmente que o Norte e o Sul encontrem o caminho de uma governança mundial que permita erradicar a fome, proteger os mais fracos e dar um acesso a todos aos serviços essenciais. Querido presidente Lula, querido cidadão de honra da cidade de Paris, esta é a declaração que eu queria fazer.

É uma declaração de amor de Paris para Brasília, para o Brasil, da prefeita de Paris ao presidente do Brasil, cujas cores vão iluminar hoje o nosso belo símbolo a Torre Eiffel.

Como o senhor pode constatar, senhor presidente, Paris com a AMA

 

ARTIGO – A ousadia de Eduardo Bolsonaro é um ataque à democracia brasileira

 

(Padre Carlos)

A recente provocação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro ao ministro Alexandre de Moraes, feita com cinismo pelas redes sociais diretamente de Dallas, não é apenas uma bravata. É um gesto calculado, ousado e, sobretudo, perigoso. Um desafio direto ao Estado de Direito, às instituições brasileiras e, por consequência, ao povo brasileiro.

Ao insinuar que só responderia a uma carta rogatória ou outro meio legal vindo dos Estados Unidos, Eduardo não se limita a zombar do Supremo Tribunal Federal. Ele debocha da Constituição, desdenha da soberania nacional e escarnece do pacto democrático que nos rege desde a redemocratização. O filho do ex-presidente parece querer viver sob as regras de um Estado paralelo, onde não há prestação de contas, apenas a conveniência do exílio autoimposto financiado por sua própria família — que, diga-se, vive e atua em território nacional, sob as leis brasileiras.

Não estamos falando de um político qualquer. Trata-se de um dos principais articuladores da extrema direita brasileira, um personagem que, ao lado de outros aliados, esteve na linha de frente do esforço de desestabilização institucional que culminou nas tristes cenas do 8 de janeiro. Eduardo, ao desafiar um ministro da Suprema Corte que justamente impediu que o Brasil fosse tragado por um golpe de Estado, não atinge apenas Alexandre de Moraes. Atinge a espinha dorsal da democracia brasileira.

Essa afronta, feita com o respaldo do anonimato diplomático de um país estrangeiro, não é só covarde — é criminosa. Questionar, criticar ou até discordar das decisões do Supremo é legítimo. O que não é legítimo — e muito menos tolerável — é tentar transformar a fuga para o exterior em escudo contra a Justiça, enquanto, de forma descarada, continua influenciando o debate político nacional por meio de redes sociais inflamadas e discursos revisionistas.

Se Eduardo Bolsonaro acredita que está acima da lei, é dever do Estado brasileiro provar o contrário. E isso não é tarefa de um homem só, nem mesmo de um ministro do STF. Trata-se de uma missão que deve envolver o Congresso, o Judiciário e a sociedade civil. Permitir que um parlamentar desafie com tamanha arrogância as instituições é abrir caminho para que a democracia se transforme em farsa.

O Brasil não pode aceitar a normalização da impunidade travestida de “perseguição política”. A audácia do deputado licenciado não é um ataque ao ministro Alexandre de Moraes — é um ataque frontal ao Estado brasileiro e ao povo que deseja viver sob o império da lei. Se a Justiça brasileira quiser manter sua autoridade e seu prestígio, precisa agir com firmeza, responsabilidade e coragem.

Dallas não é abrigo de exilado político. É esconderijo de quem teme a Justiça e tenta manter, de longe, a chama acesa de um projeto autoritário fracassado. E isso, o Brasil democrático, simplesmente não pode tolerar.

ARTIGO – A ousadia de Eduardo Bolsonaro é um ataque à democracia brasileira

 

(Padre Carlos)

A recente provocação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro ao ministro Alexandre de Moraes, feita com cinismo pelas redes sociais diretamente de Dallas, não é apenas uma bravata. É um gesto calculado, ousado e, sobretudo, perigoso. Um desafio direto ao Estado de Direito, às instituições brasileiras e, por consequência, ao povo brasileiro.

Ao insinuar que só responderia a uma carta rogatória ou outro meio legal vindo dos Estados Unidos, Eduardo não se limita a zombar do Supremo Tribunal Federal. Ele debocha da Constituição, desdenha da soberania nacional e escarnece do pacto democrático que nos rege desde a redemocratização. O filho do ex-presidente parece querer viver sob as regras de um Estado paralelo, onde não há prestação de contas, apenas a conveniência do exílio autoimposto financiado por sua própria família — que, diga-se, vive e atua em território nacional, sob as leis brasileiras.

Não estamos falando de um político qualquer. Trata-se de um dos principais articuladores da extrema direita brasileira, um personagem que, ao lado de outros aliados, esteve na linha de frente do esforço de desestabilização institucional que culminou nas tristes cenas do 8 de janeiro. Eduardo, ao desafiar um ministro da Suprema Corte que justamente impediu que o Brasil fosse tragado por um golpe de Estado, não atinge apenas Alexandre de Moraes. Atinge a espinha dorsal da democracia brasileira.

Essa afronta, feita com o respaldo do anonimato diplomático de um país estrangeiro, não é só covarde — é criminosa. Questionar, criticar ou até discordar das decisões do Supremo é legítimo. O que não é legítimo — e muito menos tolerável — é tentar transformar a fuga para o exterior em escudo contra a Justiça, enquanto, de forma descarada, continua influenciando o debate político nacional por meio de redes sociais inflamadas e discursos revisionistas.

Se Eduardo Bolsonaro acredita que está acima da lei, é dever do Estado brasileiro provar o contrário. E isso não é tarefa de um homem só, nem mesmo de um ministro do STF. Trata-se de uma missão que deve envolver o Congresso, o Judiciário e a sociedade civil. Permitir que um parlamentar desafie com tamanha arrogância as instituições é abrir caminho para que a democracia se transforme em farsa.

O Brasil não pode aceitar a normalização da impunidade travestida de “perseguição política”. A audácia do deputado licenciado não é um ataque ao ministro Alexandre de Moraes — é um ataque frontal ao Estado brasileiro e ao povo que deseja viver sob o império da lei. Se a Justiça brasileira quiser manter sua autoridade e seu prestígio, precisa agir com firmeza, responsabilidade e coragem.

Dallas não é abrigo de exilado político. É esconderijo de quem teme a Justiça e tenta manter, de longe, a chama acesa de um projeto autoritário fracassado. E isso, o Brasil democrático, simplesmente não pode tolerar.

ARTIGO – Faltou Republicanismo ao Governador Jerônimo Rodrigues

 

Por Padre Carlos

A fala do governador Jerônimo Rodrigues (PT), durante a entrega de equipamentos de saúde em Vitória da Conquista, não foi apenas inoportuna — foi, sobretudo, antirrepublicana. Em um momento que deveria ser de celebração pelo reforço à rede hospitalar da cidade, o chefe do Executivo estadual preferiu fazer política miúda, usando o palanque para alfinetar a prefeita Sheila Lemos (UB), que, ao contrário do que se insinuou, não foi omissa: tinha compromissos previamente agendados e não abandonou suas responsabilidades com o município.

A ausência da gestora não deveria ter sido usada como pretexto para gerar constrangimento público. O governador poderia — e deveria — ter se portado como estadista. Afinal, quando um governante entrega equipamentos de UTI ou viaturas policiais, ele o faz com recursos públicos, para um povo que não tem partido, mas tem necessidades urgentes. O que se espera, portanto, é um gesto de grandeza, não de revanche.

Ao declarar que as ações do Estado seriam feitas “com ou sem a prefeita”, Jerônimo Rodrigues perdeu a chance de mostrar maturidade política. Sua fala soou mais como uma provocação do que como um gesto de cooperação federativa. E ainda que se argumente sobre diferenças ideológicas, cabe aos líderes públicos atuarem acima das disputas eleitorais quando se trata do bem comum.

A tentativa de expor uma autoridade local diante de seus próprios munícipes — em um momento de relevância como a entrega de equipamentos de saúde — fere o espírito democrático e republicano que deveria nortear a relação entre os entes federativos. É papel do governador dialogar, construir pontes e demonstrar que o interesse público está acima das vaidades e rivalidades políticas.

É possível fazer oposição com civilidade. É possível divergir com respeito. Mas é inadmissível instrumentalizar políticas públicas para gerar desgaste a um adversário político, especialmente quando isso ocorre em um momento que deveria simbolizar união e cuidado com a população.

Faltou ao governador o gesto republicano que se espera de quem ocupa um cargo tão importante: agir com respeito institucional, sem transformar o palanque do Estado em um ringue político. Porque, no fim, quem perde com esse tipo de postura não é a prefeita — é o povo.

ARTIGO – Faltou Republicanismo ao Governador Jerônimo Rodrigues

 

Por Padre Carlos

A fala do governador Jerônimo Rodrigues (PT), durante a entrega de equipamentos de saúde em Vitória da Conquista, não foi apenas inoportuna — foi, sobretudo, antirrepublicana. Em um momento que deveria ser de celebração pelo reforço à rede hospitalar da cidade, o chefe do Executivo estadual preferiu fazer política miúda, usando o palanque para alfinetar a prefeita Sheila Lemos (UB), que, ao contrário do que se insinuou, não foi omissa: tinha compromissos previamente agendados e não abandonou suas responsabilidades com o município.

A ausência da gestora não deveria ter sido usada como pretexto para gerar constrangimento público. O governador poderia — e deveria — ter se portado como estadista. Afinal, quando um governante entrega equipamentos de UTI ou viaturas policiais, ele o faz com recursos públicos, para um povo que não tem partido, mas tem necessidades urgentes. O que se espera, portanto, é um gesto de grandeza, não de revanche.

Ao declarar que as ações do Estado seriam feitas “com ou sem a prefeita”, Jerônimo Rodrigues perdeu a chance de mostrar maturidade política. Sua fala soou mais como uma provocação do que como um gesto de cooperação federativa. E ainda que se argumente sobre diferenças ideológicas, cabe aos líderes públicos atuarem acima das disputas eleitorais quando se trata do bem comum.

A tentativa de expor uma autoridade local diante de seus próprios munícipes — em um momento de relevância como a entrega de equipamentos de saúde — fere o espírito democrático e republicano que deveria nortear a relação entre os entes federativos. É papel do governador dialogar, construir pontes e demonstrar que o interesse público está acima das vaidades e rivalidades políticas.

É possível fazer oposição com civilidade. É possível divergir com respeito. Mas é inadmissível instrumentalizar políticas públicas para gerar desgaste a um adversário político, especialmente quando isso ocorre em um momento que deveria simbolizar união e cuidado com a população.

Faltou ao governador o gesto republicano que se espera de quem ocupa um cargo tão importante: agir com respeito institucional, sem transformar o palanque do Estado em um ringue político. Porque, no fim, quem perde com esse tipo de postura não é a prefeita — é o povo.

*Governo da Bahia investe mais de R$ 30 milhões em saúde, segurança e desenvolvimento rural em Vitória da Conquista*  

O governador Jerônimo Rodrigues e o ministro Rui Costa anunciaram nesta sexta-feira (6) um pacote de investimentos para Vitória da Conquista. Destaque para a inauguração de uma UTI com 20 leitos e um moderno Centro de Diagnóstico por Imagem no Hospital Afrânio Peixoto, com investimento de quase R$ 20 milhões. A expectativa é realizar 4 mil exames mensais, agilizando o atendimento na região.*

 

Na segurança, 50 viaturas foram entregues à Polícia Militar, incluindo motos, veículos blindados e bases móveis, totalizando R$ 6,5 milhões em equipamentos. Já no campo, tratores, tanques de resfriamento e máquinas agrícolas foram distribuídos para impulsionar a produção rural.

 

O governador destacou o compromisso com a interiorização dos serviços essenciais. As ações reforçam a parceria entre Estado e União para melhorar a qualidade de vida na Bahia.

*Governo da Bahia investe mais de R$ 30 milhões em saúde, segurança e desenvolvimento rural em Vitória da Conquista*  

O governador Jerônimo Rodrigues e o ministro Rui Costa anunciaram nesta sexta-feira (6) um pacote de investimentos para Vitória da Conquista. Destaque para a inauguração de uma UTI com 20 leitos e um moderno Centro de Diagnóstico por Imagem no Hospital Afrânio Peixoto, com investimento de quase R$ 20 milhões. A expectativa é realizar 4 mil exames mensais, agilizando o atendimento na região.*

 

Na segurança, 50 viaturas foram entregues à Polícia Militar, incluindo motos, veículos blindados e bases móveis, totalizando R$ 6,5 milhões em equipamentos. Já no campo, tratores, tanques de resfriamento e máquinas agrícolas foram distribuídos para impulsionar a produção rural.

 

O governador destacou o compromisso com a interiorização dos serviços essenciais. As ações reforçam a parceria entre Estado e União para melhorar a qualidade de vida na Bahia.

Manchetes dos principais jornais nacionais deste sábado

 

 

 

 

Da Redação

 

Folha de S. Paulo
Evangélicos são 26,9% no país, e católicos atingem menor índice

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/06/evangelicos-sao-269-da-populacao-e-ritmo-de-crescimento-diminui-catolicos-caem-para-menor-nivel.shtml

 

O Estado de S. Paulo
Cai ritmo de avanço evangélico; catolicismo perde fiéis, mas lidera

https://www.estadao.com.br/?srsltid=AfmBOoqW2ELKIr-efUNj6cJKG8flnrnav56RHibHTFEe4bbno5390D7H

 

Zero Hora (RS)
Evangélicos avançam e já são um quarto da população brasileira

https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2025/06/arroio-do-padre-e-a-cidade-mais-evangelica-e-menos-catolica-do-brasil-cmbl39j7i00cz014483evq75x.html

 

Jornal do Commercio (PE)
Aliança entre Trump e Musk acaba em tiroteio verbal público

https://jc.uol.com.br/mundo/2025/06/06/alianca-trump-musk-acaba-em-tiroteio-verbal-publico-entre-presidente-e-empresario.html

 

Correio Braziliense
País perde católicos. Há mais evangélicos e fiéis de religião afro

https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2025/06/7166850-evangelicos-avancam-e-religioes-afro-brasileiras-triplicam-no-pais.html

 

Folha de Pernambuco
Grupo Moura inaugura unidade de reciclagem

https://www.folhape.com.br/colunistas/blogdafolha/liderancas-politicas-celebram-investimento-do-grupo-moura-em-belo-jardim/51217/#:~:text=Com%20um%20investimento%20de%20R,Belo%20Jardim%2C%20no%20Agreste%20pernambucano.

 

Correio da Bahia
Artesãs do charuto

https://www.correio24horas.com.br/asteriscao/a-historia-do-empresario-que-fazia-charutos-para-dar-de-presente-e-criou-uma-das-maiores-marcas-do-pais-0625

 

O Dia (RJ)
GUARDA MUNICIPAL
Saiba como funcionará a divisão de elite armada

https://odia.ig.com.br/economia/2025/06/7068954-prefeitura-lanca-edital-para-criacao-da-divisao-de-elite-da-guarda-municipal.html

 

O Globo
População envangélica avança em todas as regiões do país

https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/06/06/censo-2022-numero-de-evangelicos-sobe-para-269percent-no-pais-enquanto-catolicos-perdem-12-pontos-percentuais.ghtml

 

Diário do Nordeste (CE)
Eusébio terá agro parque no lugar do autódromo

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/egidio-serpa/paywall-7.100?wall=0&aId=1.3657318

 

Estado de Minas
Os rumos da fé no Brasil

https://www.em.com.br/app/noticia/opiniao/2022/12/15/interna_opiniao,1433687/o-dever-de-definir-os-rumos-do-pais.shtml

 

A Tarde (BA)
Aluguel de imóveis no São João chega a R$ 15 mil no interior

https://atarde.com.br/imoveis/aluguel-de-casa-para-o-sao-joao-no-interior-da-bahia-chega-a-r-15-mil-1271941

 

Meia Hora (RJ)
No mês dos namorados, times dão match no app da bola

https://www.meiahora.com.br/

 

Diário de Pernambuco
Irmão do presidente da Alepe é alvo de investigação da PF

https://www.diariodepernambuco.com.br/vida-urbana/2025/06/3895070-irmao-de-presidente-da-alepe-e-alvo-de-operacao-da-pf-que-investiga-fraude-em-licitacoes.html

 

 

Manchetes dos principais jornais nacionais deste sábado

 

 

 

 

Da Redação

 

Folha de S. Paulo
Evangélicos são 26,9% no país, e católicos atingem menor índice

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/06/evangelicos-sao-269-da-populacao-e-ritmo-de-crescimento-diminui-catolicos-caem-para-menor-nivel.shtml

 

O Estado de S. Paulo
Cai ritmo de avanço evangélico; catolicismo perde fiéis, mas lidera

https://www.estadao.com.br/?srsltid=AfmBOoqW2ELKIr-efUNj6cJKG8flnrnav56RHibHTFEe4bbno5390D7H

 

Zero Hora (RS)
Evangélicos avançam e já são um quarto da população brasileira

https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2025/06/arroio-do-padre-e-a-cidade-mais-evangelica-e-menos-catolica-do-brasil-cmbl39j7i00cz014483evq75x.html

 

Jornal do Commercio (PE)
Aliança entre Trump e Musk acaba em tiroteio verbal público

https://jc.uol.com.br/mundo/2025/06/06/alianca-trump-musk-acaba-em-tiroteio-verbal-publico-entre-presidente-e-empresario.html

 

Correio Braziliense
País perde católicos. Há mais evangélicos e fiéis de religião afro

https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2025/06/7166850-evangelicos-avancam-e-religioes-afro-brasileiras-triplicam-no-pais.html

 

Folha de Pernambuco
Grupo Moura inaugura unidade de reciclagem

https://www.folhape.com.br/colunistas/blogdafolha/liderancas-politicas-celebram-investimento-do-grupo-moura-em-belo-jardim/51217/#:~:text=Com%20um%20investimento%20de%20R,Belo%20Jardim%2C%20no%20Agreste%20pernambucano.

 

Correio da Bahia
Artesãs do charuto

https://www.correio24horas.com.br/asteriscao/a-historia-do-empresario-que-fazia-charutos-para-dar-de-presente-e-criou-uma-das-maiores-marcas-do-pais-0625

 

O Dia (RJ)
GUARDA MUNICIPAL
Saiba como funcionará a divisão de elite armada

https://odia.ig.com.br/economia/2025/06/7068954-prefeitura-lanca-edital-para-criacao-da-divisao-de-elite-da-guarda-municipal.html

 

O Globo
População envangélica avança em todas as regiões do país

https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/06/06/censo-2022-numero-de-evangelicos-sobe-para-269percent-no-pais-enquanto-catolicos-perdem-12-pontos-percentuais.ghtml

 

Diário do Nordeste (CE)
Eusébio terá agro parque no lugar do autódromo

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/egidio-serpa/paywall-7.100?wall=0&aId=1.3657318

 

Estado de Minas
Os rumos da fé no Brasil

https://www.em.com.br/app/noticia/opiniao/2022/12/15/interna_opiniao,1433687/o-dever-de-definir-os-rumos-do-pais.shtml

 

A Tarde (BA)
Aluguel de imóveis no São João chega a R$ 15 mil no interior

https://atarde.com.br/imoveis/aluguel-de-casa-para-o-sao-joao-no-interior-da-bahia-chega-a-r-15-mil-1271941

 

Meia Hora (RJ)
No mês dos namorados, times dão match no app da bola

https://www.meiahora.com.br/

 

Diário de Pernambuco
Irmão do presidente da Alepe é alvo de investigação da PF

https://www.diariodepernambuco.com.br/vida-urbana/2025/06/3895070-irmao-de-presidente-da-alepe-e-alvo-de-operacao-da-pf-que-investiga-fraude-em-licitacoes.html