Política e Resenha

Zona Azul em Suspenso: O Que Está Por Trás da Decisão que Interrompe a Tarifa de Pós-Utilização em Vitória da Conquista?

A Vitória da Conquista iniciou esta segunda-feira (16) com uma mudança significativa no sistema de estacionamento rotativo. Em edição extra do Diário Oficial do Município, a Prefeitura publicou o Decreto nº 24.104, suspendendo por tempo indeterminado e com efeito imediato a cobrança da Tarifa de Pós-Utilização (TPU) da Zona Azul.

A medida revoga dispositivos do Decreto Municipal nº 23.999, de 18 de novembro de 2025, que regulamentava a TPU, além de alterar a redação do § 3º do art. 8º do mesmo decreto. Também ficam revogadas disposições dos Decretos nº 24.021, de 3 de dezembro de 2025, e nº 24.082, de 29 de janeiro de 2026, ambos relacionados à aplicação da tarifa.

Segundo a gestão municipal, a decisão foi motivada pelo descumprimento, por parte da concessionária responsável pelo serviço, de determinações estabelecidas em reunião com o Município. Diante desse cenário, a Prefeitura optou por suspender a cobrança até que as questões apontadas sejam devidamente apuradas e solucionadas.

A prefeita Sheila Lemos afirmou que a administração continuará adotando medidas voltadas ao equilíbrio e à responsabilidade administrativa, destacando o respeito aos usuários do serviço de estacionamento rotativo.

A Tarifa de Pós-Utilização havia sido implementada como alternativa à aplicação imediata de multas de natureza grave aos condutores que não efetuassem o pagamento dentro do prazo estabelecido. A proposta era oferecer uma medida considerada educativa, permitindo a regularização da pendência sem a penalidade direta prevista no Código de Trânsito.

Durante o mês de dezembro, a TPU não foi cobrada, em razão do período de adaptação ao novo modelo. Já em janeiro, parte das cobranças foi analisada e cancelada pela administração municipal. Entre os ajustes realizados anteriormente estavam a ampliação do tempo máximo de permanência nas vagas — de duas para três horas — e a redução de 50% no valor da tarifa para pagamentos efetuados em até dois dias úteis. As mudanças atenderam a solicitações apresentadas por entidades representativas do comércio local, como a Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória da Conquista e a Associação Comercial e Empresarial de Vitória da Conquista.

Além da suspensão, a Prefeitura informou que notificou oficialmente a empresa concessionária, exigindo o cumprimento imediato da determinação e a apresentação de relatório detalhado das cobranças já realizadas. O objetivo é verificar possíveis inconsistências e garantir maior transparência no processo.

A gestão municipal reafirmou o compromisso com o diálogo institucional, a transparência administrativa e o respeito aos cidadãos, especialmente trabalhadores do comércio, consumidores e usuários que dependem do estacionamento rotativo na região central da cidade para atividades cotidianas como trabalho, serviços bancários e atendimentos médicos.

Com a suspensão da Tarifa de Pós-Utilização, o sistema de Zona Azul passa por mais um ajuste regulatório, enquanto a administração municipal avalia os próximos passos para assegurar o funcionamento adequado do serviço e o cumprimento das normas estabelecidas.

(Maria Clara)

Zona Azul em Suspenso: O Que Está Por Trás da Decisão que Interrompe a Tarifa de Pós-Utilização em Vitória da Conquista?

A Vitória da Conquista iniciou esta segunda-feira (16) com uma mudança significativa no sistema de estacionamento rotativo. Em edição extra do Diário Oficial do Município, a Prefeitura publicou o Decreto nº 24.104, suspendendo por tempo indeterminado e com efeito imediato a cobrança da Tarifa de Pós-Utilização (TPU) da Zona Azul.

A medida revoga dispositivos do Decreto Municipal nº 23.999, de 18 de novembro de 2025, que regulamentava a TPU, além de alterar a redação do § 3º do art. 8º do mesmo decreto. Também ficam revogadas disposições dos Decretos nº 24.021, de 3 de dezembro de 2025, e nº 24.082, de 29 de janeiro de 2026, ambos relacionados à aplicação da tarifa.

Segundo a gestão municipal, a decisão foi motivada pelo descumprimento, por parte da concessionária responsável pelo serviço, de determinações estabelecidas em reunião com o Município. Diante desse cenário, a Prefeitura optou por suspender a cobrança até que as questões apontadas sejam devidamente apuradas e solucionadas.

A prefeita Sheila Lemos afirmou que a administração continuará adotando medidas voltadas ao equilíbrio e à responsabilidade administrativa, destacando o respeito aos usuários do serviço de estacionamento rotativo.

A Tarifa de Pós-Utilização havia sido implementada como alternativa à aplicação imediata de multas de natureza grave aos condutores que não efetuassem o pagamento dentro do prazo estabelecido. A proposta era oferecer uma medida considerada educativa, permitindo a regularização da pendência sem a penalidade direta prevista no Código de Trânsito.

Durante o mês de dezembro, a TPU não foi cobrada, em razão do período de adaptação ao novo modelo. Já em janeiro, parte das cobranças foi analisada e cancelada pela administração municipal. Entre os ajustes realizados anteriormente estavam a ampliação do tempo máximo de permanência nas vagas — de duas para três horas — e a redução de 50% no valor da tarifa para pagamentos efetuados em até dois dias úteis. As mudanças atenderam a solicitações apresentadas por entidades representativas do comércio local, como a Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória da Conquista e a Associação Comercial e Empresarial de Vitória da Conquista.

Além da suspensão, a Prefeitura informou que notificou oficialmente a empresa concessionária, exigindo o cumprimento imediato da determinação e a apresentação de relatório detalhado das cobranças já realizadas. O objetivo é verificar possíveis inconsistências e garantir maior transparência no processo.

A gestão municipal reafirmou o compromisso com o diálogo institucional, a transparência administrativa e o respeito aos cidadãos, especialmente trabalhadores do comércio, consumidores e usuários que dependem do estacionamento rotativo na região central da cidade para atividades cotidianas como trabalho, serviços bancários e atendimentos médicos.

Com a suspensão da Tarifa de Pós-Utilização, o sistema de Zona Azul passa por mais um ajuste regulatório, enquanto a administração municipal avalia os próximos passos para assegurar o funcionamento adequado do serviço e o cumprimento das normas estabelecidas.

(Maria Clara)

Quando Governar é Saber Ouvir

 

(Padre Carlos)

Há decisões administrativas que parecem frias no papel, mas revelam, na essência, a temperatura humana de quem governa. Suspender a cobrança da Tarifa de Pós-Utilização da Zona Azul não é apenas um ato burocrático. É um gesto político. E, mais do que isso, é um gesto de escuta.

Em tempos de desconfiança generalizada na política brasileira, quando o cidadão se sente frequentemente esmagado por taxas, multas e regras incompreensíveis, a atitude da prefeita Sheila Lemos sinaliza algo que anda raro: sensibilidade administrativa.

Governar não é apenas aplicar decretos; é interpretar o pulso da cidade. E Vitória da Conquista tem pulso forte. É uma cidade de trabalhadores, comerciantes, consumidores que atravessam o centro com pressa, mães que param o carro para levar o filho ao médico, idosos que vão ao banco, jovens que circulam pelo comércio. Cada vaga de estacionamento carrega histórias anônimas. Cada cobrança mal compreendida gera indignação silenciosa.

A Tarifa de Pós-Utilização nasceu como alternativa educativa, uma tentativa de evitar multas graves imediatas. A intenção parecia justa. Mas a prática revelou falhas. Determinações não cumpridas pela concessionária, insatisfações populares, reclamações do comércio. E foi nesse ponto que a liderança se revelou.

Há uma diferença entre governar com rigidez e governar com cuidado. A suspensão por tempo indeterminado demonstra algo profundamente feminino no exercício do poder: a disposição de ouvir antes de insistir. O diálogo com entidades como a CDL e a Acevic, os ajustes já realizados — ampliação do tempo de permanência, redução de valores, cancelamento de cobranças — mostram que não se trata de teimosia administrativa, mas de responsabilidade pública.

Boa gestão pública não é aquela que jamais erra. É aquela que corrige o rumo quando percebe o desalinho. Transparência, responsabilidade administrativa e respeito aos usuários não podem ser apenas palavras em nota oficial; precisam se traduzir em decisões concretas. E foi isso que ocorreu.

Há um simbolismo forte quando uma prefeitura exige relatório detalhado da empresa concessionária e determina o cumprimento imediato das novas diretrizes. Isso comunica à população que o poder concedente não está submisso ao poder econômico. A autoridade pública reafirma seu papel fiscalizador.

Em uma cidade do porte de Vitória da Conquista, onde o comércio é vital para a economia local e o estacionamento rotativo organiza o fluxo urbano, decisões sobre Zona Azul não são pequenas. Elas tocam diretamente o bolso do cidadão e o funcionamento da cidade. Suspender a cobrança, diante de inconsistências, é reconhecer que o interesse coletivo deve prevalecer sobre qualquer contrato.

E talvez aqui esteja o ponto mais relevante: política com escuta gera confiança. Confiança gera estabilidade. Estabilidade fortalece a cidade.

O gesto da prefeita não resolve todos os problemas urbanos. Mas envia uma mensagem poderosa: o governo municipal está atento. Está disposto a rever. Está aberto ao diálogo. E, num Brasil marcado por polarizações e radicalismos, isso não é pouco.

Vitória da Conquista precisa de gestão técnica, sim. Precisa de planejamento urbano, equilíbrio fiscal, responsabilidade administrativa. Mas precisa também de humanidade na condução das decisões.

Porque cidade não é apenas asfalto, decreto e arrecadação. Cidade é gente.

E quando o poder público aprende a ouvir a voz que vem das ruas — dos comerciantes, dos motoristas, dos trabalhadores — ele deixa de ser distante e passa a ser parceiro.

Governar é administrar.
Mas, antes de tudo, governar é cuidar.

Quando Governar é Saber Ouvir

 

(Padre Carlos)

Há decisões administrativas que parecem frias no papel, mas revelam, na essência, a temperatura humana de quem governa. Suspender a cobrança da Tarifa de Pós-Utilização da Zona Azul não é apenas um ato burocrático. É um gesto político. E, mais do que isso, é um gesto de escuta.

Em tempos de desconfiança generalizada na política brasileira, quando o cidadão se sente frequentemente esmagado por taxas, multas e regras incompreensíveis, a atitude da prefeita Sheila Lemos sinaliza algo que anda raro: sensibilidade administrativa.

Governar não é apenas aplicar decretos; é interpretar o pulso da cidade. E Vitória da Conquista tem pulso forte. É uma cidade de trabalhadores, comerciantes, consumidores que atravessam o centro com pressa, mães que param o carro para levar o filho ao médico, idosos que vão ao banco, jovens que circulam pelo comércio. Cada vaga de estacionamento carrega histórias anônimas. Cada cobrança mal compreendida gera indignação silenciosa.

A Tarifa de Pós-Utilização nasceu como alternativa educativa, uma tentativa de evitar multas graves imediatas. A intenção parecia justa. Mas a prática revelou falhas. Determinações não cumpridas pela concessionária, insatisfações populares, reclamações do comércio. E foi nesse ponto que a liderança se revelou.

Há uma diferença entre governar com rigidez e governar com cuidado. A suspensão por tempo indeterminado demonstra algo profundamente feminino no exercício do poder: a disposição de ouvir antes de insistir. O diálogo com entidades como a CDL e a Acevic, os ajustes já realizados — ampliação do tempo de permanência, redução de valores, cancelamento de cobranças — mostram que não se trata de teimosia administrativa, mas de responsabilidade pública.

Boa gestão pública não é aquela que jamais erra. É aquela que corrige o rumo quando percebe o desalinho. Transparência, responsabilidade administrativa e respeito aos usuários não podem ser apenas palavras em nota oficial; precisam se traduzir em decisões concretas. E foi isso que ocorreu.

Há um simbolismo forte quando uma prefeitura exige relatório detalhado da empresa concessionária e determina o cumprimento imediato das novas diretrizes. Isso comunica à população que o poder concedente não está submisso ao poder econômico. A autoridade pública reafirma seu papel fiscalizador.

Em uma cidade do porte de Vitória da Conquista, onde o comércio é vital para a economia local e o estacionamento rotativo organiza o fluxo urbano, decisões sobre Zona Azul não são pequenas. Elas tocam diretamente o bolso do cidadão e o funcionamento da cidade. Suspender a cobrança, diante de inconsistências, é reconhecer que o interesse coletivo deve prevalecer sobre qualquer contrato.

E talvez aqui esteja o ponto mais relevante: política com escuta gera confiança. Confiança gera estabilidade. Estabilidade fortalece a cidade.

O gesto da prefeita não resolve todos os problemas urbanos. Mas envia uma mensagem poderosa: o governo municipal está atento. Está disposto a rever. Está aberto ao diálogo. E, num Brasil marcado por polarizações e radicalismos, isso não é pouco.

Vitória da Conquista precisa de gestão técnica, sim. Precisa de planejamento urbano, equilíbrio fiscal, responsabilidade administrativa. Mas precisa também de humanidade na condução das decisões.

Porque cidade não é apenas asfalto, decreto e arrecadação. Cidade é gente.

E quando o poder público aprende a ouvir a voz que vem das ruas — dos comerciantes, dos motoristas, dos trabalhadores — ele deixa de ser distante e passa a ser parceiro.

Governar é administrar.
Mas, antes de tudo, governar é cuidar.

O Espírito Esquecido do Carnaval: Da Mudança do Garcia aos Cordões de Rua, Onde Foi Parar Nossa Alegria?

 

Por Padre Carlos

 

Eu fecho os olhos e, de repente, estou lá. O ar úmido de Salvador, carregado do cheiro doce de cachaça barata misturada ao suor de corpos que se entrelaçam sem pudor. O batuque dos atabaques pulsa no peito como um coração coletivo, e as risadas ecoam pelas ruas de pedra do Garcia, onde o sol poente pinta de ouro as fachadas antigas. Não é uma memória minha – ou talvez seja, herdada dos mais velhos, daqueles que carregavam as mortalhas e as fantasias simples, dançando atrás dos cordões de rua. Era o Carnaval de verdade, o de antes dos trios elétricos e dos abadás numerados. O de confraternização pura, onde o pobre e o rico, o negro e o branco, se misturavam como confetes no vento.

Ah, como dói essa nostalgia, leitor. Como uma facada doce no peito, que nos faz questionar: por onde andam aqueles espíritos de alegria e confraternização? Hoje, ao pisar na rua durante a folia, o que encontramos não é o abraço fraterno, mas o soco no escuro, a garrafada no ar, o olhar carregado de fúria. A violência que se infiltrou como veneno no sangue da festa. E no meio dessa bagunça, surge ela, a Mudança do Garcia, como um farol teimoso no meio da tempestade. Esse bloco centenário, nascido nos anos 1920 no coração do bairro que lhe dá nome, não é só um desfile – é a encarnação viva do espírito daqueles cordões de rua que outrora dominavam as avenidas da Bahia.

Pense comigo: imagine os carnavais antigos de Salvador, aqueles dos grandes clubes como o Fantoches o Portugugês, a AABB e o Espanhol. Mas o verdadeiro pulsar da folia batia nas veias populares. Os cordões de rua – agremiações humildes, feitas de percussão crua, fantasias improvisadas e uma irreverência que desafiava as grades da sociedade. Batucadas que saíam dos becos do Garcia, da Liberdade, da Baixa dos Sapateiros, levando a multidão para as ruas sem cordas, sem barreiras, só o ritmo e o riso. Eram blocos de protesto disfarçados de festa, onde o povo negro e mestiço tomava as avenidas, transformando o entrudo em ato de resistência. A Mudança do Garcia, com seus 100 anos de tradição, carrega essa chama no peito. Seu desfile na segunda-feira gorda – do final de linha do bairro até o Circuito Riachão, homenageando o sambista Clementino Rodrigues – é um grito vivo: “Aqui estamos, ainda irreverentes, ainda unidos pelo humor e pela diversidade!”

É como se o Garcia fosse o último bastião de um rio que um dia correu livre. Metáfora? Talvez. Mas olhe ao redor: o Carnaval de hoje, com seus blocos cercados por cordas de segurança e cordeiros exaustos, virou um labirinto de classes. A pipoca – a gente do povo – fica do lado de fora, assistindo de longe, enquanto lá dentro, nos camarotes e trios, a festa se isola. E o pior: a alegria deu lugar à fúria. Relatos recentes, de brigas que explodem como fogos fora de hora, assédios que mancham a noite, armas brancas reluzindo no meio da multidão. Onde está o espírito de outrora? Aquele que fazia da máscara não uma armadura, mas uma ponte?

Aqui entra a voz de Chico Buarque, ecoando como um oráculo. Em “Noite dos Mascarados”, ele e Elis Regina cantam: “Quem é você? Adivinha se gosta de mim… Hoje os dois mascarados procuram os seus namorados, perguntando assim.” Ah, que canção! Uma ode ao Carnaval como espaço de liberdade, onde as identidades se dissolvem, o ódio se dissolve, e só resta o desejo cru, o abraço anônimo. “Mas é Carnaval, não me diga mais quem é você. Amanhã tudo volta ao normal.” Era isso: a reta do Carnaval – aquela linha reta de pura folia, sem curvas de preconceito – virou careta neste tempo de fúria e ódio. Careta, sim, porque o que vemos agora não é a máscara que liberta, mas a cara feia da divisão social, do rancor político, da intolerância que se infiltra como um vírus na multidão. O Carnaval, outrora espelho da Bahia mestiça, agora reflete uma sociedade rachada, onde a confraternização é trocada por confrontos.

Eu não falo como um saudosista amargo, leitor. Falo como alguém que ama essa festa na alma, que cresceu ouvindo as histórias dos mais velhos e que, todo ano, busca nos blocos tradicionais um sopro de esperança. A Mudança do Garcia não é só um bloco; é um lembrete moral, um chamado intelectual para resgatarmos o que nos define como baianos: a alegria que une, não a violência que separa. É o protesto com humor, a diversidade sem cordas, a rua como palco de todos.

E você, meu caro folião? Sente isso também? Essa saudade que aperta o peito, esse desejo de ver os cordões de rua renascerem, livres e selvagens? Que a Mudança do Garcia nos inspire a dançar de novo, sem medo, sem ódio. Porque, no fundo, o Carnaval não é só festa – é o coração batendo da Bahia. Vamos resgatá-lo, antes que ele se perca para sempre nas sombras da reta careta. Amanhã pode voltar ao normal, mas hoje… hoje, que sejamos máscaras de luz.

O Espírito Esquecido do Carnaval: Da Mudança do Garcia aos Cordões de Rua, Onde Foi Parar Nossa Alegria?

 

Por Padre Carlos

 

Eu fecho os olhos e, de repente, estou lá. O ar úmido de Salvador, carregado do cheiro doce de cachaça barata misturada ao suor de corpos que se entrelaçam sem pudor. O batuque dos atabaques pulsa no peito como um coração coletivo, e as risadas ecoam pelas ruas de pedra do Garcia, onde o sol poente pinta de ouro as fachadas antigas. Não é uma memória minha – ou talvez seja, herdada dos mais velhos, daqueles que carregavam as mortalhas e as fantasias simples, dançando atrás dos cordões de rua. Era o Carnaval de verdade, o de antes dos trios elétricos e dos abadás numerados. O de confraternização pura, onde o pobre e o rico, o negro e o branco, se misturavam como confetes no vento.

Ah, como dói essa nostalgia, leitor. Como uma facada doce no peito, que nos faz questionar: por onde andam aqueles espíritos de alegria e confraternização? Hoje, ao pisar na rua durante a folia, o que encontramos não é o abraço fraterno, mas o soco no escuro, a garrafada no ar, o olhar carregado de fúria. A violência que se infiltrou como veneno no sangue da festa. E no meio dessa bagunça, surge ela, a Mudança do Garcia, como um farol teimoso no meio da tempestade. Esse bloco centenário, nascido nos anos 1920 no coração do bairro que lhe dá nome, não é só um desfile – é a encarnação viva do espírito daqueles cordões de rua que outrora dominavam as avenidas da Bahia.

Pense comigo: imagine os carnavais antigos de Salvador, aqueles dos grandes clubes como o Fantoches o Portugugês, a AABB e o Espanhol. Mas o verdadeiro pulsar da folia batia nas veias populares. Os cordões de rua – agremiações humildes, feitas de percussão crua, fantasias improvisadas e uma irreverência que desafiava as grades da sociedade. Batucadas que saíam dos becos do Garcia, da Liberdade, da Baixa dos Sapateiros, levando a multidão para as ruas sem cordas, sem barreiras, só o ritmo e o riso. Eram blocos de protesto disfarçados de festa, onde o povo negro e mestiço tomava as avenidas, transformando o entrudo em ato de resistência. A Mudança do Garcia, com seus 100 anos de tradição, carrega essa chama no peito. Seu desfile na segunda-feira gorda – do final de linha do bairro até o Circuito Riachão, homenageando o sambista Clementino Rodrigues – é um grito vivo: “Aqui estamos, ainda irreverentes, ainda unidos pelo humor e pela diversidade!”

É como se o Garcia fosse o último bastião de um rio que um dia correu livre. Metáfora? Talvez. Mas olhe ao redor: o Carnaval de hoje, com seus blocos cercados por cordas de segurança e cordeiros exaustos, virou um labirinto de classes. A pipoca – a gente do povo – fica do lado de fora, assistindo de longe, enquanto lá dentro, nos camarotes e trios, a festa se isola. E o pior: a alegria deu lugar à fúria. Relatos recentes, de brigas que explodem como fogos fora de hora, assédios que mancham a noite, armas brancas reluzindo no meio da multidão. Onde está o espírito de outrora? Aquele que fazia da máscara não uma armadura, mas uma ponte?

Aqui entra a voz de Chico Buarque, ecoando como um oráculo. Em “Noite dos Mascarados”, ele e Elis Regina cantam: “Quem é você? Adivinha se gosta de mim… Hoje os dois mascarados procuram os seus namorados, perguntando assim.” Ah, que canção! Uma ode ao Carnaval como espaço de liberdade, onde as identidades se dissolvem, o ódio se dissolve, e só resta o desejo cru, o abraço anônimo. “Mas é Carnaval, não me diga mais quem é você. Amanhã tudo volta ao normal.” Era isso: a reta do Carnaval – aquela linha reta de pura folia, sem curvas de preconceito – virou careta neste tempo de fúria e ódio. Careta, sim, porque o que vemos agora não é a máscara que liberta, mas a cara feia da divisão social, do rancor político, da intolerância que se infiltra como um vírus na multidão. O Carnaval, outrora espelho da Bahia mestiça, agora reflete uma sociedade rachada, onde a confraternização é trocada por confrontos.

Eu não falo como um saudosista amargo, leitor. Falo como alguém que ama essa festa na alma, que cresceu ouvindo as histórias dos mais velhos e que, todo ano, busca nos blocos tradicionais um sopro de esperança. A Mudança do Garcia não é só um bloco; é um lembrete moral, um chamado intelectual para resgatarmos o que nos define como baianos: a alegria que une, não a violência que separa. É o protesto com humor, a diversidade sem cordas, a rua como palco de todos.

E você, meu caro folião? Sente isso também? Essa saudade que aperta o peito, esse desejo de ver os cordões de rua renascerem, livres e selvagens? Que a Mudança do Garcia nos inspire a dançar de novo, sem medo, sem ódio. Porque, no fundo, o Carnaval não é só festa – é o coração batendo da Bahia. Vamos resgatá-lo, antes que ele se perca para sempre nas sombras da reta careta. Amanhã pode voltar ao normal, mas hoje… hoje, que sejamos máscaras de luz.

Fiscalizar para Respeitar a Cidade: Quando o Asfalto Vira Obstáculo

 

Padre Carlos

 

Há um som que todo motorista conhece — o impacto seco do pneu contra um remendo malfeito. Não é apenas barulho. É o retrato de uma cultura de improviso. É o eco de uma obra pública que começa com urgência técnica e termina com descuido estético e estrutural.

As intervenções da Embasa são, muitas vezes, necessárias. Romper o asfalto para corrigir falhas na rede de abastecimento ou esgotamento não é capricho: é prevenção de colapsos maiores. A própria Prefeitura reconhece isso ao acompanhar a manutenção no cruzamento das avenidas Avenida Jorge Teixeira e Avenida Alziro Prates, no bairro Candeias.

O problema não está na abertura do solo. Está no fechamento.

O que se vê com frequência, após a passagem das equipes terceirizadas, é um asfalto remendado sem nivelamento adequado, ondulações que mais parecem lombadas improvisadas, cicatrizes mal costuradas sobre a malha viária. O provisório vira permanente. O emergencial transforma-se em rotina. E a cidade — que deveria ser respeitada — passa a ser tratada como canteiro de obras sem dono.

É preciso dizer com clareza: terceirizar não significa terceirizar a responsabilidade.

Quando uma empresa contratada executa um serviço em nome de uma concessionária pública, ela carrega consigo o dever de excelência técnica. Não basta tapar o buraco; é necessário recompor a via com padrão de qualidade. O asfalto não pode ser apenas uma camada para “liberar o tráfego”. Ele precisa dialogar com o que já existia, manter o nivelamento, preservar a segurança e a durabilidade da pavimentação.

O secretário de Infraestrutura Urbana, Jackson Yoshiura, foi preciso ao afirmar que o asfalto atual é provisório e que a recomposição definitiva ocorrerá ao final do cronograma. A presença da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana é, portanto, mais que um gesto administrativo — é um ato de vigilância institucional. E aqui reside um ponto central: a fiscalização inibe o improviso.

Quando o poder público acompanha de perto, as empresas pensam duas vezes antes de fazer “de qualquer jeito”. Quando há monitoramento técnico, há compromisso. Quando há cobrança formal, há padrão.

Sem fiscalização, o que sobra é a paisagem conhecida: ruas que se tornam corredores de solavancos, suspensão de veículos comprometida, motociclistas em risco, drenagem prejudicada. Pequenos desníveis hoje são grandes problemas amanhã. O que era para ser manutenção preventiva vira despesa futura — paga, novamente, pelo contribuinte.

A cidade não pode se acostumar com a estética do remendo.

Obras emergenciais são compreensíveis. Acabamentos precários, não. Se o argumento é técnico, que a execução também o seja. Se a intervenção é necessária, que o resultado final seja digno da malha urbana que custou caro aos cofres públicos e à paciência da população.

Fiscalizar não é perseguir. É proteger o interesse coletivo.

É papel da Prefeitura acompanhar, exigir cronograma, cobrar recomposição definitiva, medir nivelamento, avaliar compactação, verificar espessura da camada asfáltica. É papel da concessionária assegurar que suas terceirizadas cumpram rigorosamente os padrões estabelecidos. E é direito da população receber a via de volta em perfeitas condições — não apenas transitável, mas tecnicamente adequada.

A cidade não é laboratório de improvisos. É espaço de vida.

Cada avenida mal recomposta é um lembrete de que eficiência sem qualidade é apenas pressa. E pressa, quando mal administrada, custa caro — em dinheiro, em segurança, em credibilidade.

Que a presença da fiscalização municipal não seja episódica, mas permanente. Que o provisório não se eternize. Que o asfalto volte a ser estrada — e não obstáculo.

Porque uma cidade que se respeita começa pelo chão que sustenta seus passos.

Fiscalizar para Respeitar a Cidade: Quando o Asfalto Vira Obstáculo

 

Padre Carlos

 

Há um som que todo motorista conhece — o impacto seco do pneu contra um remendo malfeito. Não é apenas barulho. É o retrato de uma cultura de improviso. É o eco de uma obra pública que começa com urgência técnica e termina com descuido estético e estrutural.

As intervenções da Embasa são, muitas vezes, necessárias. Romper o asfalto para corrigir falhas na rede de abastecimento ou esgotamento não é capricho: é prevenção de colapsos maiores. A própria Prefeitura reconhece isso ao acompanhar a manutenção no cruzamento das avenidas Avenida Jorge Teixeira e Avenida Alziro Prates, no bairro Candeias.

O problema não está na abertura do solo. Está no fechamento.

O que se vê com frequência, após a passagem das equipes terceirizadas, é um asfalto remendado sem nivelamento adequado, ondulações que mais parecem lombadas improvisadas, cicatrizes mal costuradas sobre a malha viária. O provisório vira permanente. O emergencial transforma-se em rotina. E a cidade — que deveria ser respeitada — passa a ser tratada como canteiro de obras sem dono.

É preciso dizer com clareza: terceirizar não significa terceirizar a responsabilidade.

Quando uma empresa contratada executa um serviço em nome de uma concessionária pública, ela carrega consigo o dever de excelência técnica. Não basta tapar o buraco; é necessário recompor a via com padrão de qualidade. O asfalto não pode ser apenas uma camada para “liberar o tráfego”. Ele precisa dialogar com o que já existia, manter o nivelamento, preservar a segurança e a durabilidade da pavimentação.

O secretário de Infraestrutura Urbana, Jackson Yoshiura, foi preciso ao afirmar que o asfalto atual é provisório e que a recomposição definitiva ocorrerá ao final do cronograma. A presença da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana é, portanto, mais que um gesto administrativo — é um ato de vigilância institucional. E aqui reside um ponto central: a fiscalização inibe o improviso.

Quando o poder público acompanha de perto, as empresas pensam duas vezes antes de fazer “de qualquer jeito”. Quando há monitoramento técnico, há compromisso. Quando há cobrança formal, há padrão.

Sem fiscalização, o que sobra é a paisagem conhecida: ruas que se tornam corredores de solavancos, suspensão de veículos comprometida, motociclistas em risco, drenagem prejudicada. Pequenos desníveis hoje são grandes problemas amanhã. O que era para ser manutenção preventiva vira despesa futura — paga, novamente, pelo contribuinte.

A cidade não pode se acostumar com a estética do remendo.

Obras emergenciais são compreensíveis. Acabamentos precários, não. Se o argumento é técnico, que a execução também o seja. Se a intervenção é necessária, que o resultado final seja digno da malha urbana que custou caro aos cofres públicos e à paciência da população.

Fiscalizar não é perseguir. É proteger o interesse coletivo.

É papel da Prefeitura acompanhar, exigir cronograma, cobrar recomposição definitiva, medir nivelamento, avaliar compactação, verificar espessura da camada asfáltica. É papel da concessionária assegurar que suas terceirizadas cumpram rigorosamente os padrões estabelecidos. E é direito da população receber a via de volta em perfeitas condições — não apenas transitável, mas tecnicamente adequada.

A cidade não é laboratório de improvisos. É espaço de vida.

Cada avenida mal recomposta é um lembrete de que eficiência sem qualidade é apenas pressa. E pressa, quando mal administrada, custa caro — em dinheiro, em segurança, em credibilidade.

Que a presença da fiscalização municipal não seja episódica, mas permanente. Que o provisório não se eternize. Que o asfalto volte a ser estrada — e não obstáculo.

Porque uma cidade que se respeita começa pelo chão que sustenta seus passos.

ARTIGO DE OPINIÃO – A Guerra Fria da Política Baiana

 

 

Por Padre Carlos

 

A política da Bahia mudou. Antes era briga aberta, discurso forte, palanque quente. Hoje parece mais jogo silencioso. Não é só disputa por voto. É estratégia, conversa de bastidor, ligação de última hora. Lembra muito a Guerra Fria: ninguém declara guerra, mas todo mundo está se vigiando.

Não tem tanque na rua. Tem prefeito sendo disputado.
Não tem bomba. Tem acordo fechado atrás de porta.
E quem conquista mais aliados sai dizendo que já está ganhando — mesmo antes do povo votar.

A corrida pelos prefeitos

O governador Jerônimo Rodrigues começou a atrair prefeitos de cidades pequenas e médias. Cada apoio que aparece ao seu lado vira manchete e passa uma mensagem clara: “estamos crescendo”.

E política é muito sobre imagem. Quando um prefeito muda de lado, o recado é direto: alguém está perdendo força.

O movimento mais comentado foi a tentativa de aproximação com o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, o segundo maior colégio eleitoral do estado. Feira tem peso. Quem controla Feira ganha força no interior.

Mas o prefeito foi cauteloso. Disse que só fala em março. E esse silêncio vale ouro. Em política, saber a hora de falar é poder.

O contra-ataque

Do outro lado, ACM Neto não ficou parado. Se Jerônimo avança, ele reage. A aproximação com o senador Angelo Coronel é uma resposta clara: o jogo está longe de estar decidido.

Além disso, Neto tenta fortalecer seu grupo trazendo lideranças como Quinho, que tem influência no interior. É uma disputa constante. Um puxa de lá, o outro puxa de cá.

E assim a política vai virando uma troca de aliados, quase como time de futebol contratando jogador do rival.

Fidelidade ou oportunidade?

Mas tem um detalhe importante: esses prefeitos e lideranças também sabem jogar. Eles aproveitam que estão sendo disputados. Valorizam o passe. Negociam apoio, espaço, recursos.

Não são inocentes. Sabem que, quando dois lados brigam por você, seu valor aumenta.

O eleitor, porém, observa. E pergunta: é fidelidade mesmo ou é conveniência?

No fim, quem decide é o povo

Pode ter articulação, pode ter foto, pode ter anúncio de apoio. Mas nada disso garante vitória. Quem decide é o eleitor.

A política pode tentar mostrar que já ganhou antes do tempo. Pode criar clima de vitória. Mas a decisão só acontece na urna.

Se existe uma “guerra fria” na Bahia, ela termina no dia da eleição.
E ali não vence quem juntou mais prefeitos.
Vence quem conseguiu convencer o povo.

Porque, no fim das contas, na Bahia — como sempre foi — o voto é soberano.

ARTIGO DE OPINIÃO – A Guerra Fria da Política Baiana

 

 

Por Padre Carlos

 

A política da Bahia mudou. Antes era briga aberta, discurso forte, palanque quente. Hoje parece mais jogo silencioso. Não é só disputa por voto. É estratégia, conversa de bastidor, ligação de última hora. Lembra muito a Guerra Fria: ninguém declara guerra, mas todo mundo está se vigiando.

Não tem tanque na rua. Tem prefeito sendo disputado.
Não tem bomba. Tem acordo fechado atrás de porta.
E quem conquista mais aliados sai dizendo que já está ganhando — mesmo antes do povo votar.

A corrida pelos prefeitos

O governador Jerônimo Rodrigues começou a atrair prefeitos de cidades pequenas e médias. Cada apoio que aparece ao seu lado vira manchete e passa uma mensagem clara: “estamos crescendo”.

E política é muito sobre imagem. Quando um prefeito muda de lado, o recado é direto: alguém está perdendo força.

O movimento mais comentado foi a tentativa de aproximação com o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, o segundo maior colégio eleitoral do estado. Feira tem peso. Quem controla Feira ganha força no interior.

Mas o prefeito foi cauteloso. Disse que só fala em março. E esse silêncio vale ouro. Em política, saber a hora de falar é poder.

O contra-ataque

Do outro lado, ACM Neto não ficou parado. Se Jerônimo avança, ele reage. A aproximação com o senador Angelo Coronel é uma resposta clara: o jogo está longe de estar decidido.

Além disso, Neto tenta fortalecer seu grupo trazendo lideranças como Quinho, que tem influência no interior. É uma disputa constante. Um puxa de lá, o outro puxa de cá.

E assim a política vai virando uma troca de aliados, quase como time de futebol contratando jogador do rival.

Fidelidade ou oportunidade?

Mas tem um detalhe importante: esses prefeitos e lideranças também sabem jogar. Eles aproveitam que estão sendo disputados. Valorizam o passe. Negociam apoio, espaço, recursos.

Não são inocentes. Sabem que, quando dois lados brigam por você, seu valor aumenta.

O eleitor, porém, observa. E pergunta: é fidelidade mesmo ou é conveniência?

No fim, quem decide é o povo

Pode ter articulação, pode ter foto, pode ter anúncio de apoio. Mas nada disso garante vitória. Quem decide é o eleitor.

A política pode tentar mostrar que já ganhou antes do tempo. Pode criar clima de vitória. Mas a decisão só acontece na urna.

Se existe uma “guerra fria” na Bahia, ela termina no dia da eleição.
E ali não vence quem juntou mais prefeitos.
Vence quem conseguiu convencer o povo.

Porque, no fim das contas, na Bahia — como sempre foi — o voto é soberano.

Baiano Doce de Alma Revolucionária

 

 

A Travessia de Renato Rabelo pela História do Brasil

Padre Carlos

 

O Brasil amanheceu com um silêncio diferente neste 15 de fevereiro de 2026.
Não era apenas o silêncio da morte. Era o silêncio das páginas que se fecham devagar, como quem respeita a grandeza da história que acabou de ser escrita.

Renato Rabelo partiu.

Há homens que ocupam cargos.
Há homens que ocupam épocas.

Renato ocupou uma época inteira da política brasileira.

Vice-presidente da União Nacional dos Estudantes quando o país mergulhava na noite da ditadura militar, ele escolheu não aprender a linguagem do medo. Enquanto muitos sussurravam, ele ergueu a voz. Enquanto portas se fechavam, ele procurava janelas. Era jovem — mas já carregava no peito a gravidade de quem entende que a democracia não é herança; é conquista.

Militante da Ação Popular, ajudou a integrar aquela organização ao Partido Comunista do Brasil em 1973. Não foi apenas uma mudança de sigla. Foi uma decisão estratégica no meio da tempestade. Em 1976, durante a brutal repressão que marcou a Chacina da Lapa, estava no exílio na França. Sobreviveu. E às vezes sobreviver também é um ato político.

Voltou com a anistia de 1979 trazendo na bagagem algo invisível: maturidade histórica. Ao lado de João Amazonas, ajudou a reconstruir o partido não como quem remenda um tecido rasgado, mas como quem redesenha o mapa de uma nação possível.

Renato compreendia que a política é como um rio.
Às vezes precisa de correnteza.
Às vezes precisa de margem.

Foi um dos articuladores da Frente Brasil Popular que lançou, em 1989, a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Aquela derrota não foi fracasso. Foi semente. Ele sabia que a história brasileira é feita de ciclos longos, de acumulações silenciosas, de perseverança.

Quando assumiu a presidência do PCdoB, em 2001, enfrentou talvez seu maior desafio: participar de governos de coalizão sem perder a identidade, apoiar sem se dissolver, dialogar sem abdicar. Ajudou a construir as táticas políticas dos governos Lula e de Dilma Rousseff, acreditando que a democracia brasileira precisava ser defendida como quem protege uma chama em meio ao vento.

Chamaram-no de moderado.
Chamaram-no de estrategista.

Talvez fosse apenas coerente.

No cenário internacional, fortaleceu laços com China, Vietnã e Cuba, sempre sob a bandeira da soberania nacional. Para ele, o Brasil precisava dialogar com o mundo sem dobrar os joelhos.

Mas sua maior obra não está apenas nos discursos ou nas articulações políticas. Está nas pessoas que formou. Nos quadros que preparou. Nos jovens que ensinou a pensar estrategicamente. Ele sabia que partidos não sobrevivem apenas de memória; sobrevivem de renovação.

E aqui, permitam-me uma confissão pessoal.

Num tempo em que a política parece cansada, agressiva, ruidosa, Renato lembrava que é possível ser firme sem perder a doçura. Dilma o chamou de “um baiano doce de alma revolucionária”. Essa frase carrega uma síntese rara: doçura não como fragilidade, mas como humanidade. Revolução não como ódio, mas como projeto.

Ele acreditava em justiça social.
Acreditava em soberania nacional.
Acreditava que o Brasil poderia ser maior do que suas crises.

Sua morte não encerra apenas uma biografia. Ela nos devolve uma pergunta: quem continuará a travessia?

Porque a história não caminha sozinha. Ela precisa de pés. Precisa de coragem. Precisa de gente disposta a enfrentar o vento contrário.

O Partido Comunista do Brasil inclina sua bandeira. A esquerda brasileira chora. A política nacional perde um de seus estrategistas mais lúcidos. Mas o legado permanece — como farol, como memória, como desafio.

Renato Rabelo não buscou aplausos fáceis. Buscou coerência histórica. Não acumulou riqueza material. Acumulou sentido.

E talvez seja essa a verdadeira alegria: viver para além de si mesmo.

Baiano doce de alma revolucionária.
Homem de ideias e de ação.
Figura da história política brasileira.

Há vidas que terminam.
E há vidas que continuam ecoando.

A dele seguirá.

Baiano Doce de Alma Revolucionária

 

 

A Travessia de Renato Rabelo pela História do Brasil

Padre Carlos

 

O Brasil amanheceu com um silêncio diferente neste 15 de fevereiro de 2026.
Não era apenas o silêncio da morte. Era o silêncio das páginas que se fecham devagar, como quem respeita a grandeza da história que acabou de ser escrita.

Renato Rabelo partiu.

Há homens que ocupam cargos.
Há homens que ocupam épocas.

Renato ocupou uma época inteira da política brasileira.

Vice-presidente da União Nacional dos Estudantes quando o país mergulhava na noite da ditadura militar, ele escolheu não aprender a linguagem do medo. Enquanto muitos sussurravam, ele ergueu a voz. Enquanto portas se fechavam, ele procurava janelas. Era jovem — mas já carregava no peito a gravidade de quem entende que a democracia não é herança; é conquista.

Militante da Ação Popular, ajudou a integrar aquela organização ao Partido Comunista do Brasil em 1973. Não foi apenas uma mudança de sigla. Foi uma decisão estratégica no meio da tempestade. Em 1976, durante a brutal repressão que marcou a Chacina da Lapa, estava no exílio na França. Sobreviveu. E às vezes sobreviver também é um ato político.

Voltou com a anistia de 1979 trazendo na bagagem algo invisível: maturidade histórica. Ao lado de João Amazonas, ajudou a reconstruir o partido não como quem remenda um tecido rasgado, mas como quem redesenha o mapa de uma nação possível.

Renato compreendia que a política é como um rio.
Às vezes precisa de correnteza.
Às vezes precisa de margem.

Foi um dos articuladores da Frente Brasil Popular que lançou, em 1989, a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Aquela derrota não foi fracasso. Foi semente. Ele sabia que a história brasileira é feita de ciclos longos, de acumulações silenciosas, de perseverança.

Quando assumiu a presidência do PCdoB, em 2001, enfrentou talvez seu maior desafio: participar de governos de coalizão sem perder a identidade, apoiar sem se dissolver, dialogar sem abdicar. Ajudou a construir as táticas políticas dos governos Lula e de Dilma Rousseff, acreditando que a democracia brasileira precisava ser defendida como quem protege uma chama em meio ao vento.

Chamaram-no de moderado.
Chamaram-no de estrategista.

Talvez fosse apenas coerente.

No cenário internacional, fortaleceu laços com China, Vietnã e Cuba, sempre sob a bandeira da soberania nacional. Para ele, o Brasil precisava dialogar com o mundo sem dobrar os joelhos.

Mas sua maior obra não está apenas nos discursos ou nas articulações políticas. Está nas pessoas que formou. Nos quadros que preparou. Nos jovens que ensinou a pensar estrategicamente. Ele sabia que partidos não sobrevivem apenas de memória; sobrevivem de renovação.

E aqui, permitam-me uma confissão pessoal.

Num tempo em que a política parece cansada, agressiva, ruidosa, Renato lembrava que é possível ser firme sem perder a doçura. Dilma o chamou de “um baiano doce de alma revolucionária”. Essa frase carrega uma síntese rara: doçura não como fragilidade, mas como humanidade. Revolução não como ódio, mas como projeto.

Ele acreditava em justiça social.
Acreditava em soberania nacional.
Acreditava que o Brasil poderia ser maior do que suas crises.

Sua morte não encerra apenas uma biografia. Ela nos devolve uma pergunta: quem continuará a travessia?

Porque a história não caminha sozinha. Ela precisa de pés. Precisa de coragem. Precisa de gente disposta a enfrentar o vento contrário.

O Partido Comunista do Brasil inclina sua bandeira. A esquerda brasileira chora. A política nacional perde um de seus estrategistas mais lúcidos. Mas o legado permanece — como farol, como memória, como desafio.

Renato Rabelo não buscou aplausos fáceis. Buscou coerência histórica. Não acumulou riqueza material. Acumulou sentido.

E talvez seja essa a verdadeira alegria: viver para além de si mesmo.

Baiano doce de alma revolucionária.
Homem de ideias e de ação.
Figura da história política brasileira.

Há vidas que terminam.
E há vidas que continuam ecoando.

A dele seguirá.

ARTIGO – Existem Saudades que Abraçam e Saudades que Rasgam

 

Padre Carlos

 

Saudade é saudade — mas não é tudo igual.

 

Há saudades que a gente visita como quem abre um álbum antigo de fotografias. Elas doem, sim, mas doem com delicadeza. São como uma música antiga tocando baixinho na sala da memória. E há outras… outras são como vidro estilhaçado no peito. A gente respira e corta por dentro.

Existe a saudade da infância na Pituba — aquela que tem cheiro de mar, gosto de liberdade e som de risadas soltas pela rua. A gente sabe que não volta. E talvez seja justamente por isso que ela se torna tão sagrada. É uma saudade que ensina: o tempo passa, mas não apaga.

Existe a saudade do Nordeste de Amaralina, das esquinas que formaram caráter, do Seminário do antigo Seminário de Filosofia em Vitória da Conquista e o Seminári de Teilogia em Belo Horizonte, onde sonhos eram moldados entre dúvidas e fé. Saudade dos amigos com quem distribuí panfletos, ideias, utopias. Militância juvenil feita de coragem e ingenuidade. Quem poderia imaginar que, em alguma daquelas tardes, seria a última vez que riríamos juntos?

Há também a saudade de quem está longe. Ela é uma ponte. Dói, mas mantém o elo. A distância ainda permite esperança. Um reencontro possível. Uma ligação inesperada. Um abraço adiado.

Mas existe uma saudade diferente. E talvez essa seja a mais difícil de suportar.

É a saudade de quem partiu — da vida ou da nossa vida. De quem foi embora sem aviso. Sem despedida. Sem tempo de dizer o que ficou preso na garganta. Essa saudade não é visita; é moradora fixa. Não bate à porta; arromba o silêncio.

Saudade é um fenômeno psicológico e afetivo que desafia a lógica. Não tem forma, não tem peso, não tem cheiro — mas ocupa espaço. Espaço no peito, na memória, no travesseiro molhado da madrugada. É abstrata e concreta ao mesmo tempo. É invisível, mas absolutamente real.

Especialistas em saúde emocional explicam que a saudade está ligada à memória afetiva e ao luto. É o eco daquilo que nos constituiu. Quando alguém se vai, não levamos apenas a ausência — levamos a ruptura da rotina, da presença, do toque, da voz. Por isso dói tanto. Não é só a pessoa que falta. É a parte de nós que existia com ela.

E, ainda assim, permita-me dizer algo que aprendi com o tempo — e com a dor.

A saudade também é prova de que vivemos intensamente.

Quem não tem lembrança, não tem saudade. Quem não amou, não sente ausência. Quem não construiu história, não carrega memória. A saudade, por mais cruel que pareça, é testemunha de que houve vida pulsando ali.

Hoje acordei assustado. Um pesadelo qualquer. O quarto escuro, o coração acelerado. Instintivamente, procurei alguém no vazio da noite. O gesto foi automático — quase infantil. E naquele instante compreendi algo profundo: dentro de mim ainda existe a criança que busca colo.

O passado não é apenas aquilo que foi. É aquilo que continua sendo dentro de nós.

A saudade, quando equilibrada pela gratidão, deixa de ser faca e vira cicatriz. E cicatriz é prova de cura, não de derrota. As boas lembranças não anulam a dor, mas a transformam. Elas funcionam como bálsamo emocional, como processo natural de ressignificação do luto.

Vivemos numa época de pressa, produtividade e superficialidade emocional. Falamos muito sobre sucesso, política, economia, inteligência artificial, crescimento pessoal — mas pouco sobre aquilo que realmente nos move: as relações humanas, os vínculos, a memória afetiva.

Talvez esteja na hora de resgatar isso.

Se você sente saudade, não se envergonhe. Não endureça o coração para parecer forte. A vulnerabilidade é parte da maturidade emocional. Chorar é reconhecer o valor do que foi vivido.

E escute esta verdade simples, quase óbvia, mas profundamente libertadora: só tem histórias boas para contar quem viveu algo que valeu a pena.

Saudade não é fraqueza. É patrimônio afetivo.

Sim, machuca. Às vezes machuca muito. Mas também revela que fomos capazes de amar, de lutar, de acreditar, de sonhar. Revela que houve infância, juventude, amigos, pais, causas, risos, lágrimas.

A vida é feita de chegadas e partidas. Não controlamos o fluxo, mas escolhemos o significado.

Que a sua saudade não seja âncora que paralisa, mas raiz que sustenta. Que as lembranças curem a ferida em vez de reabri-la. Que o passado seja fonte de identidade, não prisão.

Porque no fim das contas, meu amigo leitor, minha amiga leitora, a saudade é apenas o amor que ficou.

ARTIGO – Existem Saudades que Abraçam e Saudades que Rasgam

 

Padre Carlos

 

Saudade é saudade — mas não é tudo igual.

 

Há saudades que a gente visita como quem abre um álbum antigo de fotografias. Elas doem, sim, mas doem com delicadeza. São como uma música antiga tocando baixinho na sala da memória. E há outras… outras são como vidro estilhaçado no peito. A gente respira e corta por dentro.

Existe a saudade da infância na Pituba — aquela que tem cheiro de mar, gosto de liberdade e som de risadas soltas pela rua. A gente sabe que não volta. E talvez seja justamente por isso que ela se torna tão sagrada. É uma saudade que ensina: o tempo passa, mas não apaga.

Existe a saudade do Nordeste de Amaralina, das esquinas que formaram caráter, do Seminário do antigo Seminário de Filosofia em Vitória da Conquista e o Seminári de Teilogia em Belo Horizonte, onde sonhos eram moldados entre dúvidas e fé. Saudade dos amigos com quem distribuí panfletos, ideias, utopias. Militância juvenil feita de coragem e ingenuidade. Quem poderia imaginar que, em alguma daquelas tardes, seria a última vez que riríamos juntos?

Há também a saudade de quem está longe. Ela é uma ponte. Dói, mas mantém o elo. A distância ainda permite esperança. Um reencontro possível. Uma ligação inesperada. Um abraço adiado.

Mas existe uma saudade diferente. E talvez essa seja a mais difícil de suportar.

É a saudade de quem partiu — da vida ou da nossa vida. De quem foi embora sem aviso. Sem despedida. Sem tempo de dizer o que ficou preso na garganta. Essa saudade não é visita; é moradora fixa. Não bate à porta; arromba o silêncio.

Saudade é um fenômeno psicológico e afetivo que desafia a lógica. Não tem forma, não tem peso, não tem cheiro — mas ocupa espaço. Espaço no peito, na memória, no travesseiro molhado da madrugada. É abstrata e concreta ao mesmo tempo. É invisível, mas absolutamente real.

Especialistas em saúde emocional explicam que a saudade está ligada à memória afetiva e ao luto. É o eco daquilo que nos constituiu. Quando alguém se vai, não levamos apenas a ausência — levamos a ruptura da rotina, da presença, do toque, da voz. Por isso dói tanto. Não é só a pessoa que falta. É a parte de nós que existia com ela.

E, ainda assim, permita-me dizer algo que aprendi com o tempo — e com a dor.

A saudade também é prova de que vivemos intensamente.

Quem não tem lembrança, não tem saudade. Quem não amou, não sente ausência. Quem não construiu história, não carrega memória. A saudade, por mais cruel que pareça, é testemunha de que houve vida pulsando ali.

Hoje acordei assustado. Um pesadelo qualquer. O quarto escuro, o coração acelerado. Instintivamente, procurei alguém no vazio da noite. O gesto foi automático — quase infantil. E naquele instante compreendi algo profundo: dentro de mim ainda existe a criança que busca colo.

O passado não é apenas aquilo que foi. É aquilo que continua sendo dentro de nós.

A saudade, quando equilibrada pela gratidão, deixa de ser faca e vira cicatriz. E cicatriz é prova de cura, não de derrota. As boas lembranças não anulam a dor, mas a transformam. Elas funcionam como bálsamo emocional, como processo natural de ressignificação do luto.

Vivemos numa época de pressa, produtividade e superficialidade emocional. Falamos muito sobre sucesso, política, economia, inteligência artificial, crescimento pessoal — mas pouco sobre aquilo que realmente nos move: as relações humanas, os vínculos, a memória afetiva.

Talvez esteja na hora de resgatar isso.

Se você sente saudade, não se envergonhe. Não endureça o coração para parecer forte. A vulnerabilidade é parte da maturidade emocional. Chorar é reconhecer o valor do que foi vivido.

E escute esta verdade simples, quase óbvia, mas profundamente libertadora: só tem histórias boas para contar quem viveu algo que valeu a pena.

Saudade não é fraqueza. É patrimônio afetivo.

Sim, machuca. Às vezes machuca muito. Mas também revela que fomos capazes de amar, de lutar, de acreditar, de sonhar. Revela que houve infância, juventude, amigos, pais, causas, risos, lágrimas.

A vida é feita de chegadas e partidas. Não controlamos o fluxo, mas escolhemos o significado.

Que a sua saudade não seja âncora que paralisa, mas raiz que sustenta. Que as lembranças curem a ferida em vez de reabri-la. Que o passado seja fonte de identidade, não prisão.

Porque no fim das contas, meu amigo leitor, minha amiga leitora, a saudade é apenas o amor que ficou.

ARTIGO – A Verdadeira Alegria Nasce da Vida Reconciliada com Deus

 

 

Padre Carlos

 

Há uma pergunta silenciosa que atravessa o coração humano como um sussurro insistente nas madrugadas da alma: onde está a verdadeira alegria?

Vivemos cercados por promessas de felicidade instantânea. As redes sociais oferecem sorrisos editados, o consumo vende experiências rápidas, a cultura do desempenho nos empurra para uma corrida sem linha de chegada. Nunca tivemos tantos estímulos — e, paradoxalmente, nunca estivemos tão cansados.

A alegria cristã, porém, nasce em outro terreno. Ela não floresce no palco iluminado das aparências, mas no solo discreto de uma vida reconciliada com Deus.

E aqui é preciso dizer com clareza: a verdadeira alegria não é euforia. Não é entusiasmo passageiro. Não é a satisfação imediata que se dissolve ao primeiro vento contrário. A verdadeira alegria é fruto da verdade acolhida e do bem vivido. Ela é como uma raiz profunda que sustenta a árvore mesmo quando as folhas são sacudidas pela tempestade.

A fé cristã ensina algo revolucionário para o nosso tempo: somos amados por Deus antes de qualquer mérito. Não caminhamos ao acaso. Não somos um acidente biológico perdido na vastidão do universo. Somos chamados pelo nome. Somos enviados com confiança.

Essa certeza muda tudo.

Porque quando o ser humano descobre que sua vida tem sentido, ele deixa de ser prisioneiro das circunstâncias. O sofrimento não desaparece, mas perde o poder de destruir. A dor continua real, mas já não é a palavra final. A alegria pode coexistir com lágrimas, porque ela não depende do que acontece fora, mas do que foi reconciliado dentro.

Há uma diferença decisiva entre prazer e sentido. O prazer é imediato; o sentido é duradouro. O prazer sacia por instantes; o sentido sustenta por toda a vida. Quando sabemos por que vivemos e para Quem vivemos, as dificuldades não nos paralisam.

Essa é a alegria do Evangelho: saber que cada gesto de fidelidade, cada sacrifício escondido, cada ato de amor possui valor eterno. Nada é inútil quando oferecido a Deus. Nada é pequeno quando feito por amor.

Jesus não nos chama para um fardo pesado, mas para participar da Sua própria alegria — a alegria de anunciar que o Reino de Deus está próximo. Há uma felicidade serena em saber que Deus conta conosco. Não porque sejamos fortes, mas porque Ele é fiel.

Vivemos, no entanto, sob o medo constante da solidão. Preenchemos cada minuto com ruídos, distrações e ocupações contínuas. Fugimos do silêncio como se ele fosse uma ameaça. Mas a espiritualidade cristã ensina o contrário: é no silêncio que o coração reencontra seu eixo.

Na oração, algo se reorganiza dentro de nós. A pressa diminui. O medo perde força. A ansiedade encontra limite. O coração, antes disperso, volta ao centro. E quando a vida tem eixo, ela tem sentido. Quando tem sentido, ela sustenta a alegria.

Não se trata de isolamento, mas de maturidade. Quando a solidão é habitada por Deus, ela deixa de ser vazio e se torna espaço de crescimento. Um coração reconciliado não precisa fugir de si mesmo. Ele encontrou companhia no próprio Criador.

Às portas da Quaresma — tempo forte de conversão e renovação espiritual — somos convidados a esse retorno ao essencial. A Igreja nos propõe três caminhos simples e profundos: oração, jejum e caridade.

A oração nos reconecta à nossa origem.
O jejum nos liberta dos excessos que nos dominam.
A caridade nos lembra que o amor é o verdadeiro significado da vida.

Não é um tempo de tristeza, mas de lucidez. Não é uma estação de peso, mas de purificação. Retira-se o superficial para que permaneça o essencial. E quando a vida se alinha novamente com Deus, a alegria ressurge — não como barulho, mas como serenidade firme.

A sociedade contemporânea fala muito sobre felicidade e saúde emocional. A fé cristã responde oferecendo algo ainda mais profundo: reconciliação, propósito e esperança. A verdadeira alegria nasce quando o coração aceita a própria verdade, abandona as máscaras e descobre que é amado por Deus.

No fundo, todos buscamos a mesma coisa: uma alegria que não nos abandone quando as luzes se apagam.

Essa alegria existe.
Ela amadurece no silêncio.
Fortalece-se na oração.
Cresce na fé.
Consolida-se na confiança.

E prepara o coração para a Páscoa — não apenas como data litúrgica, mas como experiência interior de renascimento.

Uma vida reconciliada é uma vida leve.
Uma vida orientada é uma vida firme.
Uma vida cheia de sentido é uma vida verdadeiramente alegre.

E essa alegria, diferente de todas as outras, ninguém pode nos tirar.

ARTIGO – A Verdadeira Alegria Nasce da Vida Reconciliada com Deus

 

 

Padre Carlos

 

Há uma pergunta silenciosa que atravessa o coração humano como um sussurro insistente nas madrugadas da alma: onde está a verdadeira alegria?

Vivemos cercados por promessas de felicidade instantânea. As redes sociais oferecem sorrisos editados, o consumo vende experiências rápidas, a cultura do desempenho nos empurra para uma corrida sem linha de chegada. Nunca tivemos tantos estímulos — e, paradoxalmente, nunca estivemos tão cansados.

A alegria cristã, porém, nasce em outro terreno. Ela não floresce no palco iluminado das aparências, mas no solo discreto de uma vida reconciliada com Deus.

E aqui é preciso dizer com clareza: a verdadeira alegria não é euforia. Não é entusiasmo passageiro. Não é a satisfação imediata que se dissolve ao primeiro vento contrário. A verdadeira alegria é fruto da verdade acolhida e do bem vivido. Ela é como uma raiz profunda que sustenta a árvore mesmo quando as folhas são sacudidas pela tempestade.

A fé cristã ensina algo revolucionário para o nosso tempo: somos amados por Deus antes de qualquer mérito. Não caminhamos ao acaso. Não somos um acidente biológico perdido na vastidão do universo. Somos chamados pelo nome. Somos enviados com confiança.

Essa certeza muda tudo.

Porque quando o ser humano descobre que sua vida tem sentido, ele deixa de ser prisioneiro das circunstâncias. O sofrimento não desaparece, mas perde o poder de destruir. A dor continua real, mas já não é a palavra final. A alegria pode coexistir com lágrimas, porque ela não depende do que acontece fora, mas do que foi reconciliado dentro.

Há uma diferença decisiva entre prazer e sentido. O prazer é imediato; o sentido é duradouro. O prazer sacia por instantes; o sentido sustenta por toda a vida. Quando sabemos por que vivemos e para Quem vivemos, as dificuldades não nos paralisam.

Essa é a alegria do Evangelho: saber que cada gesto de fidelidade, cada sacrifício escondido, cada ato de amor possui valor eterno. Nada é inútil quando oferecido a Deus. Nada é pequeno quando feito por amor.

Jesus não nos chama para um fardo pesado, mas para participar da Sua própria alegria — a alegria de anunciar que o Reino de Deus está próximo. Há uma felicidade serena em saber que Deus conta conosco. Não porque sejamos fortes, mas porque Ele é fiel.

Vivemos, no entanto, sob o medo constante da solidão. Preenchemos cada minuto com ruídos, distrações e ocupações contínuas. Fugimos do silêncio como se ele fosse uma ameaça. Mas a espiritualidade cristã ensina o contrário: é no silêncio que o coração reencontra seu eixo.

Na oração, algo se reorganiza dentro de nós. A pressa diminui. O medo perde força. A ansiedade encontra limite. O coração, antes disperso, volta ao centro. E quando a vida tem eixo, ela tem sentido. Quando tem sentido, ela sustenta a alegria.

Não se trata de isolamento, mas de maturidade. Quando a solidão é habitada por Deus, ela deixa de ser vazio e se torna espaço de crescimento. Um coração reconciliado não precisa fugir de si mesmo. Ele encontrou companhia no próprio Criador.

Às portas da Quaresma — tempo forte de conversão e renovação espiritual — somos convidados a esse retorno ao essencial. A Igreja nos propõe três caminhos simples e profundos: oração, jejum e caridade.

A oração nos reconecta à nossa origem.
O jejum nos liberta dos excessos que nos dominam.
A caridade nos lembra que o amor é o verdadeiro significado da vida.

Não é um tempo de tristeza, mas de lucidez. Não é uma estação de peso, mas de purificação. Retira-se o superficial para que permaneça o essencial. E quando a vida se alinha novamente com Deus, a alegria ressurge — não como barulho, mas como serenidade firme.

A sociedade contemporânea fala muito sobre felicidade e saúde emocional. A fé cristã responde oferecendo algo ainda mais profundo: reconciliação, propósito e esperança. A verdadeira alegria nasce quando o coração aceita a própria verdade, abandona as máscaras e descobre que é amado por Deus.

No fundo, todos buscamos a mesma coisa: uma alegria que não nos abandone quando as luzes se apagam.

Essa alegria existe.
Ela amadurece no silêncio.
Fortalece-se na oração.
Cresce na fé.
Consolida-se na confiança.

E prepara o coração para a Páscoa — não apenas como data litúrgica, mas como experiência interior de renascimento.

Uma vida reconciliada é uma vida leve.
Uma vida orientada é uma vida firme.
Uma vida cheia de sentido é uma vida verdadeiramente alegre.

E essa alegria, diferente de todas as outras, ninguém pode nos tirar.

ARTIGO – Política e Resenha: A Liberdade de Pensar Não Pede Licença

 

 

 

Padre Carlos

 

Há um momento na vida em que a gente deixa de marchar e começa a caminhar.

Marchar é coletivo, ritmado, obediente ao compasso de um tambor. Caminhar é escolha. É silêncio. É consciência. E eu caminhei por quase cinquenta anos dentro de partidos, trincheiras ideológicas, debates acalorados, plenárias que atravessavam madrugadas. Fui militante. Acreditei. Defendi bandeiras com a intensidade de quem confunde o horizonte com a própria causa.

Mas o tempo — esse escultor invisível — vai lapidando nossas certezas como o mar lapida as pedras. Hoje, sexagenário, não marcho mais. Caminho.

E é sobre isso que eu preciso conversar com você.

O que é o Política e Resenha?

O Política e Resenha não nasceu para ser torcida organizada. Não é um palanque eletrônico. Não é uma extensão de partido, nem um eco de algoritmo.

Ele é, antes de tudo, um espaço de análise política independente, opinião fundamentada e reflexão crítica sobre o Brasil contemporâneo.

Eu não produzo conteúdo para agradar direita ou esquerda. Não escrevo para satisfazer bolhas ideológicas. Não moldo minhas palavras para conquistar engajamento fácil nas redes sociais. Escrevo porque penso. E penso porque vivi.

No Brasil polarizado de hoje, isso parece um crime.

Vivemos um tempo em que a palavra “opinião” foi sequestrada. Se você elogia alguém da esquerda, dizem que você é de esquerda. Se critica, vira traidor. Se elogia alguém da direita, carimbam você imediatamente. Se critica, dizem que você se vendeu.

O raciocínio virou torcida. O debate virou ringue. E a coerência virou suspeita.

Mas eu não faço análise política por paixão partidária. Faço por coerência.

E coerência não tem lado — tem coluna vertebral.

Militância não é pensamento

Militei por décadas. Sei o que é disciplina partidária. Sei o que é defender uma posição mesmo quando ela começa a ranger por dentro. Sei o que é engolir silêncio para preservar estratégia.

Mas também sei o preço disso.

Quando você passa dos sessenta, algo muda. Não é apenas o corpo que desacelera — é a alma que amadurece. A urgência cede espaço à lucidez. A necessidade de pertencer dá lugar à necessidade de ser íntegro.

Hoje, sou um homem que observa, analisa e se posiciona.

E isso incomoda.

Porque o Brasil atual não sabe lidar com quem pensa fora das caixinhas. O algoritmo gosta de extremos. A audiência gosta de certezas absolutas. A política gosta de lealdade cega.

Mas a consciência… a consciência gosta de verdade.

E verdade raramente grita. Ela fala baixo. Exige reflexão. Pede contexto.

Liberdade intelectual é um ato de coragem

Há algo que aprendi ao longo dessas décadas: liberdade de expressão não é o direito de falar o que todos querem ouvir. É o direito — e o dever — de dizer o que sua consciência considera justo.

Quando elogio uma figura pública, é porque reconheço mérito. Quando critico, é porque enxergo erro. Não há paixão partidária nisso. Há responsabilidade intelectual.

No jornalismo opinativo moderno, chama-se isso de framing consciente: analisar fatos, contextualizar decisões, interpretar impactos sociais. Não se trata de atacar pessoas, mas de discutir ideias e consequências.

E isso exige coragem.

Porque o preço da independência é a solidão ocasional. É receber rótulos de todos os lados. É ser chamado de incoerente por quem não suporta complexidade.

Mas eu não vivo de torcida.

Vivo de consciência.

O Brasil precisa reaprender a discordar

Se você me acompanha, sabe: eu não sou homem de silêncio confortável. Mas também não sou homem de grito vazio.

O Brasil atravessa uma crise que vai além da economia ou da política institucional. É uma crise de maturidade democrática. Confundimos crítica com traição. Confundimos reflexão com fraqueza. Confundimos independência com oportunismo.

E isso revela mais sobre quem acusa do que sobre quem escreve.

Uma democracia saudável precisa de articulistas que pensem. Precisa de vozes que não estejam presas a patrocínios ideológicos. Precisa de análise crítica que transcenda o Fla-Flu permanente.

Se todo mundo fala a mesma coisa, não é debate — é eco.

E eco não constrói país.

Não vou caber na expectativa de ninguém

Eu não vou silenciar minha voz para caber na expectativa de grupo algum. Não vou moldar opinião para agradar algoritmo. Não vou vestir uniforme ideológico para ser aceito em tribos digitais.

Sou um homem de sessenta e tantos anos que já viu utopias florescerem e desmoronarem. Já viu líderes idolatrados se tornarem decepção. Já viu adversários demonstrarem grandeza inesperada.

A vida ensina que o mundo é mais complexo do que os rótulos permitem.

Quem não suporta um articulista que pensa sozinho talvez nunca tenha aprendido a conviver com a liberdade.

E liberdade — permita-me dizer — não é confortável. Ela é exigente. Cobra responsabilidade. Exige estudo, leitura, contextualização, análise política séria.

Mas é o único caminho digno para quem escreve sobre o destino coletivo.

Uma palavra final

Se você chegou até aqui, eu lhe agradeço.

Porque ler até o fim, hoje, já é um ato de resistência.

O Política e Resenha continuará sendo o que sempre foi: um espaço de opinião independente, análise política crítica e compromisso com a verdade possível — aquela que se constrói com fatos, reflexão e consciência.

Não prometo agradar. Prometo pensar.

E, enquanto eu tiver voz, ela não será alugadas por aplausos nem silenciada por rótulos.

Porque no fim das contas, meu compromisso não é com partido algum.

É com a minha consciência.

E com você, leitor — que não busca torcida, mas verdade.

ARTIGO – Política e Resenha: A Liberdade de Pensar Não Pede Licença

 

 

 

Padre Carlos

 

Há um momento na vida em que a gente deixa de marchar e começa a caminhar.

Marchar é coletivo, ritmado, obediente ao compasso de um tambor. Caminhar é escolha. É silêncio. É consciência. E eu caminhei por quase cinquenta anos dentro de partidos, trincheiras ideológicas, debates acalorados, plenárias que atravessavam madrugadas. Fui militante. Acreditei. Defendi bandeiras com a intensidade de quem confunde o horizonte com a própria causa.

Mas o tempo — esse escultor invisível — vai lapidando nossas certezas como o mar lapida as pedras. Hoje, sexagenário, não marcho mais. Caminho.

E é sobre isso que eu preciso conversar com você.

O que é o Política e Resenha?

O Política e Resenha não nasceu para ser torcida organizada. Não é um palanque eletrônico. Não é uma extensão de partido, nem um eco de algoritmo.

Ele é, antes de tudo, um espaço de análise política independente, opinião fundamentada e reflexão crítica sobre o Brasil contemporâneo.

Eu não produzo conteúdo para agradar direita ou esquerda. Não escrevo para satisfazer bolhas ideológicas. Não moldo minhas palavras para conquistar engajamento fácil nas redes sociais. Escrevo porque penso. E penso porque vivi.

No Brasil polarizado de hoje, isso parece um crime.

Vivemos um tempo em que a palavra “opinião” foi sequestrada. Se você elogia alguém da esquerda, dizem que você é de esquerda. Se critica, vira traidor. Se elogia alguém da direita, carimbam você imediatamente. Se critica, dizem que você se vendeu.

O raciocínio virou torcida. O debate virou ringue. E a coerência virou suspeita.

Mas eu não faço análise política por paixão partidária. Faço por coerência.

E coerência não tem lado — tem coluna vertebral.

Militância não é pensamento

Militei por décadas. Sei o que é disciplina partidária. Sei o que é defender uma posição mesmo quando ela começa a ranger por dentro. Sei o que é engolir silêncio para preservar estratégia.

Mas também sei o preço disso.

Quando você passa dos sessenta, algo muda. Não é apenas o corpo que desacelera — é a alma que amadurece. A urgência cede espaço à lucidez. A necessidade de pertencer dá lugar à necessidade de ser íntegro.

Hoje, sou um homem que observa, analisa e se posiciona.

E isso incomoda.

Porque o Brasil atual não sabe lidar com quem pensa fora das caixinhas. O algoritmo gosta de extremos. A audiência gosta de certezas absolutas. A política gosta de lealdade cega.

Mas a consciência… a consciência gosta de verdade.

E verdade raramente grita. Ela fala baixo. Exige reflexão. Pede contexto.

Liberdade intelectual é um ato de coragem

Há algo que aprendi ao longo dessas décadas: liberdade de expressão não é o direito de falar o que todos querem ouvir. É o direito — e o dever — de dizer o que sua consciência considera justo.

Quando elogio uma figura pública, é porque reconheço mérito. Quando critico, é porque enxergo erro. Não há paixão partidária nisso. Há responsabilidade intelectual.

No jornalismo opinativo moderno, chama-se isso de framing consciente: analisar fatos, contextualizar decisões, interpretar impactos sociais. Não se trata de atacar pessoas, mas de discutir ideias e consequências.

E isso exige coragem.

Porque o preço da independência é a solidão ocasional. É receber rótulos de todos os lados. É ser chamado de incoerente por quem não suporta complexidade.

Mas eu não vivo de torcida.

Vivo de consciência.

O Brasil precisa reaprender a discordar

Se você me acompanha, sabe: eu não sou homem de silêncio confortável. Mas também não sou homem de grito vazio.

O Brasil atravessa uma crise que vai além da economia ou da política institucional. É uma crise de maturidade democrática. Confundimos crítica com traição. Confundimos reflexão com fraqueza. Confundimos independência com oportunismo.

E isso revela mais sobre quem acusa do que sobre quem escreve.

Uma democracia saudável precisa de articulistas que pensem. Precisa de vozes que não estejam presas a patrocínios ideológicos. Precisa de análise crítica que transcenda o Fla-Flu permanente.

Se todo mundo fala a mesma coisa, não é debate — é eco.

E eco não constrói país.

Não vou caber na expectativa de ninguém

Eu não vou silenciar minha voz para caber na expectativa de grupo algum. Não vou moldar opinião para agradar algoritmo. Não vou vestir uniforme ideológico para ser aceito em tribos digitais.

Sou um homem de sessenta e tantos anos que já viu utopias florescerem e desmoronarem. Já viu líderes idolatrados se tornarem decepção. Já viu adversários demonstrarem grandeza inesperada.

A vida ensina que o mundo é mais complexo do que os rótulos permitem.

Quem não suporta um articulista que pensa sozinho talvez nunca tenha aprendido a conviver com a liberdade.

E liberdade — permita-me dizer — não é confortável. Ela é exigente. Cobra responsabilidade. Exige estudo, leitura, contextualização, análise política séria.

Mas é o único caminho digno para quem escreve sobre o destino coletivo.

Uma palavra final

Se você chegou até aqui, eu lhe agradeço.

Porque ler até o fim, hoje, já é um ato de resistência.

O Política e Resenha continuará sendo o que sempre foi: um espaço de opinião independente, análise política crítica e compromisso com a verdade possível — aquela que se constrói com fatos, reflexão e consciência.

Não prometo agradar. Prometo pensar.

E, enquanto eu tiver voz, ela não será alugadas por aplausos nem silenciada por rótulos.

Porque no fim das contas, meu compromisso não é com partido algum.

É com a minha consciência.

E com você, leitor — que não busca torcida, mas verdade.

Nota de Falecimento – Walter Castro de Matos

 

 

 

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Walter Castro de Matos, ocorrido neste dia 15 de fevereiro de 2026, aos 87 anos. Homem de princípios firmes, caráter íntegro e espírito sereno, Walter deixa um legado de respeito, trabalho e dedicação à família e aos amigos.

Nascido em 9 de setembro de 1938, construiu ao longo de sua trajetória uma história marcada pela honestidade, simplicidade e compromisso com aqueles que o cercavam. Era conhecido pelo jeito tranquilo, pela palavra ponderada e pela disposição em ajudar sempre que fosse preciso. Sua presença inspirava confiança e acolhimento, qualidades que fizeram dele uma referência entre vizinhos e conhecidos.

Walter cultivou valores sólidos, acreditando no poder do trabalho digno, da amizade sincera e do amor familiar. Sua partida deixa uma lacuna irreparável, mas também a certeza de que sua memória permanecerá viva nos corações de todos que tiveram o privilégio de conviver com ele.

O velório será realizado na Comunidade Candeias, localizada na Avenida Péricles Gusmão, nº 1017, bairro Candeias, defronte ao Supermercado Santo Antônio, na Avenida da Faculdade FAINNOR, nas proximidades da Olívia Flores.

Familiares e amigos se reúnem para prestar as últimas homenagens e celebrar a vida de um homem que soube viver com dignidade e honradez.

Neste momento de dor, expressamos nossos mais sinceros sentimentos e solidariedade a todos os familiares e amigos.

Nota de Falecimento – Walter Castro de Matos

 

 

 

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Walter Castro de Matos, ocorrido neste dia 15 de fevereiro de 2026, aos 87 anos. Homem de princípios firmes, caráter íntegro e espírito sereno, Walter deixa um legado de respeito, trabalho e dedicação à família e aos amigos.

Nascido em 9 de setembro de 1938, construiu ao longo de sua trajetória uma história marcada pela honestidade, simplicidade e compromisso com aqueles que o cercavam. Era conhecido pelo jeito tranquilo, pela palavra ponderada e pela disposição em ajudar sempre que fosse preciso. Sua presença inspirava confiança e acolhimento, qualidades que fizeram dele uma referência entre vizinhos e conhecidos.

Walter cultivou valores sólidos, acreditando no poder do trabalho digno, da amizade sincera e do amor familiar. Sua partida deixa uma lacuna irreparável, mas também a certeza de que sua memória permanecerá viva nos corações de todos que tiveram o privilégio de conviver com ele.

O velório será realizado na Comunidade Candeias, localizada na Avenida Péricles Gusmão, nº 1017, bairro Candeias, defronte ao Supermercado Santo Antônio, na Avenida da Faculdade FAINNOR, nas proximidades da Olívia Flores.

Familiares e amigos se reúnem para prestar as últimas homenagens e celebrar a vida de um homem que soube viver com dignidade e honradez.

Neste momento de dor, expressamos nossos mais sinceros sentimentos e solidariedade a todos os familiares e amigos.