Política e Resenha — Opinião
Formar líderes: a promessa que o Sudoeste da Bahia espera ver cumprida

Entre o voto de confiança e a cobrança pelo compromisso, a fala de uma eleitora de Vitória da Conquista revela o que está em jogo na candidatura de Wagner Alves à Assembleia Legislativa da Bahia
H
á um tipo de discurso político que se esvai no vento assim que o microfone é desligado. E há outro tipo — mais raro, mais custoso — que nasce da vida real de quem trabalha, empreende, cria os filhos e ainda assim encontra tempo e coragem para dizer, publicamente, em quem confia e por quê. Foi esse segundo tipo de discurso que ouvi de Tayna Tatyara Rodrigues Campos Andrade, empreendedora de Vitória da Conquista, casada, mãe de um casal de bênçãos, ao falar sobre a pré-candidatura de Wagner Alves a deputado estadual. Não foi um gesto de campanha. Foi um testemunho de vida.
Vivemos, no interior baiano, uma relação antiga e desgastada com a política institucional: promete-se muito em outubro e esquece-se rápido em janeiro. É por isso que, quando uma mulher que constrói seu próprio negócio, que sustenta sua família com as próprias mãos, decide erguer a voz por um nome, essa voz merece ser ouvida com atenção — não como propaganda, mas como sintoma. Sintoma de uma região que está cansada de ser lembrada apenas em ano eleitoral e esquecida em todos os outros.
A sinceridade como critério de escolha
Tayna não escondeu de onde fala. Disse-se de direita, disse que Wagner também é de direita, e fez questão de deixar claro que sua adesão não nasceu de cartilha partidária, mas de uma percepção pessoal: a de ter sido tratada com franqueza. Em tempos de discurso político maquiado, quando o eleitor mal consegue distinguir a convicção da encenação, a sinceridade tornou-se, paradoxalmente, o critério mais raro e mais exigido. Não é pequena coisa uma cidadã dizer que permanece ao lado de um candidato “porque ele passou a sinceridade do compromisso” com a região Sudoeste. É, na verdade, o veredito mais duro que a política pode receber: o de que, depois de tantas decepções, ainda restou espaço para acreditar.
“Esse ano com certeza nós estaremos com todo o gás trabalhando pelo nosso estado. Nós precisamos muito de pessoas competentes para estar lá dentro defendendo as nossas bandeiras. E eu sou de direita e quero dizer aqui que Wagner também é de direita e está conosco nessa caminhada. Só estou com ele porque realmente ele me passou a sinceridade do compromisso com a nossa região Sudoeste. Nós precisamos de gente capacitada lá dentro.”
— Tayna Tatyara Rodrigues Campos Andrade, empreendedora, Vitória da Conquista
Note-se a palavra escolhida por ela: “competentes”. Não “leais”, não “populares”, não “conhecidos”. Competentes. É a exigência de quem já viu demais gente decorativa ocupando cadeira em Salvador enquanto o Sudoeste da Bahia segue com estradas esburacadas, hospitais sobrecarregados e uma pauta econômica tratada como assunto de segunda categoria. A cobrança de Tayna não é ingênua: é a cobrança de quem sabe exatamente o preço da incompetência, porque o paga todos os dias no seu próprio negócio.
Liderar não é acumular seguidores
Há uma frase que ouvi de Tayna e que carrego comigo, porque atravessa qualquer legenda partidária e vale para qualquer época: “um bom líder não cria seguidores, ele literalmente forma líderes.” Essa é, ouso dizer, a diferença essencial entre a política que empobrece um povo e a política que o emancipa. A política de seguidores fabrica dependência: mantém a base agradecida, curvada, aguardando favores. A política que forma líderes multiplica autonomia: cada pessoa que passa por ela sai mais capaz de caminhar sozinha, de discordar quando for preciso, de assumir também o seu próprio lugar de liderança.
É esse o teste ao qual Tayna submeteu, publicamente, a candidatura de Wagner Alves. Não perguntou apenas o que ele fará por ela. Perguntou o que ele fará pelos outros — pelos futuros líderes que a Bahia, e sobretudo o Sudoeste, precisa formar para não continuar refém de uma política concentrada, distante, decidida sempre em outro lugar.
O que está em jogo, para além do voto
Quando uma eleitora fala em “defender as nossas bandeiras”, ela não está falando de abstrações. Está falando de representação real: de ter, na Assembleia Legislativa, alguém que conheça o preço do combustível na estrada que liga Vitória da Conquista aos distritos, que saiba o que significa empreender sem crédito acessível, que entenda que o Sudoeste baiano não é apêndice de Salvador, mas região com identidade, força produtiva e uma dívida histórica de atenção do poder público.
É esse o compromisso que se cobra de Wagner Alves nos próximos quatro anos, caso confirmada sua eleição: não apenas ocupar a cadeira, mas usá-la para formar, capacitar e abrir caminho para novas lideranças da nossa terra.
A cobrança que fica registrada
Escrevo estas linhas não para endossar palavra por palavra o posicionamento ideológico de nenhuma candidatura — isso cabe a cada eleitor decidir em sua própria consciência —, mas para registrar algo que me parece maior do que a disputa de outubro: o desejo legítimo de um povo por representação competente, sincera e comprometida com o território onde vive. Tayna falou como milhares de conquistenses pensam, mesmo sem microfone: querem gente capaz, querem sinceridade, e sobretudo querem que quem se elege não se esqueça de onde veio.
Que este testemunho sirva, então, não como elogio fácil, mas como compromisso público registrado. A palavra empenhada em campanha há de ser cobrada no exercício do mandato. Essa é a única forma sadia de fazer política: prometer publicamente, para ser publicamente lembrado.
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Padre Carlos — Teólogo, Filósofo e colunista político — Política e Resenha




